segunda-feira, 10 de junho de 2013

No RJ, a arte é que imita a vida!

Uma das características principais dos políticos que estão fadados a vôos curtos é sua incapacidade de reagir aos fatos no tempo certo, ou de enxergar mais adiante.

Diga-se de passagem que não é uma tarefa fácil, logo, são poucos que conseguem se manter no nível "A" da política nacional.

O time do governador sérgio cabral, e ele mesmo, parecem destinados ao fracasso, mesmo com todos os ventos favoráveis que lhes empurrou à popa estes oito anos a frente do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

A administração estadual e o Estado do Rio de Janeiro foram ungidos com bilhões de reais em investimentos do governo federal, revertendo o histórico ciclo de abandono anterior, creditando ao Rio um momento virtuoso de crescimento, emprego e visibilidade positiva.

Mas a impressão que temos é que Lula, e depois Dilma, entregaram uma Ferrari ao Mister Magoo.

Para quem não se recorda, ou quem não tem idade para conhecer, Mister Magoo é um personagem de quadrinhos animados que se mete em todo tipo de encrenca porque não enxerga um palmo a frente do nariz.

Pois bem, a disposição do governador e sua equipe em chocarem-se com a realidade é algo assombroso! Parece coisa de desenho animado!

Nem tanto pela ação dos adversários, que a exceção do episódio catastrófico dos guardanapos, pouco incomodaram a administração estadual, blindada pela mídia de coleira, e pelos afagos bilionários do governo federal!

Mas por seus próprios meios(ou ausência destes), é o governador que caminha para penhasco por vontade própria, e a passos largos!

A tarefa da escolha de um sucessor é árdua, e o poder da caneta, às vezes, faz parecer que poder-se-á sacar qualquer nome, e impor esta decisão aos eleitores. 
Esta é uma das características do Mr Magoo, olhava para algo, e enxergava uma coisa diferente.
Não é toda vez que um governador, prefeito ou presidente conseguirá superar as injunções e conjunturas para eleger aquele que acha capaz de levar adiante seu legado político.

Este parece ser o caso no RJ.

Como escolher um vice-governador comprometido até a medula com a operação dos esquemas de obras do governo, que por isto mesmo vai se tornar alvo fácil da maledicência oposicionista?

Este movimento só se justificaria se o vice-governador, o pesado, fosse um furacão de popularidade, e sabemos, não é.

A falta de habilidade nas hostes governistas só pode ser creditada a total falta de quadros capazes. 

Por outro lado, a insistência (burra) em centrar a campanha em uma plataforma monotemática (a segurança pública) é demonstração de mais obtusidade sem par.

Então, faltam quadros e uma agenda positiva. O pior dos cenários.

Ora, primeiro porque os resultados da segurança pública nem sempre obedecem aos comandos imediatos e mediatos, onde surpresas dramáticas sempre desafiam governantes e outras autoridades, provocando oscilação no humor imediatista do eleitor, e segundo porque a gestão, propriamente dita, da segurança pública  no Estado em nada inovou, e pior, a improvisação vendida como panaceia, a UPP, começa a se desfarelar a olhos vistos.

A sorte é que a eleição está casada com a Copa 2014, que exigirá mais uma vez do Governo Federal, fazer o que o Governo Estadual não tem conseguido fazer sozinho.
Todavia, nem este reforço pode garantir a calmaria necessária, uma vez que nem a imprensa amiga consegue mais esconder as escaramuças cotidianas nas comunidades "pacificadas".

Aliado a este quadro, uma possível debilidade no caixa, que já se anuncia com as antecipações do Governo Estadual junto aos bancos para pagar salários dos servidores, tolherá este governo de recompor perdas salariais destes servidores, o que aumenta a insatisfação, e como resultado, uma piora dos serviços, com greves e outras manifestações.

É bom lembrar que as feridas da última greve dos policiais ainda não cicatrizaram. 

Não é errado, nem exagerado, dizer que a atual administração estadual foi a principal responsável pela construção de uma agenda negativa que será usada pelos adversários.

Nos quadrinhos, com toda sua cegueira, Mr Magoo sempre sai ileso e vencedor no final.

Mas quem prefere acreditar na ilusão e ignorar a realidade?

Se fossem contemporâneos, diríamos que não é o governador que se inspira no Mr Magoo, mas ao contrário, é na atuação do governo estadual que o artista se inspirou para criar um personagem de pouca acuidade visual. 


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