domingo, 30 de junho de 2013

A Democracia (direta) e a esquizofrenia autoritária.

Bruno Lindolfo é uma destas pessoas com as quais tenho enorme solidariedade e sintonia política. Claro, nem sempre concordamos em tudo, mas seu texto é daqueles para ser lido com extremo cuidado, como se manuseássemos artigos raros e frágeis, diante de tanta idiotice que se move por aí.

Li seu comentário no blog do Roberto Moares, e eis que me deparo com o mesmo conteúdo aqui em nossa caixa de comentários. Como sugerir por lá, trago o texto do Bruno para nossa reflexão:

Blogger Bruno Lindolfo disse...
Há, também, uma tentativa de rejeitar o plebiscito em favor do referendo.

Comentava sobre isso ontem no "facebuquistão":

"Se entendi bem, a mesma turma apartidária, que rejeita partido e político em prol de uma democracia direta, ou da inflexão estrutural de um sistema político ora refém de uma conformação parlamentar que imporia uma crise de representação e reforma, marcha, agora, contra a possibilidade de um plebiscito e em defesa de um referendo?

É isso mesmo?

Ou despojaram as máscaras do alheamento ideológico-partidário, ou sofrem da mesma ignorância política que gostam de imputar àqueles que chamam de "povo"."

É uma mistura de esquizofrenia, - e doença eu respeito.

Com um caldo grosso de autoritarismo, de quem quer impor sua pauta deslegitimada: ora movendo-se contra o sistema político, porque este, embora composto de uma base fragmentada, não lhes é majoritário; ora contra as ruas que, em tese, franqueariam a possibilidade de ruptura de um sistema viciado. Ou, ao menos, elevaria o debate a um ponto em que, se a maturação do tema, hoje, não possibilitasse a mudança necessária, pudesse servir como pedra de torque, trazendo a discussão, necessariamente e de modo concreto e objetivo, para o discurso dos que venham a se lançar à eleição ou reeleição, até por uma questão de sobrevivência.

Por fim, uma pitada de ignorância política, embora gostem de dizer que burro é quem, de modo legítimo, opta por um governo que faz inclusão social e distribuição de renda, sem qualquer arremedo na história deste país. Quiçá do mundo.

A proposta do governo é exemplar, não só por fazer evidenciar quem são os atores, seus lados e interesses de sempre, mas, também, por desafiar o atual sistema político, com o ônus, igualmente político, de romper com sua própria base e esteio de governabilidade.

As viúvas choram, mas é sempre bom lembrar que, na história recente, se algo passou mais perto do golpe, foi a reforma conseguida na base do troco, que se limitou a aprovar a reeleição, aproveitada pelo próprio mandatário da época. Sem alarde.
30 de junho de 2013 14:09

Um comentário:

Bruno Lindolfo disse...

Fala Douglas, creio que tentar fazer crer que o referendo será melhor é o próximo passo (não tinha visto aquele artigo do Paulo Moreira Leite, ele fala bem sobre isso). Expurgar qualquer participação popular, apelando pros especialistas, os mercadores de doutrina jurídica e pelo preço que a democracia tem (e todos nós deveríamos estar dispostos a pagar), tudo em nome de manter os governos como os mesmos balcões de negócios de sempre, não vai colar.

Mas, mesmo sem qualquer lógica, considerando o que se gritava pelas ruas dia desses, a tese do referendo se espalha como um vírus... É triste. Esse pessoal que estudou sem cotas era o futuro da nação...

Mas vamos acompanhando...

Abraço!