segunda-feira, 3 de junho de 2013

A cultura: um fim melancólico e previsível, menos para o "oráculo".

Não conheço o trabalho acadêmico do ex-secretário de cultura. Isto não quer dizer que não seja relevante.

Porém, como leigo, a parte mais visível que me recordo de sua militância era um espetáculo, uma falsificação grotesca de uma dança afro-brasileira, algo parecido com aquelas encenações feitas para o olhar de turista, um tipo de aberração antropológica.

Qualquer iniciante em ciências sociais e ativista cultural honesto sabe dizer que tais "resgates culturais" são fraudes em si mesmas, porque toda intervenção externa contamina a originalidade do ato da entrega inter-geracionais, isto é: se não sobrevive por si, a tradição (entrega) é falsa, e é melhor a memória preservada daquela que encerrou seu ciclo, a termos gestos atualizados como caricaturas!

Servem apenas para a locupletação de seus produtores e incentivadores!

Por outro lado, também não posso dizer que conheço o trabalho do "professor oráculo" na gestão pública da cultura municipal, simplesmente porque este trabalho não existe!

Há tempo perguntei aqui o que faria uma pessoa que se julgava portador de alguma dignidade intelectual se submeter a tamanha humilhação pública na condução de algo que nunca existiu.

Se foi disciplina partidária e ideológica com o grupo que ocupa o governo local, sou capaz de entender, mas novamente pergunto: Só existe esta maneira demente de conduzir a fidelidade política a este grupo?

Não caberia alguma ousadia, um pouquinho de criatividade, e quem sabe, algum orgulho?

O ex-secretário foi o inaugurador da secretaria, um antigo pleito dos sobreviventes da cena cultural nesta cidade, e com certeza será o depositário da responsabilidade sobre o maior retrocesso que se tem notícia, com o embutimento do tema da gestão de políticas públicas culturais sob a chancela da não menos incompetente pasta da Educação.

As conquistas do "professor":

A morte do então moribundo carnaval!

A total nulidade das manifestações culturais locais, soterradas pela avalanche de interesses econômicos dos cafetões culturais que gostam de se auto-denominar empresários ou produtores culturais!

A total incapacidade sensibilizar a sociedade local para debater a necessidade de atualizar, modernizar e ampliar a lei de incentivo e outras formas de subsídio e fomento a cultura em uma cidade com orçamento de mais de 2 bilhões de reais por ano!

Em suma: Nossa cultura, sob o "oráculo", continuou a estar no lugar "de direito": lugar nenhum!

Um deprimente, mas previsível e merecido fim para o "oráculo", incapaz de prever seu próprio ostracismo, ou seja: o pior "oráculo" é aquele que não quer (pre)ver!


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