domingo, 12 de maio de 2013

Porto do Açu sob o olhar arguto do Pedlowski.

Porto do Açu: em ritmo de ame-o ou deixe-o


Não precisa ser nenhum Einstein que o discurso pró-Porto do Açu teve que mudar frente aos percalços de Eike Batista e seu conglomerado de empresas pré-operacionais. Depois de sermos inundados com visões de um futuro paradisíaco, agora estamos numa nova fase, que é o do "isto tem que dar certo ou estaremos todos condenados a um mundo obscuro e trágico'. Também se vê a atuação de "anônimos" que percorrem os blogs misturando cânticos de ódio a quem ousa criticar os percalços e limitações do mega-empreendimento de Eike Batista a uma inesperada disposição de oferecer visões positivas, tentando nos convencer que a ruindade da situação é temporária.

Agora só falta aparecer uma daquelas campanhas publicitárias do tempo da ditadura militar cujo lema certamente poderia ser "Porto do Açu: ame-o ou deixe-o" ou ainda "Açu, ninguém segura esse porto". De minha parte já fica o aviso: não amo, e deixo!

Em tempo: agora já não faltam mais 60 dias para a normalidade voltar ao Porto do Açu... tic! tac! tic! tac! tic! tac!.....

3 comentários:

Anônimo disse...

Douglas:
Não seria esta "nova Macaé" que está se configurando no horizonte do Açu um modelo simplificado, mas tão problemático quanto a Eikelândia?
Porque este governo que tem acertado em muitas coisas ainda não se atentou que são as pequenas e médias empresas "nossos agentes econômicos mais importantes" como disse o Mangabeira Unger?
Vários analistas tem insistido nesta necessidade de investir na indústria nacional, sobretudo na pequena indústria. O Delfim escreveu isso há poucos dias justificando o por quê de não crescermos.
É claro que os grandes "puxam" os pequenos, mas não pode ser: TUDO para eles e para os pequenos, A LEI.
O enclave do Açú, como estava configurado, era excludente em si. Não que o porto não seja necessário, antes o contrário. O Brasil precisa de portos (porcos, só os que chafurdam - não resisti a piada). Mas a produção que começa a se difundir no mundo é mais flexível, às vezes experimental e quase sempre despadronizada. Precisamos embarcar neste trem que precisa de crédito, inovação e tecnologia...
Entregando todos os recursos do BNDES para os queridinhos do empreendedorismo e aceitando manter juros altos para não contrariar os bancos, o pibinho será pule de dez para 2014.
Aqui mesmo, em escala menor aconteceu o mesmo.
Vejamos o FUNDECAM. Dinheiro nosso, emprestado mediante um "projeto" bem escrito que atendia a todos os parâmetros dos analistas econômicos, mas que com honrosas exceções vingou. Analisando friamente só valeu a pena a Schulz e mais dois ou três projetos.
Talvez seja o complexo vira-latas falando mais alto: só o grande, o legal, o destacado na mídia, o que vem de fora, tenha o condão de ser interessante e exitoso.

Abs

douglas da mata disse...

Seu comentário traz à luz questões poderosas e complexas, que não sei se conseguirei alcançar com minha resposta:

Atente bem que não falarei de "herança maldita" da octaéride fernandista, embora ela seja um fato.

Mas o processo de reestruturação que este país está passando não tem precedentes, e eu menciono 500 anos anteriores de aprofundamento de um modelo patrimonialista e excludente, e não apenas os 20 ou 30 recentes.

De fato, nesta transição (que aliás é mundial), temos a impressão(que corresponde em certo aspecto a verdade) que se trata de um processo caótico, aleatório, ou sem dimensões estratégicas.

São muitas frentes a serem atacadas:

01- Estrutura e logística.
02- Financiamento (crédito e dívida pública/privada).
03- Déficits fiscais e de conta corrente.
04- Controle monetário (inflação e juros).
05- Educação.
06- Políticas sociais e de inclusão.
etc, etc, etc.

Isto não é uma desculpa, mas é bom entender que este vendaval se dá em meio a demandas políticas típicas da Democracia, ao contrário dos chineses, por exemplo, onde o partido e o governo(que não diferem)decidem que uma região vai fazer ou fabricar isto, e pronto!

Aqui, felizmente, o governo age empurrado pela noção de sua precariedade, ou seja, é tudo ao mesmo tempo agora, porque pode não ser nunca mais!

Sua reclamação contra o privilégio dos grandes é correta!

Mas ela se dá, também, pelo baixo nível de representatividade do setor dos médios e pequenos, que prefere fazer eco as dificuldades tributárias, engrossando o caldo oposicionista, a se fazer ouvir nos fóruns adequados.

Ou seja, em vez de criarem pontes com o governo, queimam-nas.

É bom lembrar que nossa carga tributária não é alta, é injusta, ou seja, o pequeno paga proporcionalmente mais que o grande!

Porém, empresas pequenas solucionam, de um lado, mas trazem outros problemas, como impactos sócio-ambientais pulverizados e mais difícil de controlar, o que geralmente associa a pequena empresa com desordem urbana.

Não que os pequenos, por esta condição, devam bajular o governo central, no entanto, em alguns casos, é deste setor classe média que brotam as críticas mais desqualificadas, e como já mencionei, interditam bons debates!

Espero ter ajudado.

Anônimo disse...

Concordo sobre a carga tributária e acho que ela deve ainda continuar onde está e até aumentar para financiar esta transição. O que precisa é ser simplificada e passar a cobrar de todos, não somente quem tem o alvo nas costas e não tem poder para se defender (ou burlar) o fisco. Obrigado por se dispor a dar sua opinião.