sexta-feira, 24 de maio de 2013

Porto do Açu: O senhor X e seus bonecos de ventríloquo!

Um fato é inquestionável: Não há quem saiba dizer, ao certo, o que acontece nas terras da eikelândia.

Há os blogs mais informados da região sobre o tema, como Roberto Moraes e Marcos Pedlowski, mas ainda eles esbarram na total falta de informação e na rede de manipulação montada pelo senhor X.

Em um empreendimento movido a especulação, é claro que propaganda não é só a alma, mas o próprio negócio!

A despeito de toda a crise, que foi negada veementemente, mas depois admitida, assim como o sal depositado na terra pelas escavações no porto, que os eiketes diziam ser um delírio dos críticos, não são o senhor X ou seus porta-vozes corporativos que falam ao público e às autoridades, inclusive aquelas que hipotecaram-lhe apoio e vastas somas de Orçamentos Públicos.

De verdade, nenhum dos itens do cronograma de nenhuma das empresa se cumpriu, nenhuma das promessas se concretizou, e tivemos, antes das demissões que agora ocorrem, várias greves que interromperam os trabalhos, motivadas pelas reclamações dos trabalhadores, submetidos a condições desumanas.

É preciso não esquecer a situação dos agricultores despejados de suas terras, para dar lugar a um distrito industrial que é só mais uma promessa.

O certo, ou o mais provável, que teremos um porto vinculado ao setor do petróleo, e um monte de galpões espalhados pela região do Açu, e um processo inevitável de favelização do entorno, que já começa a tomar corpo com invasões de pessoas descartadas pelas empresas X e suas terceirizadas.

Hoje de manhã, o programa de rádio da faculdade que deseduca ainda mais a péssima formação dos futuros jornalistas, haja vista o verdadeiro desastre que é o nível dos "profissionais" desta região, um secretário do governo de SJB foi cumprir o triste papel de preposto do senhor X, ou seja, foi explicar o inexplicável.

Sabemos que dos problemas fonoaudiológicos, o mais comum deles é a gagueira, que se manifesta quando a pessoa, que detém tal disfunção, está em situação desconfortável.

Pois o secretário de planejamento, ao falar das suas "esperanças" sobre o Porto do Açu, não parecia estar à vontade, a julgar pela sua dificuldade em manter sua fala fluída, ao contrário de quando falava sobre outros temas. O pobre secretário gaguejou todo tempo!

De todo modo, é uma vergonha que uma autoridade pública cumpra a triste sina de fazer papel de boneco de ventríloquo, falando pelo grupo empresarial que vai jogar no colo da municipalidade o maior desastre sócio-ambiental da História da região.

Mas o que esperar de um secretário que serve a um prefeito que foi beijar a mão (ou os pés) do Kimoçabe do Açu?

5 comentários:

Anônimo disse...

Douglas,

Gosto muito do seu blog e de seus textos, inclusive uso vários deles para leitura e debate com alguns amigos na faculdade. Sem querer abusar, gostaria de sugerir um assunto para debate aqui em seu espaço virtual, inclusive, e lógico, com um texto seu sobre o assunto.

Recentemente assisti o documentário "Marcelo Yuca no caminho das setas", em que mostra a trajetória do músico e fala sobre sua saída da banda O Rappa.

O que gostaria de trazer ao debate, e mais importante, saber sua opinião, é sobre a entrevista que Falcão deu no documentário. Disse o vocalista que "Yuca estava sendo usado pelos movimentos sociais; que ele estava misturando a música e a banda com as bandeiras de movimentos sociais, como o MST".

No entanto, apesar de dizer isso do Yuca, Falcão grava sua voz para comerciais de empresas multinacionais; usa camisas com marcas de empresa em eventos públicos; e usa a capa de seus discos (depois da saída do Yuca) para anúncios de empresas.

Aí eu pergunto, porque as pessoas e até artitas, como o Falcão, entendem que se você defende um movimento social, você é radical ou está sendo usado por ele, agora, se você veste uma camisa que expoe de forma exagerada uma marca ou se você grava um comercial para uma empresa, você não está (de alguma forma) defendo aquela empresa?

Para o MST não pode, mas para a VIVO pode?

Defender um movimento social é estar sendo manipulado ou misturando política com arte e isso não pode, mas gravar um comercial de TV para uma multinacional não é fazer política e defender uma estilo de vida, é isso?

O que você acha Douglas?

Abraço e obrigado.

Marcos Fernandes (estudante)

douglas da mata disse...

Marcos, obrigado pelos comentários generosos!

O tema apresentado por você é de suma importância.

Não vi o documentário, mas posso imaginar, pelo seu relato, qual seja o teor do dissenso entre seus integrantes, que aliás, é um debate antigo no meio de produção cultural, e dos bens culturais de massa!

Prometo-lhe escrever algo sobre o tema.

Vai ao ar neste domingo!

Um abraço.

Anônimo disse...

Parabéns Marcos, por ler e debater com seus amigos. Continue, laia mais, proponha outros textos. O Douglas é muito bom mas há outros também.
Tenho visto muito pouco estudantes saírem do lugar comum.
Desconfie de todos, inclusive do Douglas. Siga em frente!

douglas da mata disse...

Bom, comentarista das 20:14, eu creio que sua proposta é dizer ao Marcos que leia o máximo de posições possíveis sobre um tema, o que é correto, afinal, aqui cultuamos o lema: "duvidar de tudo até da própria dúvida".

Agora, não acho apropriado a palavra desconfiar, porque aqui não há mensagens cifradas, subliminares, ou com viés ideológicos contrabandeados!

Quem lê o blog sabe exatamente em que campo político ele se situa.

Não julgue os outros por si!

Anônimo disse...

Mister "Peruquinha" não pagou as empresas que trabalham no porto o que obrigou várias delas a suspender o contrato e demitir funcionários. A suspensão dos contratos acaba afetando milhares de pessoas, além daquelas que trabalham diretamente ligadas ao projeto. Empresas de ônibus, serviço de refeições, alojamentos, alugueis de veículos e maquinas, etc. Sem contar os lugarejos como Barra do Açú que perderam clientes, seja do alojamento do Açú, desativado, bem como dos funcionários do Porto que iam almoçar em seus restaurantes. O impacto social e financeiro está sendo grande. Seria esta uma grande jogada de EB para pressionar a Dilminha e fazer com que a Petrobrás entre na jogada e assim o governo poderia injetar dinheiro publico no negócio?...