quarta-feira, 15 de maio de 2013

Outras planícies!

Quando falta pão, todos gritam e ninguém tem razão!

Durante anos e anos, a mídia e boa parte da classe média desancaram o sistema público de saúde, embora boa parte da classe média nunca usasse tal sistema, porque o governo sempre bancou seus gastos privados em saúde, através das deduções do IRPF.

Mas o que se fomentava era a ideia de que se era público, era ruim!

De um lado, sorriam empresas privadas de saúde, e seus "exclusivos clientes", e de outro, a população pobre chorava, porque além de ser privada de um sistema público de qualidade (depredado justamente por causa da escolha de financiar a saúde privada, logo, uma escolha política, e não uma "casualidade"), foi também impedida por anos da informação sobre as causas de seu infortúnio nas filas de hospitais públicos: A falta de financiamento!

Em suma, a mídia dizia para a classe média que o sistema público era ruim  não para melhorá-lo, mas apenas para acirrar o sistema de castas de que eram beneficiários!

Irônico é ver a atual falência dos planos de saúde e cooperativas, mesmo sendo muito mais bem financiados que o sistema público, que além disto, detém muito mais obrigações.

Onde foi parar a gestão "superior", o "gasto eficiente", a "vocação privada de melhor servir"?

Pois bem, médicos e autoridade britânicas alertam que o sistema público de saúde inglês, dedicado a atendimentos de urgência e emergência, está a beira do colapso, pois há poucos recursos, poucos médicos, e muita demanda.

Você ouviu isto antes?

Pois bem, mas as respostas dadas pela mídia de lá são bem diferentes, e estimulam a reflexão da população!

Reflexos da crise, ou seja, da falta de DINHEIRO!

Leia no The Independent mais sobre o assunto, se desejar.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quando a crise entra pela porta, o amor sai pela janela...

No caso da saúde, o maior problema é também a maior solução: os médicos.
Faltam médicos. E formar médicos custa caro, leva tempo.
Por isso defendo o financiamento completo do estado à formação destes profissionais. E poderíamos começar por aqui mesmo, em Campos.

Poderíamos financiar a formação de pessoas que não podem pagar o curso de medicina. Excetuando os muito ricos, quase ninguém pode.
E quando falo financiamento não estou me referindo a pagar a mensalidade da faculdade, somente. O custeio da formação deve vir acompanhado de livros, moradia, transporte, computadores, material de laboratório, assinatura de revistas, acesso à internet, viagens a congressos e até estágios e cursos internacionais para quem merecer.
Mas não podemos, enquanto sociedade, financiar qualquer um. Há que se ter alem da vocação, resultados. Mais ainda. Findo o período de formação, o médico formado deverá retribuir a sua contrapartida à sociedade com uma parcela de trabalho por tantos anos quantos forem os anos de sua formação financiada. É claro que esta conta deve ser discutida, mas o princípio não é o retorno pecuniário do valor investido, mas o retorno através de serviços profissionais cujo pagamento já foi antecipado pela sociedade.
Não é possível que a sociedade banque alunos com baixo aproveitamento, baixa frequência e consequentemente uma formação medíocre. Mas também não será possível, igualmente, medir o aproveitamento somente com as notas nas matérias. O acompanhamento destes alunos deverá ser constante e estreito. Ele deverá cumprir estágios em hospitais públicos.
Os critérios mais amiúde, tem que ser discutidos pela sociedade. Já devíamos ter começado este debate.
Sei que hoje já existe algo parecido. A prefeitura disponibiliza bolsas para alunos de medicina e outras formações.
Mas basta um olhar superficial para identificar que alguns poderiam pagar pelo menos parte destes custos, o que diminuiria o investimento necessário e consequentemente a contrapartida do futuro médico. Estão contemplados com bolsas da PMCG alunos medíocres cujas avaliações não resistiriam ao menor confronto. Pessoas que simulam morar em municípios vizinhos para conseguir a bolsa. Enfim, recursos sendo desviados seletivamente preterindo outros candidatos que poderiam mostrar melhores resultados.