sexta-feira, 3 de maio de 2013

Outras Planícies!

O pão, os brioches e as cabeças.

Hoje em dia temos quase certeza que não foi Maria Antonieta que disse a célebre frase ("n'ont pas de pain, qu'ils mangent de la brioche") .

Mas quando a lenda supera o fato, publique-se a lenda, alguém também já disse. Hoje não há monarquias absolutistas, mas por certo há sistemas econômicos que se comportam com a mesma insensibilidade atribuída a rainha de Luis XVI.

As previsões não são nada boas:  crescimento negativo de 0,1% (pelas autoridades monetárias do bloco e FMI) e 0,1 positivo (pelo governo) e uma taxa de desemprego que oscilará entre 10,4 e 10,9%. Como se vê, as minúcias estatísticas não ajudam na tragédia.

A França está em recessão, de acordo com a União Europeia, e não há sinal que os gestores da economia do bloco estejam por perder a cabeça.

Não seria má ideia. Será que falta apenas uma frase de efeito, mal colocada, para disparar a revolta? Quem sabe.

Mais no Libération.




O acordo da galinha com o porco.

Dizem que um dia a galinha chamou o porco para um acordo, para fazer omeletes de bacon. O porco berrou, afinal, seu sacrifício seria muito maior, por óbvio.

É mais ou menos isto que EEUU e México começam a fazer, novamente.

Sob vários argumentos (que vão desde a guerra sanguinária do tráfico em terras mexicanas, enquanto os narizes estadunidenses consomem em escala planetária) até as questões econômicas, o Tio Sam chama o México para se abaixar e oferecer as costas para que o gigante possa sair do atoleiro.

Bom, só faz papel de porco quem quer.

Mais no El Pais.

2 comentários:

Fernando disse...

Os argumentos são conversa fiada. Se quisessem combater a droga de verdade, a promotoria de Nova Iorque não faria o acordo criminoso com o HSBC. War on Drugs é coisa para inglês (do HSBC) ver. E americano cheirar...

douglas da mata disse...

Se fosse só isto, ok.

Não faço juízos morais das escolhas das pessoas, e creio que as melhores soluções do Estado se afastam deste "julgamento" e intervenção na esfera privada de decisão.

Já está mais que provado que proibição não inibe consumo, nem minora os danos provocados pelo comércio, ao contrário.

Neste sentido, os "argumentos" não são apenas para isto, mas para vender armas, modelos penais(que lotam cadeias/masmorras e fabricam facínoras), e impor segregação política (jurídico-criminal), econômica e social dos grupos (pobres) associados ao varejo deste enorme mercado.