sábado, 18 de maio de 2013

Médicos cubanos, simplesmente uma questão de reserva de mercado!

Como em quase tudo o que o governo federal propõe, a mídia presta um desserviço, manipulando ao invés de informar.

Neste caso, associam-se corporações médicas, que desejam nada mais que manter os interesses da categoria acima dos da população, utilizando para isto uma série de simplificações rasas.

Ninguém discute a precariedade do sistema público de saúde, inclusive por subfinanciamento e pela proletarização da medicina.

Mas esta é uma questão que não se conecta, ao menos não diretamente, a necessidade de aumentar, de forma urgente, a oferta de mão-de-obra especializada, e não só no campo médico, mas em todas áreas, como a engenharia.

E por que não se vê passeatas ou exigências do CREA para permitir vistos de trabalho de estrangeiros em grandes empreendimentos brasileiros?

Ao contrário, sabemos que uma das vantagens de um economia convidativa como a nossa é poder atrair especialistas já formados. 

Há países que chegam até a isentar, por vários anos, profissionais especializados do imposto de renda.

Na outra mão, cada vez mais aproveitamos para formar mão-de-obra no exterior.

No quesito saúde pública, guardadas as enormes diferenças de condições entre Brasil e Cuba, haja vista que não estamos sob um bloqueio de mais de 50 anos, a excelência cubana nos envergonha.

Quando assistimos o Conselho Federal de Medicina se debatendo por critérios rígidos de avaliação, cabe perguntar:
Tais critérios valem para as fábricas de diplomas espalhadas pelo país, que formam "médicos" incapazes de diferenciar os mais simples sintomas, haja vista a enorme taxa de reclamações de erro médico. que esbarram nos ouvidos moucos e corporativistas dos conselhos médicos?

Enfim, perguntamos ainda: 
Se um destes médicos, em viagem de turismo à Cuba, sofresse um incidente, ou tivesse um infarto, e fosse encaminhado a um hospital cubano, exigiria ser atendido por um colega brasileiro?

2 comentários:

Anônimo disse...

Engraçado que o doutor Pedlowski repercutiu hoje artigo do procurador de Justiça no Rio Grande do Sul, Lenio Streck cujo mote é a demonização dos doutorados em direito obtidos na Argentina. Segundo os doutores brasileiros, as titulações recebidas no país de Carlos Gardel, equivalem a um curso de tango ministrado por telefone. Defendem a "qualidade", a "exigência da excelência" e outros predicados que obrigarão aos doutorados em terras portenhas a revalidar, no Brasil, seus diplomas. Dizem mais. Dizem que isto se aplica a "qualquer diploma obtido fora do país, aplicando-se esta exigência igualmente aos títulos obtidos em países membro do Mercosul."
Então tá. Médicos cubanos pode. Doutorados argentinos não.

Tá, já sei: o blogueiro dirá que são melões e carambolas, não dá para comparar.

(não dá quando não se quer)

douglas da mata disse...

Bom, o que dizer? Se o próprio comentaristas já revelou que são coisas distintas, a insistência parece-nos mais daquelas provocações infantis.

Primeiro: Este blog não é filial do blog do Pedlowski, e ele que defenda as suas teses por lá.

Mas vamos lá, porque o tema é saudável:

O doutor Pedlowski não me parece avesso ao fato de que brasileiros possam cursar suas especializações no exterior, afinal, ele mesmo detém algumas em terras estrangeiras.

Este blog também não é.

Ninguém, salvo idiotas, seria capaz de defender que não haja intercâmbio profissional e acadêmico entre países.

Mas há casos e casos. Isto não significa que todas as indústrias de diplomas tenham um bill de impunidade para funcionarem, sejam aqui ou lá fora!

Esta premissa vale para qualquer profissão, seja médico, engenheiro ou advogado!

Creio que o cuidado com os currículos e exigências caibam para TODOS os diplomas, e não só os que vêm de fora, e muito menos, não só com algumas profissões.