segunda-feira, 6 de maio de 2013

Eduardo Campos e sua sentença de morte: A contestação no stf do Projeto de Lei 44701/2012

Ao contrário do que a mídia tradicional se ocupa em fazer, quando oferece "análises" deslocadas, e desconectadas, tratando eventos sistêmicos como incidentes ou as espetaculares crises, os blogs independentes primam por uma análise, na maioria das vezes mais cuidadosa, mais lenta e progressiva.

Não que tanto a mídia porcalista e seus colonistas, quanto os blogs não tenham seus interesses, e impregnem seus conceitos com um bocado daquilo que os experts chamam de wishful thinking.

Mas nunca é bom esquecer que na mídia corporativa há a ilusão de se venderem como "imparciais" ou "neutros", enquanto nos blogs (na maior parte destes) as preferências estejam escancaradas.

Sendo assim, uma reflexão mais demorada sobre o Eduardo Campos, líder dos morenistas, e seus movimentos retiraria da mídia boa parte do apelo no ataque ao governo. E sabemos que hoje, nossa mídia porcalista se dedica com afinco a ser o que não é, e nunca poderão ser: um partido político.

A história recente do presidencialismo brasileiro, na conformação pós-aprovação da emenda constitucional da reeleição, deixa pouca margem de dúvidas sobre duas coisas: raramente o candidato governista a reeleição perde, e creio que em apenas uma destas oportunidades, a eleição presidencial se resolveu no primeiro turno, em 1998.

Um fato atípico, onde ffhhcc contou com todo o consenso possível (e impossível) da mídia e de amplos setores médios e das elites, preocupados na manutenção do modelo neoliberal rentista!

Nem Lula ganhou no primeiro turno, e provavelmente Dilma terá dificuldades para fazê-lo, mas todos os seus movimentos são neste sentido, inclusive com a frouxidão que dedica ao caso do Eduardo Campos.

Como se sabe, ele costura por dentro do aparato demotucano, e isto, para a presidenta é um achado.

De verdade, o ponto de inflexão neste jogo, a entrada mais dura do governo esteve nos bastidores, e a mídia pouco percebeu: O projeto de lei 4470/2012, que tolhe as asas das novas denominações partidárias, feitas sob encomenda para abrigar projetos que procuram diminuir o poder da coalisão governista.

Embora ambos os lados se acusem de casuísmo, trata-se do mais legítimo jogo de posições e movimentos, dentro do nosso arranjo democrático, e o governo, com a força que detém, usou-a para barrar esta tentativa esperta de Eduardo Campos.

Com a possibilidade de migrar tempo e recursos do fundo partidário junto com mandatários aos novos partidos, Eduardo Campos encaminharia a criação de um novo partido, uma espécie de PMDB com candidato, não para agora, mas para 2018.

Foi no seu gesto maluco de convocar o STF a intervir em processo legislativo, que reside a assinatura e todas as digitais de seu plano estratégico.

Seu ato não tem precedentes, ou pior, tem precedentes horríveis e abre outros, e dá a dimensão de sua "pressa".

Não é lançando-se como pré-candidato, embora continue a esperar ser expulso da base aliada(outra manobra de esperteza) que Eduardo Campos incomodou o planalto, foi com este aceno a juristocracia do stf em momento tão delicado.

E pelo pouco que conhecemos Dilma e sua tolerância com estes movimentos, acho que E.Campos, assim como garotinho em 1998, selou seu destino político de viver e morrer como liderança regional. 

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