sexta-feira, 17 de maio de 2013

Campos dos Goytacazes: Uma planície desgovernada!

Esta semana recebemos pelo e-mail a sugestão do leitor para que o blog falasse sobre a desordem que se instalou no trecho Campos/Farol, leiam:

"(...)Sou de SP e estou ha três meses trabalhando na região e uso com frequência a rodovia que liga Campos dos Goytacazes a Farol de São Tomé (RJ-216) além de estradas vicinais.

Nunca vi lugar tão abandonado pelas autoridades. 

A rodovia é um lixo. 

A sinalização está apagada ou inexistente.

Ha muitas lombadas sem qualquer tipo de sinalização e deterioradas.

A estrada cruza povoados onde centenas de bicicletas cruzam a estrada sem qualquer segurança. Já presenciei diversos atropelamentos de ciclistas.

Como não há qualquer tipo de fiscalização, veículos sem placas, enferrujados, sem lanternas, faróis quebrados, motos com faróis azuis que ofuscam quem vem em sentido contrario. Motociclistas sem capacete e carregando crianças ou com excesso de pessoas.

Uma verdadeira terra de ninguém.

Nas estradas vicinais há muito veiculo sem qualquer condição de circulação. Há bugs adaptados que mais parecem um esqueleto com motor. Sem placas e circulando em alta velocidade.

Veículos roubados e furtados circulam livremente. Nas praias ao redor do farol há muita carcaça queimada e abandonada de veículos novos produto de ilícito.

Na cidade de Campos o descaso com o transito também é demais. Fecham cruzamentos, não usam cinto de segurança, param em qualquer lugar. 

Viajo pelo Brasil e acho o campista o pior motorista que já vi. 

Na hora do rush a quantidade de bicicletas que aparecem de todos os lados no meio do transito caótico é uma loucura. Um estresse total.

Vejo a região de Campos e SJB uma verdadeira "PLANÍCIE LAMACENTA"!!

(...)"


Dando o desconto óbvio do olhar "estrangeiro" sobre nossos defeitos, que tende, é claro, a exageros, o texto do leitor merece uma análise que busque fugir as conclusões óbvias.

De fato, todas as cidades, com raras exceções, crescem de forma desordenada, aos tropeções, com um quê de antropofagia urbana bulímica, onde devoramos gestos, costumes e lugares para vomitarmos novas formas de ocupação, que quase sempre desrespeitam lógicas seculares que mantinham o espaço em certa harmonia.

Em outras palavras: Não foi só a Baixada da Égua que explodiu, mas sim toda a cidade, em um monumento  diário a desordem.

E esta explosão, como dissemos, não é exclusividade dos campistas.

Como sabemos, temos uma peculiaridade nada desprezível, que foi o processo de transferência bilionária de recursos durante os últimos anos.

Mas o quê deu errado? Quem errou? Só os governantes? Penso que não!

Uma parcela dos erros pode ser resumida em uma frase: 

É verdade que nossos representantes abandonaram a tarefa de dirigir as escolhas políticas da cidade, ou abriram mão dos mandatos que nós lhe outorgamos. 
E fizeram isto para impor uma agenda que não coincidia com as demandas estratégicas da população no que tange a distribuição, ordenação e fiscalização espacial da cidade e de tudo que há nela.

Aí reside o paradoxo de termos diversas intervenções urbanas públicas (obras, serviços, etc), financiadas com recursos públicos, mas que ao invés de privilegiarem o interesse público, acabam por sedimentar o individualismo das soluções privadas no trato com a municipalidade.

Temos uma grande presença da prefeitura, mas não temos uma presença do poder PÚBLICO, porque este se transformou apenas em gerente de expectativas de grupos particulares, sejam empresas, sejam pessoas.

Esta dimensão levada a cabo nas relações cotidianas de cada um, que miram os exemplos que enxergam acima, acaba por atomizar e fragmentar qualquer possibilidade de convivência social, dando lugar a uma luta fratricida, seja no trânsito egoísta, seja nas mesas dos bares nas calçadas, ou ainda no lixo nas ruas, ou nas obras irregulares (quer seja nos bairros mais pobres, quer seja nos endereços mais nobres), enfim, em toda gama de eventos que contribuem para transformar os entes de poder em distribuidores de favores, quando deveriam ser promotores de direitos, ou em apaziguadores/tratadores de conflitos, às vezes de natureza violenta, como mortes e lesões de trânsito, por exemplo.

Mas a outra parcela dos equívocos, que se repetem na planície, pode ser debitada na conta da sociedade. 
Se os líderes abriram mão de sua tarefa de liderar, nós abrimos mão de escolher líderes que o fizessem, isto é, nos anulamos.

Muitas serão as causas a serem determinadas em pesquisas apropriadas e aprofundadas, porém, em linhas gerais, a sociedade campista aceitou de bom grado a renúncia a fazer política, a discutir seus caminhos, organizar-se, debater.

Incorporou o discurso falso moralista vomitado pelas mídias que demonizava partidos e políticos, agradeceu a intromissão judicialista INDEVIDA nos problemas da democracia, cultuou atalhos personificados em heróis, justiceiros, ongs, observatórios, e toda sorte de usurpadores de pés de barro. Justiça seja feita, este não foi, também, um movimento localizado apenas aqui, mas que se deu, com algumas distinções, em todo Brasil.

O que nos diferencia é o momento favorabilíssimo que desperdiçamos.

A omissão popular permitiu e agravou aquele processo de fatiamento e estilhaçamento das relações sociais e políticas locais, e com isto, enfraqueceu qualquer chance de resistência aos que lucram com a desordem em todos os níveis.

Claro que esta constatação particular minha não me coloca na condição de um descrente em mudanças, ao contrário. 

No entanto, as opções que estão colocadas aí não oferecem nada, senão mais do mesmo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Até parece que ele mora na Suíça.Sou campista,acho que o campista como qualquer brasileiro,é um péssimo motorista,como o baiano,o paulista, carioca...Acho sim,que os bilhões que entram nos cofres poderiam proporcionar melhorias significativas para nossa cidade.Fora isso,Campos é a imagem do Brasil.Nem mais nem menos.

douglas da mata disse...

Por isto a ressalva que fiz no texto.

Mas veja, meu caro, a observação dele é em grande parte motivada pelo que você (e o texto) também constatam:

Campos tem (teria) bilhões de motivos para não repetir erros alheios.