sexta-feira, 3 de maio de 2013

Pelé e Garrincha, bola dividida.

Eu não sabia, e aprendi com o jornalismo esportivo da Band, que transmitia ao vivo seu programa diário desde as instalações do circuito de rua de SP, que receberá a Fórmula Indy.

Foi Garrincha, só poderia ser ele, o anjo das pernas e dos caminhos tortos, que inventou o fair play. 

O fato está registrado pelo Ruy Castro na biografia do craque, A Estrela Solitária, e se deu em um jogo entre o Botafogo e Fluminense, justamente o ancião clássico que se repetirá para a final da Taça Rio. 

Ao ver o adversário caído, machucado, Garrincha ao invés de prosseguir com a bola, jogou-a a lateral até que o adversário se recuperasse.

Ato contínuo, Altair, jogador do Flu que reporia a pelota dentro das quatro linhas, atirou-a em direção aos jogadores do Botafogo, repondo-lhes a posse da bola que cederam antes.

Pois é, imediatamente me veio a cabeça o papel da mídia, naquela época nem próximo da amplitude, velocidade e repercussão de hoje, mas que desde então já condenava os craques por suas escolhas, impondo figurinos morais que invadiam a privacidade do jogador, sob o argumento chantagista de que pessoas públicas devem ser devassadas, e assim, não podem escapar a inquisição do senso comum... e hipócrita.

Assim, fabricaram-se bons moços nem tão bons assim, mas que sempre se enquadraram nos modelos vantajosos aos incipientes negócios que começavam a surgir, mas principalmente a construção ideológica pela classe dominante sobre o comportamento das massas: faça o que nós dizemos, mas não façam o que nós fazemos.

Impossível não comparar com Pelé. Este mesmo, dentre tantas outras jactações de si mesmo, gostava de contar que no jogo Brasil, 3, Uruguai, 1, em 1970, deu uma cotovelada "sonora" no marcador uruguaio, que de acordo com ele, provocara e descera-lhe a botina em todo jogo.

Sutil, ao contrário do outro bom moço Leonardo, em 1994, Pelé fez e ninguém viu, e gaba-se disto. A imagem do jogo não deixa dúvidas.

Mas Pelé era Pelé, não largou família para viver o que acreditava com uma cantora, não bebia (ao menos em público), cumpria compromissos, rendia horrores a publicidade, e até servia de esteio para Paulo Maluf em plena ditadura presentear (com dinheiro público) os jogadores com fuscas.

Disse, ao cobrar o famoso penalty do gol mil, abraçado a bola: "ajudem as criancinhas"! Mais cretino, impossível.

Enquanto na miséria, Garrincha não renegou nenhum de seus descendentes, Pelé renegou e negou-se a reconhecer a filha, ato que apenas se deu por força de decisão judicial.

É certo que a maioria ache que Pelé foi o maior jogador da História. Pode ser. Mas nem de longe foi o maior jogador-homem, como Garrincha.

Questão de caráter.

Descanse em paz, Pelé, porque Garrincha não morre nunca!

4 comentários:

Anônimo disse...

Temos também o hermano Maradona, que diferente de Pelé, que veste o terno do Santander, vai para as ruas lutar por justiça social!

douglas da mata disse...

Pois é, há tantos outros:

Paul Gascoin, Éric Cantona, Paulo César Caju, Afonsinho, Mário Sérgio etc.

Anônimo disse...

Sinto falta hoje de um jogador que seja consciente e instruído. Se eles soubessem a força que tem, poderiam contribuir muito na nossa sociedade.

Um jogador com atitudes políticas (não partidárias) e que pudesse fazer um contraponto à estes frios bonecos do mercado, como Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno.

douglas da mata disse...

Caro comentarista.

Instrução não tem nada a ver com cultura política ou bom senso.

Os setores mais retrógrados da política brasileira estão nas camadas mais "letradas", vide mervais, jaboures, e outros sacripantas do tipo.

Qual o problema de ter posição partidária?

Esta despartidarização da política que a leva a um baixíssimo nível.

Santo deus!