segunda-feira, 1 de abril de 2013

PT e PMDB ou, perdoa-me por me traíres.

O blog do Roberto Moraes nos ofereceu um texto do Hayle Gadelha, publicitário que já esteve em campanhas de alguns candidatos neste Estado.

É um observador privilegiado, mas não isento de suas paixões. O texto que Roberto direciona, através deste post aqui, é bom, mas não consegue esconder as preferências do publicitário para que a realidade assuma determinados contornos.

Ótimo que seja assim, porque as escolhas não esgotam as qualidades da análise, quando são boas de fato. Melhor que análises ruins com pretensa imparcialidade que pululam por aí.

Longe de ter a qualidade do Gadelha, vai aqui minha crítica às suas posições.

Gadelha, como amigo e publicitário que esteve com pezão em outras oportunidades, sobrevaloriza o papel do PMDB na aliança com o PT, e quase coloca Dilma como refém da secção fluminense da legenda, subordinando o sucesso de Dilma, quer seja em nível nacional, quer seja em nível regional a degola das pretensões petistas no Estado.

Eu diria ao Gadelha: Nem tanto ao céu, nem tanto a terra!

Ninguém despreza o peso e papel do governador cabral na aliança de 2010, e o que esta parceria, que se aviou com o instinto de Lula e cabral, trouxe ao Estado do Rio de Janeiro, ainda que possamos tecer todas as críticas necessárias.

No entanto, a reedição desta aliança, se acontecer, vai se dar em contexto totalmente distinto de 2010.

Dilma não é mais um "poste", sacado por Lula para inovar a cena política, mas dependente de costuras a palanques regionais a lhe dar o estofo necessário, e a capilaridade indispensável.

Talvez, nos dias de hoje, por tudo o que a parceria governo federal e estadual tem significado, é mais difícil ao governador explicar ao seu eleitorado porque não está ao lado da presidenta.

Neste sentido, ainda que separados PT e PMDB, a presidenta Dilma será vista, sob qualquer palanque, como uma aliada do Estado do Rio de Janeiro, que prescinde do aval dos líderes locais, e mais, está acima dos conflitos que os dividem.

Deste modo, o que o PMDB tem a cobrar não é muita coisa, senão o vínculo com Lula, mas lembremo-nos: Lula é Lula, Dilma é Dilma, e não há o conflito que a oposição espera, muito menos a subordinação que é especulada. Há estratégia!

Ambos sabem que o PMDB é credor, mas também é devedor de muita coisa.

E nesta estratégia, é bem possível que a conta seja ampliar a possibilidade de eleição de uma bancada maior na Câmara e no Senado. 

Um bom candidato a governador no primeiro turno é fundamental para tal empreitada.

Não está claro o papel de Eduardo Campos do PSB, mas tudo indica que funcione como barreira de contenção, ou seja, um aviso ao PMDB que há outros postulantes ao cargo de vice, onde o PSD também corre por fora.

A dinâmica da política tem imposto a Dilma, nestes tempos de definições sobre os planos estratégicos nacionais, que ela precisa ampliar sua base aliada mais próxima, diluindo o poder do PMDB.

Mordendo e assoprando. Comendo pelas beiradas.

Se cabral esticar muito a corda, talvez acabe descobrindo porque ela arrebenta do lado do mais fraco, sempre...

2 comentários:

Anônimo disse...

Sua análise é boa assim como a do Gadelha que li hoje mais cedo. Ambos não são isentos de paixões e tem as suas preferências por contornos cada qual a seu gosto.
Como você mesmo diz, melhor assim que o tal do "isento, imparcial".
Podemos ler ambos e formar um juízo de valor a partir de um certo "filtro".

douglas da mata disse...

Não tenhas dúvidas que minha análise está impregnada de minhas preferências atuais.

Imagino que o PT, como partido da presidenta no Estado não pode ser coadjuvante.

Mas isto não afasta outros argumentos que me provem que a aliança é necessária.

Inclusive para afastar aquilo que eu julgo ser um retrocesso, ou seja, a vitória do garotismo.

Mas hoje, eu acho que não seja indispensável a aliança, pelo menos não à qualquer custo, ou subordinada ao argumento de que a presidenta precisa mais dela que o PMDB.