segunda-feira, 8 de abril de 2013

Observando o observatório.

O texto aí embaixo: O observatório: dois pesos, duas medidas... trata de uma suposta contradição dos métodos e alvos do observatório do setor público.

Primeiro é bom deixar claro: 

Nosso intuito de publicar o comentário da leitora, supostamente rejeitado no blog do observatório foi revelar a impropriedade da existência de instâncias, quer seja na mídia, quer seja no "terceiro setor", que se coloquem acima dos conflitos que desejam mediar ou influenciar.

Não acreditamos neste vigilantismo que noticia estes vazamentos dos orçamentos públicos, a não ser que esta ação esteja vinculada a um projeto político definido, e não a um moralismo cretino e estéril.

O problema não é tolher os cidadãos de se organizarem para fiscalizar atos do poder público, ou cobrar que empresas de mídia não defendam os interesses dos grupos políticos os quais apoiam, não é nada disto.

O cerne da questão é desmontar o partidarismo vendido como imparcialidade (na mídia corporativa local e nacional), ou como no caso do observatório, da defesa de um interesse público que esteja acima da luta política, ou que prescinda dela.

Assim, pouco nos importa se Dom Américo leva um cachê bem mais polpudo que em Campos dos Goytacazes, ou se os arranjos para contratação não estão totalmente dentro das formalidades, aqui ou em SJB.

O problema é outro, e nasce bem antes: é a escolha em manter uma política cultural baseada apenas em calendários de shows, ou antes ainda, continuar a torrar dinheiro com ações supérfluas enquanto os royalties estão esfarelando.


E daí decorre outro problema, estes setores "vigilantes" atuam de forma seletiva, embora te digam que ajam de forma universalista.

Ou seja: cabe a sociedade, através dos entes com atribuição para tanto, inclusive os partidários e corporativos, como já repetimos, ad nauseam, questionar o modelo perdulário e patrimonialista, que transforma recursos públicos em fortunas pessoais, concentrando riqueza e poder político, disponibilizando a população mais carente muito menos que 2 bilhões de reais por ano poderiam.

Os canais institucionais reservam a cada um seu papel, e definem sua atuação e repercussão.

Estes grupos que se organizam em observatórios, e seus patrocinadores na mídia, não podem ir muito fundo nestes questionamentos, porque representam, por óbvio, uma parte da herança destes modelos.

Mas quando pretendem fazê-lo como partidos políticos, ou como outras instâncias coletivas ou de defesa de interesses difusos ou individuais homogêneos, falta-lhes o óbvio: legitimidade!

Ok, ok, ok, nada demais, concordo, mas por que esconder? Por que dizer a população que estão à frente de uma entidade destinada a observar algo quando não enxergam a si mesmos?

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