segunda-feira, 8 de abril de 2013

O observatório: dois pesos, duas medidas!

Não bastasse o fato de que os integrantes do observatório admitirem que seu processo de avaliação é seletivo, parece-nos claro que a seleção não é apenas por uma "questão operacional", como defendeu o advogado Cléber Tinoco, em recente debate que mantivemos sobre o tema.

Recebi pelo correio eletrônico e reproduzo, desde já deixando o espaço livre para o contraditório, caso seja de interesse do nobre advogado Cléber Tinoco, por quem nutro respeito e admiração.

Veja que se trata do mesmo caso, contratação artística com dispensa de licitação (inexigibilidade) para o mesmo artista de que os observadores trataram em seu début.

As observações estão por conta da comentarista:


"É Douglas, vc tinha razão. Esse observatório é uma farsa! Esta mesma foto que eu te encaminho eu também mandei para o José Paes Neto, ele nem publicou o que postei como comentário. Isso foi a dois dias publicado nos classificados da fmanha, bem dentro dos classificados, bem escondido,como sempre fazem. Essa empresa é a que leva a maioria das verbas destinadas aos músicos em SJB. Note que o show é do Dom Américo, a empresa é outra e apesar de ser mais de uma banda o valor é bem maior que o pago normalmente a esse cantor. Ou seja, é o mesmo caso anterior, só que o José nao quer postar e nem mandar ao MP , pois a fmanha é ligada a SJB, por conta das famosas verbas publicitarias e outras vantagens. Resumindo, esse observatório é uma farsa, é apenas pra fazer política com maquiagem de idoneidade."

28 comentários:

Cleber Tinoco disse...

Douglas,

Como sabemos, é impossível sindicar todos os atos da Administração Pública municipal. A seletividade tem razão nas limitações impostas a todos, inclusive a Polícia, o MP, o Tribunal de Contas etc.

Conforme o ponto de vista dos poucos críticos do Observatório, ora somos seletivos (porque deveríamos fiscalizar outros municípios ou outros órgãos estaduais e federais) e ora somos generalizantes (porque o papel do Observatório seria amplo demais ou teria o propósito de usurpar funções estatais).

Não procedem, portanto, as críticas ao Observatório.

douglas da mata disse...

É isto Cléber, seu comentário é a resposta, mas você se nega a dar o passo adiante.

Nem podem ser particularistas, como alguns entes, nem podem ser generalistas, como outros, daí a impossibilidade fática de existirem.

Obrigado por nos elucidar o problema.

douglas da mata disse...

Em tempo: polícias, MP, TCEs não são seletivos, não PODEM ser.

O que não impede que organizem suas ações de forma compartimentada: delegacias especializadas, promotorias específicas, inspetorias setorizadas e regionais do TCE.

Mas a atividade-fim é ampla, e nada impede que cada setor, ou departamento, aja e interaja com todos os outros, inclusive recebendo e encaminhando as notícias aos setores especializados.

O que está em discussão aqui não é a impossibilidade real de que nem a polícia, nem MP ou outro órgão de fiscalização terá de atingir todos os alvos, mas sua impossibilidade de rejeitar, voluntariamente, e escolher esta ou aquela notícia.

Justamente como o leitora denunciou! Além de rejeitar, sequer responderam porque o fizeram.

Daí a dúvida que paira sobre quem se diz acima de qualquer dúvida.

Um abraço.

douglas da mata disse...

Em tempo 2: que arrogância, hein meu caro.

Então quer dizer que a ausência de críticas (quantidade) legitima o observatório?

É, é mais ou menos isto que a grobo argumentava quando era criticada há 20 ou 30 anos.

Hitler dizia mais ou menos o mesmo.

Eu imaginei que você prezasse a qualidade e não a quantidade das críticas...e por isto estaria aqui debatendo, e lá no seu blog, mas...posso estar enganado.

Anônimo disse...

A seletividade do Observatório denunciada pela leitora, suponho, afinal nem o Cléber respondeu, seja por se tratar de um ato administrativo de outra prefeitura que não seja a de Campos, objeto do trabalho do Observatório.

Quanto a polícia, a seletividade é por uma questão cultural. Ela só prende o pobre, preto e favelado. A polícia só prende o traficante pé de chinelo, nunca o dono da droga.

Cleber Tinoco disse...

A impossibilidade fática é uma ameaça, pois o trabalho do Observatório é de dedicação pessoal e não remunerado, visando ao bem comum. Já a impossibilidade jurídica, esta inexiste, como pudemos demonstrar à exaustão.

A legitimidade do Observatório que me interessa, e interessa a Justiça, é a jurídica, as outras ficam para os teóricos desenvolverem em outras ciências.

douglas da mata disse...

Quanto a polícia o comentarista tem plena razão:

Só prende os de sempre, e esta "cultura" é antes uma escolha de TODA a sociedade, e não só dos agentes de segurança.

Este é o problema do observatório: restringe-se a Campos, e a determinados atos, enquanto outros, como as contas de propaganda junto à mídia, por exemplo, estão esquecidos.

Afinal, os royalties, o modelo de gestão não são regionais? Como enxergar problemas (e tão restritos) só em Campos?

"objeto do trabalho" do observatório é quase piada! Afinal, quem delegou, quem instituiu esta "missão"?

Cleber Tinoco disse...

Em tempo:

A polícia, o MP e o TCE não podem ser seletivos, não deveriam, mas são porque não são capazes de atender a demanda do serviço. Há quem duvide, como o comentarista aí em cima, que a seletividade tenha fundamento neste excesso de demanda, pois estaria pautada em critérios puramente discriminatórios.

Anônimo disse...

Justamente como o Cléber disse, "é impossível sindicar todos os atos da Administração Pública Municipal", nesse sentido, acredito eu, delimita-se através de estatuto, um objeto de trabalho, no caso, os atos da prefeitura de Campos.

Ninguém delegou ou instituiu a "missão", assim como todo mundo delegou e instituiu a "missão"... O Observatório é uma reunião de cidadãos interessados em debater os atos da prefeitura de Campos. A lei permite a organização da sociedade civil para este fim e isso não descarta as outras instâncias políticas, como câmara de vereadores, polícias e MP.

douglas da mata disse...

Cléber, acho que você anda com problemas cognitivos.

Os órgãos públicos não podem escolher o que atender, juridicamente e administrativamente falando.

Por certo, ele acaba por fazê-lo não só por uma questão de demanda, mas também por questões políticas.

Mas ainda aí, há um sistema de fiscalização e de responsabilização que permite a sociedade, anda que de forma precária, contornar a seletividade.

A capitulação do Cléber é decepcionante, como se houvesse algo que pudesse ser apenas de interesse da "Justiça" ou do mundo jurídico...santo deus.

Ao outro comentarista:

repito o trecho:

"(...)Ninguém delegou ou instituiu a "missão", assim como todo mundo delegou e instituiu a "missão"(...)"

Eu não saberia encaixar esta sentença em uma base teórica senão o "embromation".

O observatório se destina a observar quais atos? Quem define quais serão possíveis e quais será impossíveis de observar? Quem define a pauta? Quem indenizará os agentes públicos caso as notícias sejam falsas ou equivocadas?

Qual é a fonte de custeio do observatório? Quem auditará suas contas?

Qual será o argumento para rejeitar esta ou aquela proposição de observação?

E as contas de publicidade oficial dos últimos dez anos da PMCG com os jornais, TVs e rádios locais?

Senhores, são de fato e de direito, uma fraude.

Anônimo disse...

Douglas
Você estava bem mais lúcido quando comentou pela primeira vez para que serviria o observatório. Acorda, você está em Campos, RJ, Brasil.

Anônimo disse...

Detras de todo esse debate teórico, quase que masturbatório, eis aqui o que realmente aborrece Douglas: que o Observatorio tenha o apoio da Folha da Manhã.
Suas criticas ao jornal até são pertinentes, mas escondê-las sob um manto de argumentações acerca da legitimidade dos cidadãos controlar a gestão pública, porque recortada, me parece um pouquinho desonesto.

Cleber Tinoco disse...

Ah, entendi. A seletividade dos órgãos estatais (Polícia, MP, TCE etc.) também se faz por razões políticas. Agora só falta me dizer que esta política é conformadora do Direito, ou seja, que o critério político na hora de prender está de acordo com o Direito.

Só faltou dizer que o sistema de controle dessa discriminação também padece do mesmo mal, vale dizer, decide quem vai efetivamente punir ou não, apesar de sabermos que não deveria ser assim!

douglas da mata disse...

Não Cléber, você continua a não entender (ou fingir que não entende):

As escolhas politicas refletidas nos aparatos estatais não são desejáveis, mas acontecem.

Revelam, de um lado, que tais aparatos não são imunes ao filtro político.

Mas aí, novamente, temos o controle político, lato sensu, e o controle administrativo.

Por isto estes aparatos estão sob o regramento legal, inclusive penal, que veda e sentencia estas escolhas.

Por isto, seus gestores são submetidos ao voto!

É próprio do processo democrático, da noção de Estado de Direito, da luta de classes, etc.

Pretender elevar o observatório a esta categoria ou a estas instâncias é que é o problema, justamente porque ele não reúne, e nem pode reunir, as prerrogativas destes órgãos, mas quer apenas reivindicar suas contradições para justificar sua existência.

Sobre o Estado há o controle possível da sociedade, sobre o observatório, só o arbítrio dos observadores.

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Ao comentarista das 08:03.

Não me recordo ao certo o comentário a que você se refere, mas as referências geográficas ou conjunturas políticas, embora influenciem, não determinam minha avaliação sobre política, instituições e Direito.

O vigilantismo político, o protagonismo judicialista, enfim, estas formas de ataque à Democracia, muito caras a certa parcela(ainda bem que pequena) da sociedade, não podem ser justificativas para propor alternativas a população.

Talvez aí resida boa parte do sucesso e perenidade da dinastia local.

Os adversários são muiiiiito piores.


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Ao outro comentarista:

Quem acompanha este blog, e os debates, sabe que este tema nunca esteve escondido.

É tão óbvio que nem precisa ser citado!

Lá em 2008, 2009, quando estive no auditório do IFF, por ocasião de um mais um arremedo deste tipo, logo denunciei a impropriedade do patrocínio das organizações globo (o logotipo estava lá no banner) para iniciativas deste tipo.

Agora, nesta cidade, todo o tempo noticiei a impossibilidade de se debater controle quando os órgãos de mídia estão envolvidos, sendo eles os beneficiários do descontrole.

Quanto ao seu julgamento sobre minha honestidade intelectual, ou sobre masturbação teórica, tenho a lhe dizer: às vezes uma boa masturbação teórica é muito melhor que comentários e conceitos mal fodidos e mal pagos como o seu.

De todo modo, grato pela participação de todos, e fica a sensação de que o tanta oposição significa que os argumentos calam fundo!

Cleber Tinoco disse...

Douglas,

O seu raciocínio dá voltas e não fecha numa conclusão lógica. Está demonstrado que o aparato estatal padece da hipocrisia de que acusa o Observatório. O argumento de submissão à lei não resolve o impasse porque estamos todos submetidos à ela.

Não existe mediação de interesses, defende-se o interesse coletivo lato sensu porque somos condôminos desse interesse. Fazemos o que qualquer cidadão pode fazer, se não tem condições de fazê-lo é outra coisa. É aí que está boa parte de suas contradições: pode o cidadão fiscalizar solitariamente, mas associado com outros não! Sozinho ele pode defender o interesse coletivo lato sensu, associado não! Sozinho ele é legitimado, associado ele é uma fraude!

Cleber Tinoco disse...

Veja que incoerência nesta sua afirmação:

"Sobre o Estado há o controle possível da sociedade, sobre o observatório, só o arbítrio dos observadores."

O Estado é controlado pela sociedade, ao contrário do Observatório. Ora, se o Observatório é componente da sociedade, o controle externo evidentemente tem que ser do Estado. É simples assim: o Estado deve se submeter à fiscalização da sociedade e a sociedade à fiscalização do Estado. A diferença substancial que há entre o controle social e o controle estatal é que só o Estado tem o poder sancionatório.

Cleber Tinoco disse...

O homem está cercado de contradições Douglas. O Estado é feito de gente, portanto está cheio das contradições que você resolveu criticar. Daí que caiu num discurso vicioso que não se explica. Meu irmão, a lógica das ciências humanas não é exata, é a do razoável!

Abraço,

douglas da mata disse...

Cléber, Cléber, Cléber.

Vou tentar colocar as suas palavras, para ver se você enxerga:

"O seu raciocínio dá voltas e não fecha numa conclusão lógica. Está demonstrado que o aparato estatal padece da hipocrisia de que acusa o Observatório. O argumento de submissão à lei não resolve o impasse porque estamos todos submetidos à ela."

Resposta: Cléber, dou voltas tentando colocar você no eixo, mas está difícil.

O que você chama de hipocrisia, eu chamo de luta de classes e luta política pelo controle hegemônico do Estado.

Esta luta acontece de forma positiva (dentro das esferas jurídicas) sempre motivadas por pactos políticos e de processos legislativos(leis).

É para isto que existe o Estado, inclusive para conter estes conflitos, haja vista sua natureza.

O observatório não poderá, NUNCA, conformar esta luta, porque não detém os meios e os fins: logo, no caso do observatório, e do "terceiro setor" estas ações tangenciam a hipocrisia, porque querem mediar conflitos que julgam estar acima ou à parte deles, funcionando como um ente para-estatal, mas que também não é de sociedade civil, porque não tem laços de interesse determinados.

Querem um pedaço da função do Estado, e não podem politicamente se submeter as lutas referentes a este quinhão, e não possibilitam uma relação equiparada, porque não é possível determinar se a ação é jurídica (impossível) ou se é política(improvável).

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"Não existe mediação de interesses, defende-se o interesse coletivo lato sensu porque somos condôminos desse interesse. Fazemos o que qualquer cidadão pode fazer, se não tem condições de fazê-lo é outra coisa. É aí que está boa parte de suas contradições: pode o cidadão fiscalizar solitariamente, mas associado com outros não! Sozinho ele pode defender o interesse coletivo lato sensu, associado não! Sozinho ele é legitimado, associado ele é uma fraude!"

Resposta: a afirmação :não tem mediação de interesses, já tornaria desnecessária todo o debate, tão é sua carga simbólica!

Meu filho:

01- O cidadão comum PODE fazer, até certo ponto, pois em determinados casos ele têm que procurar os meios legítimos(de certa forma, o cidadão pode mais é noticiar os fatos). a ação popular é um instrumento que mais se aproxima da noção de fiscalização direta, mas veja, só pode ser proposta em alguns temas, e claro: submete-se ao Estado-juiz.

02- O Estado DEVE fazer, embora nem sempre o faça, mas é a sociedade que o fiscaliza, e dentro da dinâmica dos seus conflitos de classe e políticos, empurra o Estado para um lado, ou para o outro.

Logo, o Estado nunca será neutro, e o seu não-agir também é uma escolha política!

03- O observatório não PODE fazer, nem DEVE fazer. Não pode, porque não reúne legitimação específica (juridicamente) e nem a legitimação generalizante (política), porque quer se dizer neutro, embora aja politicamente!

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douglas da mata disse...

continuação:

Vamos ao outro comentário:

"Veja que incoerência nesta sua afirmação:

"Sobre o Estado há o controle possível da sociedade, sobre o observatório, só o arbítrio dos observadores."

O Estado é controlado pela sociedade, ao contrário do Observatório. Ora, se o Observatório é componente da sociedade, o controle externo evidentemente tem que ser do Estado. É simples assim: o Estado deve se submeter à fiscalização da sociedade e a sociedade à fiscalização do Estado. A diferença substancial que há entre o controle social e o controle estatal é que só o Estado tem o poder sancionatório."

Resposta: Meu filho, nem Adam Smith, pai do liberalismo, e nem outros tantos foram tão longe neste delírio naturalista.

Sim, o Estado submete-se a fiscalização da sociedade (e vice-versa), mas é ele, o próprio Estado que determina o resultado desta ação. Logo, dar a mesma dimensão ao controle social ao controle do Estado é quase uma loucura!

Os poderes são distintos, os efeitos e repercussões idem!

Por isto que o cidadão, ou as associações têm que se submeter a regras estatais para fazê-lo, e não o contrário.

Por isto que o que pode e o que não pode tem que estar previsto, inclusive com as consequências para o que extrapolar.

Neste sentido que a chamada fiscalização social por entes que não são, nem Estado, nem sociedade civil, porque se autodenominam "terceiro setor", é um contra-senso, embora, como outros vários contra-sensos, estejam a merecer acolhida nos nazi-tribunais de hoje, que celebram o vigilantismo como solução para o esvaziamento do Estado.

A ação do chamado observatório, sob o falso pretexto de fortalecer a ação do Estado-administração, agindo por seletividade não controlada e não delegada é um ataque a estrutura estatal e a autodeterminação da sociedade e suas ferramentas de luta política.

O observatório, é assim, um tutor da população e/ou um cafetão vigilante da administração.

E nesta cidade, de mãos dadas com a mídia corporativa, poderíamos dizer, observatório de coleira!

douglas da mata disse...

Cléber, seu último comentário só caiu depois das duas respostas, mas não lhe retira o sentido:

"O homem está cercado de contradições Douglas. O Estado é feito de gente, portanto está cheio das contradições que você resolveu criticar. Daí que caiu num discurso vicioso que não se explica. Meu irmão, a lógica das ciências humanas não é exata, é a do razoável!

Abraço,"

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Resposta: Pronto Cléber, mais uma vez, você confirma o que eu disse:

O espaço para o exercício e consumação destas contradições e seus conflitos não é uma instância como o observatório, meu caro!

Mais uma vez você resolveu a charada por nós!

Obrigado!

O discurso é SEMPRE um círculo, meu filho! Ou melhor, sempre em espiral, pois ele não se repete (volta ao mesmo ponto), mais é possível enxergar a volta anterior de uma referência mais ampla!

O observatório, nos moldes defendidos e consagrados por você (e seus "companheiros") é que tenta dar uma lógica cartesiana ao fenômeno humano!

Agora eu creio que já chega, não? Para quem viu tantos vícios de "origem" na minha opinião, até que você gastou muita vela "com defunto ruim".

Faça o seguinte: continue a fazer papel que você acha conveniente, e eu fico daqui, fazendo o meu.

Só uma última questão, que acabou soterrada pela nossa profusão interlocutória:

Me responda, como é que o blog do observatório, para onde a leitora enviou o questionamento, deveria, institucionalmente, responder?

Deveria remeter aos órgãos de fiscalização?

Ou fazer como (não)fez, e fingir de morto?

Cleber Tinoco disse...

Douglas,


Seu grande equívoco foi querer debater a luta de classes desprezando conteúdos intangíveis de direitos fundamentais, como o é de fiscalizar o Poder Público, sobre os quais existe consenso. Há regras e princípios jurídicos que admitem interpretações num ou noutro sentido, mas há um mínimo intangível que não pode deixar de ser observado, sob pena de negar vigência a própria norma.

Na defesa de seus ideais nesta luta de classes pecou ao escolher fundamentos incapazes de estruturar premissas consistentes (seletividade, hipocrisia, autoritarismo, usurpação de função etc.).

A legitimidade jurídica, desde que estabelecida sem margem de dúvida pela norma, me parece não admitir a contraposição de ilegitimidade política. Ao menos esta crítica não é adequada no momento de se aplicar a norma, conquanto fosse possível na sua gênese.

Estou a falar da necessidade respeitarmos o mínimo intangível e indiscutível desses direitos, que não podem deixar de ser observados, sob pena de se negarmos vigência a própria norma.







douglas da mata disse...

Vamos lá:

"Seu grande equívoco foi querer debater a luta de classes desprezando conteúdos intangíveis de direitos fundamentais,(...)"

Resposta: Não há direitos fundamentais intangíveis! Sequer conteúdos intangíveis! O que não nos impede de buscar esta intangibilidade, mas esta busca também é resultado de escolhas políticas e lutas entre classes!

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"(...)como o é de fiscalizar o Poder Público, sobre os quais existe consenso.(...)"

Resposta: Sua ingenuidade (ou coisa pior) é tentar fazer-nos crer que o consenso sobre princípio implica em um consenso sobre sua implementação! Que isto Cléber, você pode fazer bem melhor que isto, caro amigo!

...................................

"(...) Há regras e princípios jurídicos que admitem interpretações num ou noutro sentido, mas há um mínimo intangível que não pode deixar de ser observado, sob pena de negar vigência a própria norma."

Resposta: Novamente você esquece que antes da norma vem o fato e sua valoração, e esta ação nunca estará "à salvo" das escolhas humanas e seu teor político e tangibilidade!
Nem a defesa da vida, como princípio constitucional está imune a alguma relativização, caro jurisconsulto! Muito menos sistemas constitucionais e seus princípios, que não raro são confrontados, sem que saiamos da esfera da juridicidade!

Continua:

douglas da mata disse...

continuação:


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"(...)Na defesa de seus ideais nesta luta de classes pecou ao escolher fundamentos incapazes de estruturar premissas consistentes (seletividade, hipocrisia, autoritarismo, usurpação de função etc.)."

Resposta: Estas escolhas semântica serviram, e servem para colocar você no mundo real, meu filho. Ou você ainda crê que o mundo jurídico seja um ambiente asséptico? Acho que você já superou esta fase.
Não se assuste com a rudeza dos termos, eles só dizem, como mencionei, o quê de contradição dialética que carregamos, e que você é incapaz de enxergar quando defende um organismo que pretende se situar acima dela(da contradição).

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"(...)A legitimidade jurídica, desde que estabelecida sem margem de dúvida pela norma, me parece não admitir a contraposição de ilegitimidade política.(...)"

Resposta: Santo deus, então por que elegemos deputados e presidentes, governadores e vereadores. Se já temos um consenso e nenhuma dúvida sobre determinado estágio do estado de direito, onde precisaremos de todo este troço caro e complicado chamado de democracia!
Cléber, cada vez mais me assusto mais com você.

Nem me preocupa mais o que achas do observatório, pois creio que esta porcaria já deu o debate que poderia.

Minha preocupação é com sua confusão mental e ideológica...

O que defendes é a base teórica jurídica do nazismo!

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"(...)Ao menos esta crítica não é adequada no momento de se aplicar a norma, conquanto fosse possível na sua gênese.

Estou a falar da necessidade respeitarmos o mínimo intangível e indiscutível desses direitos, que não podem deixar de ser observados, sob pena de se negarmos vigência a própria norma."

Resposta: Boa tentativa. Já te provei, por A + B que TUDO, desde o ato legislativo, até a aplicação da norma, e quiçá, sua fiscalização, são atos políticos do Estado, que cobram da norma, à todo momento, sua legitimidade jurídico-política. São questionáveis SEMPRE. Cada minuto, sem que isto signifique insegurança política ou jurídica, desde que dentro dos processos institucionais previamente organizados.

Não é o caso do observatório, uma aberração chamada de "terceiro setor"!

O que confere legitimidade à norma não é sua possível parcialidade, e muito menos a parcialidade da sentença de um juiz, que por óbvio, ao dizer o direito, toma partido.

O que confere legitimidade à norma é a capacidade dos agentes sociais do Estado e da sociedade de usar o mesmo peso e a mesma medida em casos semelhantes, adequando cada esfera de funcionamento do Estado a as organizações da sociedade civil às suas atribuições, tanto jurídicas, quanto políticas, já que é possível dissociar estas duas naturezas de cada ato!

Por outro lado, questionar esta legitimidade, à qualquer tempo, não a retirará.


Ainda espero a resposta sobre qual deveria ser o comportamento do observatório no caso apresentado aqui no blog.

As perguntas estão aí em cima, aparentemente, ignoradas por você...talvez não as tenha achado relevante.

Cleber Tinoco disse...

O direito a vida é relativo, não é absoluto. Concordo. Mas isso corrobora exatamente o que disse anteriormente, há um mínimo intangível que deve ser observado, sob pena de desnaturar o próprio direito.

E a regra constitucional que veda a tortura, poderia ser ela relativizada?

Quanto a sua pergunta, o Observatório não está obrigado a dar nenhuma resposta. Ninguém é obrigado a fazer ou a deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

E você, enquanto inspetor da polícia, o que fará com a denúncia?

Cleber Tinoco disse...

Com o discurso político voluntarista (autoritário) - pode-se tudo, desde que tenhamos acordo - e falando de nazismo, você dá indícios da fonte de toda sua inspiração.

douglas da mata disse...

Todos os sistemas constitucionais consideram esta possibilidade de relativizar tudo, ainda que dentro de um espectro de consenso absoluto sobre o caso:

Um terrorista, que sabe o local e a combinação para desativar um artefato atômico ou biológico, pode ser torturado para salvar a vida de milhões?

Este conflito reside boa parte dos nossos problemas, ou seja: fins e meios!

Mas os sistemas constitucionais agirão de forma distinta frente a eles: Os EEUU, por exemplo, admitem e regulam este poder de exceção, e depois cobram a todos os agentes pelos excessos!

Nós preferimos fingir que não existe este conflito, e seguimos torturando até para elucidar o roubo da galinha do vizinho.

Sua resposta sobre as perguntas da leitora são sintomáticas! E novamente, nos revelam a impossibilidade da existência deste troço que chamam de observatório!

Quanto a mim, poderia dizer que vou encaminhar a notícia a delegada titular da 145ª DP (o que de fato farei), mas como sei que este blog é lido com certa atenção pelos integrantes do MP, creio que minha notícia chegará atrasada.


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Meu filho, quem passou dias defendendo o voluntarismo, e o triunfo desta vontade sobre as instituições da sociedade, ora em nome de um direito natural, ora em nome de uma tal de democracia direta, foi você...

Aliás, a julgar pelas suas companhias e patrocínios no observatório (de coleira), é só vestir a suástica e sair marchando pelas ruas...Tradição, Família e Propriedade, nossa terra é pródiga nestes movimentos, quem sabem você consegue disputar alguns votos nesta seara ultra-conservadora?

Será o tea party em debate?

Maria lamonica disse...

Ótimo! Os dois são mt bons de conversa! Agora a pergunta que nao cala: e aí? O que o observatório ira fazer? Estão falando falando e nao dizendo nada. Quero foco! E agora, diante do que foi apresentado o que será feito? Ora, esse novo fato só corrobora os argumentos do observatório,no fato é o mesmo sendo até mesmo mais incisivo, pelos valores e pela nova empresa, agora sao três. Eu imaginei que o observatório iria receber de bom grado a denuncia. Mas parece que soou como ofensa, "só vale em campos". Cá pra nós, um assunto que só beneficiaria o que o observatório estava acusando e agora fica o observatório se defendendo com essas teses para querer dizes que nao tem nada com isso. Gente, é até o mesmo cantor, essa denuncia só tornaria mais cristalino o que o observatório queria dizer como irregularidade, mas parece que a intenção era mesmo prejudicar o governo e nao se ater ao fato tido como ilícito, e depois o observatório nem comenta o fato e pior se omite e nem libera o comentário. "lá é são joao da barra. Lá naaaoooo podeeeee..."

douglas da mata disse...

Maria,

Se não te agradas o estilo e o formato dos debates, simples: não compareça por aqui!

Bons modos são tão importantes quanto o foco!

Suas considerações trazem, per si, a impossibilidade fática da existência do "ente" observador.

Quanto as problemas apresentados, dirija suas perguntas ao blog do observatório, pois não respondemos por eles, muito ao contrário, queremos que eles se explodam!