sábado, 27 de abril de 2013

Laboratórios Aché: Um achado!

Nada como uma boa isca para atrair um otário, e esconder os verdadeiros propósitos de uma política de mercado que mescla suborno da medicina e controle das prescrições médicas!

Quem vai a médicos subordinados a este laboratório tem uma "grata" surpresa!

Junto com a receita de um medicamento Aché, geralmente caro e sem genérico, vem a "dica", com a sedução da caixa de AMOSTRA GRÁTIS:

Ligue para este 0800 777 8432, cadastre-se e depois, vá a uma farmácia e adquira o medicamento com desconto!

O nome pomposo do "programa":  Cuidados pela Vida

Uau, quem não quer?

Pois é, mas este esquema esconde um verdadeiro ataque a liberdade terapêutica do médico, mistura mercado e vendas com interesse do paciente, e enfim, submete tudo à grana!

Com o cadastro, o laboratório Aché vai saber quantas "receitas" foram aviadas com seus produtos e podem assim, controlar o montante do suborno que pagarão aos médicos para continuar a receitar. Dão desconto para evitar o desperdício de pagar a médicos "rebeldes".

E você, com o desconto, fica feliz e não reclama, nem questiona!

Uma caixa de certo medicamento tem tabela de R$ 100,47 no Rio de Janeiro. Com o "desconto" vem para R$ R$ 65,31, e tais informações vem na caixa da "AMOSTRA GRÁTIS", onde você lê os dizeres:

"PARA CADASTRAR BASTA QUE SEU PACIENTE ENTRE EM CONTATO: CENTRAL DE ATENDIMENTO FARMAPROD 08007778432" ou www.cuidadospelavida.com.br

Um achado a Aché, não acham?

Mas engraçado mesmo é o silêncio da mídia e dos órgãos de fiscalização sobre tais práticas! Será que eles não acham porque não procuram?

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu acho que não! Nem precisa procurar muito.
O achado da gigante farmacêutica serve também para monitorar sobre quais médicos os famosos "representantes" devem intensificar sua catequese. Se o doutor receita pouco: mais visitas, mais perguntas, mais convencimento, amostras grátis etc. O sistema é requintado e permite até um monitoramento georreferenciado. Cruzando os dados de farmácias, médicos, representantes, volume de vendas, pacientes e produtos, tem-se a "mancha" farmacêutica. Pode-se, por exemplo, puxar a orelha do representante que não está conseguindo resultados.
E o convencimento do doutor é na base da GRANA mesmo. Pagam o C.R.M., festas, prêmios, viagens a congressos impregnados por sua influência doutrinária, hotéis, material para consultório e toda sorte de babilaques. Como os espelhos dados aos índios.
Eu não sei, mas acho que isso não tem remédio...