sexta-feira, 5 de abril de 2013

José Mujica: errar é humano, permanecer no erro é burrice, não se desculpar é fascismo!

Não há ninguém que, julgando-se à salvo dos ouvidos indiscretos, protegido pela privacidade, não tenha disparado, uma vez ou outra, impropérios, preconceitos ou qualquer outro tipo de comentário inapropriado sobre alguém, ou sobre algum fato.

Rubens Ricúpero e Alexandre Monforte que o digam.

Mas o episódio que envolve o presidente uruguaio, José Mujica e a vizinha argentina, Cristina Kirchner, como sempre é tratado de forma superficial pela mídia, e no caso da diplomacia dos dois países, a emenda tende a ser pior que o soneto.

Tratar uma indiscrição como incidente diplomático é uma idiotice. Incidente, de fato, é ratificar o que disse, ou pior, não se retratar pelo que disse!

Como resolver a questão? Dizer que não disse o que disse, como teria dito o presidente uruguaio ao jornal La Republica, ao afirmar que não falava da Argentina? Dizer que foi um "mal entendido"?

Não dá. 

Nestes casos, ou se faz um longo ato de auto-flagelação, pedindo desculpas pelas impensadas palavras, ou se fica quieto.

O incidente diplomático não foram, portanto, as ofensas, mas a incapacidade de se desculpar por elas, de admitir o erro, de voltar atrás.

Mujica é depositário de um certo quê de mitificação, pela sua postura de "doar" seu salário aos pobres, de cultuar hábitos anti-palacianos, de andar de Fusca, etc.

Os argentinos poderiam brincar e dizer que na verdade, ele dirige um país-fusca, e não dá para ostentar muita pompa mesmo ao presidir um país que divide sua história entre ser um cassino e/ou um lavanderia de dinheiro.

Mas seria como dar um coice no burro.

Seu rasgo autoritário (de não reconhecer os próprios erros) é (mais) um sinal de alerta para que evitemos este discurso de endeusamento de figuras que tendem a se apresentar acima das "questões terrenas", "da política e dos seus hábitos", etc.

A biografia de Mujica lhe dá enorme crédito, mas sua opção de vida é só isto: uma opção de vida. Não lhe confere nem mais, nem menos autoridade política, nem pessoal, para achar-se imune de errar, e quando erra, de se desculpar pelas cagadas que fez.

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