sábado, 9 de março de 2013

Royalties, garotismo, Muda Campos, e fracasso: eleitor não é vítima, eleitor é cúmplice!

A disputa política produz os mais variados discursos adaptados as mais variadas demandas.

Com o ocaso do movimento político chamado Muda Campos, e do ciclo do ouro negro, tenho observado um tom direcionado de determinados setores.

Claro, para aproveitar o momento desfavorável vale à pena imputar ao grupo da lapa a maior parte da responsabilidade sobre o caos que se aproxima, afinal, foram eles os maiores privilegiados e beneficários do poder durante estes 24 anos.

Este exagero conceitual no campo político-partidário é normal, e até inevitável.

O problema é ler e ouvir alguns setores que até bem pouco tempo regozijavam-se do mesmo modelo, "cuspindo no prato que comeram", ou "jogando pedra na cruz".

Estes setores, como os chamados partidos de oposição, alguns cretinos da mídia, e outros integrantes expulsos do ninho garotista, não apresentaram, ao longo destes 24 anos, nada mais que cópias dementes do modelo que já existia.
Neste sentido, a população prefere um modelo original ruim a uma cópia pior!

Como também não é correto colocar como causa exclusiva da perenidade deste modelo por 24 anos como sintoma de um assistencialismo, ou como querem alguns, fisiologismo.

Esta é sempre uma perigosa e elitista maneira de enxergar o problema de representatividade, dos modelos democráticos e enfim, do valor e conteúdo das escolhas da população mais pobres.

Já dissemos isto aqui outras vezes: Não há muita diferença entre uma casa popular, um benefício de renda mínima, e um subsídio fiscal para um empresário, um empréstimo com juros amigos, enfim, as chamadas políticas de fomento.

Não do ponto de vista conceitual da "troca" de apoio por satisfação de alguma demanda, natureza primeira da ação política em busca de alguma noção de bem comum, ainda que sempre filtrada pelo viés de classe ou de grupo.

Faz diferença em relação à justiça social, onde retirar pessoas da indigência e das condições degradantes é muito mais relevante do que entubar e concentrar dinheiro nas mãos de quem já tem muito, apenas sob o precário argumento da geração de alguns empregos. 

Pelo menos, faz diferença sob o ponto de vista deste blogueiro.

Sendo assim, o "fisiologismo" que sustentou o garotismo não é uma exclusividade dos pobres, mas como diz o amigo e cientista social Roberto Torres, um fenômeno transclassista, que contaminou toda a vida sócio-política-econômica da cidade, aniquilando ou desequilibrando a relação das forças em disputa.

É o "fisiologismo" dos jornais e TVs, cevados pela propaganda oficial e outros esquemas, como o direcionamento da propaganda dos empreiteiros e empresários beneficiados nas licitações, como forma de retornar o dinheiro como subsídios de campanhas eleitorais, ora como caixa dois de "anúncios" superfaturados, mas fora do alcance da fiscalização, por se tratar de negócio privado, ou como recompensa indireta do governo pelo apoio da mídia com a imposição de que estes entes privados "anunciem" em determinados veículos "amigos", usando a verba que "sobrou" do superfaturmamento das licitações.

É o "fisiologismo" de igrejas, Ongs, e outros entes do terceiro setor, que não hesitam em se curvar ao império do orçamento público, abrindo mão de princípios e outras censuras ao trato escuso, apenas por imaginarem que estão a praticar pequenos males para consagrar um bem maior!

É o "fisiologismo" das empresas e empresários, pendurados em incentivos, renúncias fiscais, etc, e toda sorte de favorecimento às suas atividades econômicas, que vão desde o oferecimento das facilidades urbanas, até o acesso "heterodoxo" aos trâmites da burocracia.

Enfim, o fracasso do modelo que se esvai hoje, é o NOSSO fracasso, inclusive das forças políticas e acadêmicas que enxergaram desde sempre tais distorções e foram incapazes de se mobilizar para proporem uma alternativa que superasse o mero moralismo denuncista, sempre um cacote de hipocrisia política.

E não tenham esperanças de que o fim do dinheiro, per si, trará um "novo tempo", se mantivermos os mesmos hábitos políticos, porque o fisiologismo que sugou e se esbaldou nas rendas do petróleo não deixará de existir, e ao contrário, tende a ficar amis voraz e tornar a situação mais grave com menos dinheiro disponível.

Nenhum comentário: