terça-feira, 26 de março de 2013

Planície lamacenta e alagada.

Ninguém, de bom senso, vai deixar de considerar as dificuldades de drenagem pluvial em uma cidade com nossas características topográficas.

Mas a verdade é: O que é a engenharia senão a ciência que nos permite encontrar soluções?

Pois bem, esta premissa não alcançou nossa cidade, por onde quer que se olhe. 

A ocupação desordenada, a falta de uma plano viário decente que ordene o uso e o peso sobre as vias, intervenções públicas mal feitas, como o piscinão que se formou na descida da ponte Leonel Brizola, dentre tantas outras formas de ação e omissão, revelam o total desamor a cidade, embora a propaganda grite o contrário.

Será que tanta propaganda pelo amor à cidade é uma tentativa dos nossos governantes de se convencerem disto, justamente porque não acreditam, eles mesmos, em tal sentimento?

Não sei...não é hora para psicologias de botequim.

O fato é que a cidade, ontem à noite, transformou-se em um mar de lixo, um pântano.

Sacos de lixos se espalharam, boiando nas ruas alagadas, e depois, por óbvio, foram esmagados pelos carros, que espalharam o seu conteúdo ao longo das vias.

Tudo isto, por óbvio, dificultou ainda mais o escoamento.

Nós estamos na cidade que tem uma das coletas de lixo mais caras do Brasil, tanto em números absolutos, cerca de 600 milhões em dez anos, o que dá 60 milhões por ano, e em termos proporcionais, pelo preço por tonelada coletada, descontadas outras variáveis que possam incidir, como quilometragem por tonelada coletada, ou outros serviços de limpeza, como poda de árvores, manutenção de vias.

Enquanto tudo isto não é cuidado sob aspectos estruturais, não caberia a quem controla(?)o trânsito na cidade, desviá-lo para caminhos não interditados pelo acúmulo pluvial, e poupar motoristas de manobras arriscadas, que tornam mais caótico o próprio caos?

Para que servem as câmeras de monitoramento? Para gerar contratos "generosos", e imagens gratuitas a empresas de mídia?

Ah, não, o pessoal da cidade gosta de brincar de "gestor de segurança pública", e esquece de fazer o feijão com arroz...resultado? Nem uma coisa, nem outra.

Enfim, fica a pergunta: a engenharia civil, a de tráfego, a ambiental e a meteorologia, etc, nos permitem planejar, antecipar, fazer planos de contingência/emergência, diminuir os impactos dos eventos imprevistos?

Sim ou não? caso a resposta seja positiva, cabe outra: por que não foi feito? faltou dinheiro?

Quem andasse pela cidade ontem teria a exata imagem do que ela é: uma cidade à deriva, soterrada em seus próprios dejetos!

Nenhum comentário: