sábado, 23 de março de 2013

Israel e a flotilha turca: antes NUNCA que tão tarde!

Israel, desde seu surgimento, em 1948, demonstrou ao mundo seu ânimo de atacar qualquer um que os israelenses julguem uma ameaça ao Estado da Estrela de Davi.

Isto não é um grande problema, ou melhor, não seria um grande problema, caso o nível de julgamento de ameaça por parte de Israel e seus falcões não estivesse sempre super-dimensionado, e sempre disposto a dar respostas muito mais dramáticas que as ameaças que diz enfrentar, algo como responder com um míssil Scud a um ataque de um menino palestino com um canivete.

Também não quer dizer que ameaças reais não existam, dada sua posição geopolítica.

Mas, como sempre, há mais por trás de Israel, que nossos olhos descuidados podemos enxergar.

Civilizações e culturas estão sempre em choque, e coube a cada civilização sua parcela de algoz e vítima na divisão histórica das eras da Humanidade, que significaram, de um jeito ou de outro, o lapso de tempo de domínio ou ameaça aos modos de cada cultura/civilização em conflito.

Antes os cristão ameaçaram , incorporaram e destroçaram Roma, depois os muçulmanos ameaçaram os cristãos pelo norte da África, e depois, coube aso judeus, não por acaso uma das três culturas monoteístas, o papel de vítima (do nazismo), de depois algoz de um modelo civilizatório (na Palestina).

Se na Alemanha de 39, os judeus foram o bode expiatório do choque de duas noções de mundo, embora ambas capitalistas, agora, no Oriente Médio, são os judeus-israelenses que estão no papel de cão de guarda do mundo ocidental.

Em 2010, uma das embarcações de uma flotilha turca, Mavi Marmara, assim como as demais, trazia a bordo militantes pró-palestinos e ajuda humanitária.

Foi interceptada por soldados israelenses no mar próximo a Faixa de Gaza, que está sob bloqueio israelense, porque é dominada pelo grupo Hamas.

Na época, o governo israelense levou a cabo, e ao pé-da-letra, a metáfora que citamos lá em cima: reagiu com comandos ultra-treinados para abordar e trucidar militantes embarcados, adolescentes, homens e mulheres, que portavam "ameaçadores" canivetes e chaves-de-fenda...saldo: 09 mortos...todos militantes, nenhum soldado israelense, como de costume.

Agora, na visita de Barak Obama, o governo de Tel Aviv pediu desculpas oficiais a Ankara pelo incidente, pois a embarcação era de bandeira turca e contava com apoio daquele governo.

03 anos depois.

A matéria completa você pode acessar no The Independent.

Ora, o que é pior do que um pedido de desculpas em uma situação esdrúxula destas? 

Um pedido atrasado (e forçado) de desculpas, que só revela que Israel não anda por si, e não existe por si.

O Estado judeu só existe para garantir ao mundo ocidental seu suprimento de hidrocarbonetos, enquanto durarem as reservas do Oriente Médio.

Não é pouca coisa, se considerarmos que a economia mundial vive de petróleo.

Ficou claro que foi o governo estadunidense que empurrou goela adentro de Benjamim Netanyahu o pedido de retratação.

Mas por que tão tarde?

Como dissemos, não interessa a ninguém um estado palestino, trazendo mais uma dor de cabeça a Washington, onde a estabilidade institucional israelense se estrutura no conflito, no esgarçamento até o limite com seus vizinhos.

Um Estado Palestino é outra fonte de tensão permanente. 

É verdade que tal tensão já existe, mas não pode ser comparada a um Estado, representado, institucionalizado, reconhecido, com soberania e os direitos (e deveres) a ela inerentes.

Com a queda repentina, porém já prevista, de outros regimes ditatoriais pró-ocidente (leia-se EEUU), como Egito, Iêmen, Tunísia, e até a Líbia(que vinha se enquadrando), o nível de volatilidade na região aumentou, e transportou até a África subsaariana as milícias anti-EEUU, como aconteceu no Mali, e na refinaria argelina.

Voltando a pergunta, e por que desculpas tão atrasadas?

Assim como Israel depende e vive pelos EEUU, os judeus mantêm seus esforços para influenciar a política interna dos EEUU, e tais gestos não são pequenos.

Logo, períodos de eleição e pré-eleição nos EEUU interditam o debate, e o bom senso da política externa estadunidense, que se curvam ao pragmatismo dos falcões judeus, desde a Flórida até Jerusalém.

Por isto tamanha demora dos EEUU em mexer as cordas com que mantêm Israel sob controle.

O enorme problema é que tais relações, baseadas em situações de ultimatos e emergências permanentes, tendem a banalizá-las, até que não se possa mais ter controle sobre elas.

Mais ou menos como assistimos no noticiário.

O Irã só está à salvo enquanto dois interesses (Israel e EEUU) estiverem em campos opostos. Se a soma da invasão for conveniente aos EEUU, o mundo periga "ficar para lá de Teerã".

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