segunda-feira, 25 de março de 2013

PEC das domésticas:Das senzalas ao quartinho de empregada ou como nos tornamos cordialmente violentos!

Não há como falar de forma macia e suave. 

São cretinos todos que se opõem a regulamentação dos direitos dos trabalhadores domésticos.

Sendo este trabalho estruturado como é, por maioria absoluta de mulheres, e negras, soa como piada de péssimo gosto os argumentos de que a regulamentação da profissão a extinguirá!

Mesmo assim, se for o caso, ÓTIMO, afinal, vai ser engraçado ver a sinhá lavando as próprias calcinhas ou nhonhô lavando os pratos, ou a iáiázinha preparando seu achocolatado, e arrumando suas bonecas.

Mas o fato não é este.

O fato é que nosso trabalho doméstico é um enclave racista e herança escravocrata, que se firma como chaga até entre as mais progressistas das mulheres, que paradoxalmente, reclamam a valorização da chamada "dona-de-casa", mas negam dignidade às semi-escravas que lhes auxiliam na árdua tarefa de cuidar da família e do "lar".

"Quem estas nigrinhas pensam que são, querendo direitos, e horário de trabalho, folga semanal, etc?"
Estas frases não saíram de filme de época, da boca de senhoras de engenho, mas podem ser ouvidas em cada salão de beleza, ou  nas praças de alimentação dos shopping centers nos finais de semana.

A modernização das relações ameaça certas categorias? Azar.

Ora, então devemos girar a roda da História ao contrário, e acabarmos com a indústria automobilística, porque os cavalos não mais dão empregos aos ferreiros, cocheiros, seleiros, etc?

Se a modernização for o preço para que apenas uma pequena parcela de empregadas domésticas façam tal trabalho, e sob condições humanas, com salários compatíveis e todas as obrigações trabalhistas inerentes, que seja.

O que não pode é continuarmos sob a canalhice da falsa proteção de postos de trabalho, como nas lavouras desta região, onde a modernização das relações é sempre confrontada com a permanência dos postos de trabalho, em uma chantagem criminosa que resulta em mais e mais escravidão, fato comprovado pelos números do MTrab.

Em suma: empregado doméstico é para quem pode pagar!

E como nossa economia parece não dar sinais que voltaremos atrás, cada vez menos gente vai se sujeitar a tão humilhante tarefa.

Com certeza, há empregos para todas, e as taxas do IBGE revelam isto. O mundo não acabou para elas...mas para as patroas,..."ahhh...que disparate eu a tratava como alguém da família..."

Mas que tipo de familiar come na cozinha, dorme em um cubículo, só vai as festas com uma bandeja nas mãos, e lava toda a louça no final?

Recente matéria, na revista Carta Capital, mostrou que boa parte das empregadas preferem ganhar menos a se sujeitar as manias e trejeitos das atuais Casas Grandes.

Então, quem quer uma mucama, vai ter que pagar, e muito caro...


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