domingo, 10 de março de 2013

Arábia Saudita, EEUU, Cuba, yoani, millenium! Como a hipocrisia destroça a luta pelos direitos humanos!

Só os ingênuos, e outros tantos cretinos, imaginam que a luta por direitos humanos seja uma instância alheia aos filtros ideológicos.

E tais filtros mediam a noção de humanidade (e de direitos) quer seja no âmbito das sociedades, quer seja no âmbito dos países e as intrincadas relações geopolíticas e geo-econômicas.

Só isto explica uma blogueira(cubana), mostrada como arauto da liberdade, patrocinada por um país (EEUU) que mantém uma prisão medieval de presos políticos, dentro do país (Cuba) criticado por tratar mal seus opositores políticos.

Em suma: no cenário mundial atual, e desde sempre, houve, e há humanos e "humanos". 

Foram humanos os direitos dos judeus violados pelos alemães. Não são "humanos" os direitos dos palestinos, violados, irônica e tragicamente, pelos judeus-israelenses.

Há muitos outros exemplos!

Agora, o mundo, a ONU, e todos nós "não sabemos" o que se passa na Arábia Saudita. É a matéria que nos traz o El País.

Eu creio que, na verdade, não queremos saber. Ora, em um mundo googlolizado, bastaria colocar as palavras chave, Arábia Saudita, execuções, direitos humanos e poderemos ter um cardápio variado de violações.

Assim como fingimos nada saber do que se passa nas periferias das cidades brasileiras!

Agora são os Sete de Abha, como ficaram conhecidos os sete rapazes que serão executados em breve naquele país, condenados por roubo quando ainda eram menores.

Detalhe, a legislação internacional veda a aplicação de pena capital a delitos praticados por menores!

Detalhe sórdido, o líder do grupo, Sarhan Al Mashayek, será crucificado, enquanto aos outros será dado o tratamento tradicional - a degola com uma espada!

Não entrarei no mérito de debater o sistema penal da ditadura saudita, sim, ela é uma ditadura teocrática islâmica fundamentalista, que faz parecer o Irã um paraíso democrático, embora este último seja apresentado como inimigo público mundial nº 1. 
Ao menos discutirei os méritos da aplicação de penas capitais, isto é um outro e longo debate.

Mas cabe ressaltar que os ativistas dizem que o julgamento durou três horas, e não houve assistência de advogado!

O sonho dos nossos moralistas locais! Justiça rápida (e furiosa). 

Espanta muito mais, no entanto, a hipocrisia dos países chamados democráticos, e os institutos destes países, do tipo millenium, a mídia corporativa que se especializaram e denunciar violações (não menos graves) de direitos humanos em países-alvo criteriosamente selecionados.

Na Arábia Saudita, os ativistas e familiares conseguiram adiar a execução, e imaginam que a visita do secretário de Estado dos EEUU.  E segue incerto o desfecho do caso dos Sete de Abha.

Tão incerta como a questão dos direitos humanos ao redor do mundo, enquanto esta seguir instrumentalizada por aqueles que dizem lutar acima de quaisquer interesses de grupo ou ideológicos, mas que se movimentam motivados por estes...

No mundo dos nossos interesses, as violações de alguns direitos humanos seguem silenciosamente toleradas. 

Solenemente ignoradas.

Cuidadosamente escolhidas.

Pois sempre haverá humanos, e "humanos".





2 comentários:

Anônimo disse...

Acrescentando às lista de direitos humanos violados, leio, sem ter visto obviamente, que "o governo norte-coreano mantem encerrados em campos de concentração, sob o regime de trabalhos forçados, torturas e execuções sumárias, 200 mil "inimigos do povo" incluindo dezenas de milhares de crianças, muitas nascidas nesses campos."

douglas da mata disse...

Tal e qual a China, mas por que será que ninguém fala da China?

Comentarista, se o objetivo era provocar uma ideologização do debate, sob a (falsa)acusação de que "esqueço" violações em regimes chamados comunistas aí vai:

Fiote, eu não sou herdeiro, nem legatário político dos chamados regimes socialistas-reais, o meu partido, o PT, que foi, e é, uma resposta política latino-americana, em 1980, a este alinhamento aos antigos Partidos Comunistas.

Sou tão contra as violações na Coréia do Norte quanto você, mas não enxergo estatura moral em nenhum defensor do sistema capitalista, nas chamadas democracias ocidentais, para apontar erros em quem quer que seja.

O caso da Arábia Saudita foi um exemplo.

A China é outro. Há tantos outros mais.

Mas ainda assim, qualquer pessoa um pouco mais inteligente descobriria que o o capitalismo é hegemônico no mundo, e este mundo onde o capitalismo "venceu", os DH são tratados de forma seletiva.

Enquanto isto, como eu disse, milhares de seres humanos são tratados com menos humanos que outros.

É só pensar um pouquinho...não dói...quer dizer...quase sempre não dói, mas não conheço seu caso!