sexta-feira, 29 de março de 2013

A globo, o cristianismo e o nosso tea-party: sinais de fumaça na oca global tupinambá!

Não há nada de original na guinada da rede globo em direção aos evangélicos. 

Se é verdade que, à primeira vista, pareça pontuada por uma questão óbvia de mercado, esta ação é mais que um apelo desesperado para enfrentar outros canais de orientação religiosa que lhe comem a audiência como um mingau quente, pelas beiradas.

É um movimento que já teve seu auge de histeria nos EEUU, durante a idade recente das trevas, o governo bush jr, mas que ainda lançam pesadas sombras sobre o american way of life, e por tabela, em todos os países ocidentais que macaqueiam seus trejeitos culturais e políticos.

Este movimento pode ser resumido assim, dentro de minha lógica pobre e conceitualmente limitada:

- Industrialização e encarecimento dos processos democráticos, e no Brasil isto se deu com a hiperbolização dos "tribunais eleitorais" e suas regras que trancaram a Democracia em gabinetes e estúdios de TV, nos EEUU, o fenômeno foi via mercado, com a super exposição da ação política a mídia, tornando-a dependente desta, que resulta em uma relação de causa-e-efeito, onde não é mais possível saber que é motivo e quem é resultado(mídia e ação política), embora a primeira queira submeter a segunda, pautando-lhe as agendas de governança pública;
- Subordinação da política ao financiamento privado, em virtude do alto custo dos processos eleitorais, que sequestrou a política em torno da captação (lícita ou não) de recursos, que de quebra, encurrala a política ao julgamento hipócrita e moralista da mídia sobre seus desvios para buscar tais fonte de recursos, culminando na demonização da política e das escolhas populares, objetivando, ora derreter o capital político dos líderes populares, ora legitimando apenas as escolhas dos líderes que aceitem o seu figurino pré-determinado;
- Imposição de uma agenda judicial-criminal, moral, religiosa ou ambiental, como forma de diluir os conflitos de classe que se evidenciam com os governos progressistas, imobilizando e interditando o debate em torno destes temas que seriam supra ou apartidários, justamente para enquadrar a luta política nos estamentos onde ainda detêm alguma chance de sucesso, geralmente marginais aos processos eleitorais (considerados viciados ou impuros) exacerbando as contradições "morais" que são trans-classistas, mas que apenas são mostradas quando e sobre quem interessa. É daí que nasce, por exemplo, fraudes como observatórios, movimentos "cansei", anônymus, etc.
- E por fim, aquilo que chamamos de foxstinização da mídia(não por acaso, a FOX News é do capo-mídia Murdoch), o que por aqui, experimentamos como a  partidarização dos veículos de mídia.  

A chamada do globo repórter de hoje é um aviso, uma assinatura em um novo tratado político, consolidado como aparente e displicente acaso ecumênico, mas que nada tem de casual.

Impensável até bem pouco tempo atrás, em plena sexta-feira santa, data ápice do calendário dos que acreditam na fábula do carpinteiro bastardo, os cristãos, mas que tem mais apelo entre a facção romana, os católicos, a globo chama atenção para um programa dedicado a mostrar a união dos cristãos (católicos e evangélicos) em nome dos novos tempos.

De um lado, será mostrado, de acordo com a inserção durante o noticiário matinal, os exemplos "franciscanos", os movimentos da renovação carismáticas, os padres-celebridades, e de outro, o trabalho assistencial dos evangélicos nas periferias.

Pois bem, o que temos aqui é o que já se estruturou por lá nos EEUU: uma aliança conservadora, que vai da moderação ao radicalismo, dependendo do contexto e da audiência, mas que se destina a propagar, via religião e postulados "morais", uma agenda política de reação e (re)construção dos valores capitalistas liberais, tudo isto, como dissemos, mesclado a supressão e/ou ataque aos avanços conseguidos pela ampliação na noção do Estado-laico, da proteção às minorias, e outros direitos e garantias que não podem ser suprimidas em nome da falsa ideia de que a liberdade religiosa pode transformar dogmas de religião em leis que se apliquem contra todos os demais!

É a junção dos piores setores das denominações religiosas, em uma nova Cruzada para re-estabelecer a hegemonia cristã, onde ela está ameaçada(quase no mundo todo) e mantê-la e ampliá-l-a onde ainda persiste(nas paragens latino-americanas e africanas).

E como prova a História, quase sempre este ataque cristão vem à bordo da demolição à Democracia, embora digam querer lutar por ela. 

Quase sempre vem na esteira de guerras, violência e muita, mas muita intolerância!

Neste sentido, toda gritaria em torno do deputado racista e homofóbico (in)feliciano faz pouco sentido,  bem como faz pouco sentido debater se o papa era X9 da ditadura argentina ou não.

Eles são apenas as pontas-de-lanças de uma estrutura que está onde sempre esteve: religiões servem a dominação e submissão da Humanidade, condenam-nos à barbárie e às trevas sob o argumento da salvação.

É bom os ideólogos e intelectuais dos partidos e movimentos sociais entenderem o que se passa, para que possam desarmar esta bomba relógio...se é que é possível.


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