domingo, 31 de março de 2013

A escória internacional: O esgoto escorre de norte a sul no Novo Mundo!

Embora alguns cretinos da classe mé(r)dia brasileira, 99,9% dos editorialistas da mídia porcalista e outros setores da elite, gostem de nos imaginar um país desprovido de ódios raciais e de outras naturezas, como de gênero ou religiosos, sabemos que nossa violência letal tem alvo, ou seja, faixa etária, cor, classe e gênero, bem definidos.

De uma forma diferente, e sublimada, nossas vítimas estão nas periferias, nos bairros pobres, entre 17 e 25 anos, e quase todos pretos os mortos por homicídio doloso no Brasil.

Resta outro tanto de mortes para mulheres (estas, na maioria mortas por maridos, namorados, etc), e os gays. 

Por outro lado, crescem os registros de intolerância religiosa no país, onde as denominações afro-brasileiras rememoram os tempos de caça aos terreiros no início de século passado.

Há violência de amplo espectro neste país, mas gostamos de vomitar esta lenga-lenga que mistura um patriotismo calhorda com uma hipocrisia pacifista que não resiste a dois segundos de olhar mais acurado.

Mas nem por isto os outros países, que estes mesmos cretinos consideram exemplo de paz e organização social, vivem momentos mais animadores.

Tão bom seria que esta mitificação do processo civilizatório estadunidense pudesse mesmo nos servir de referência...mas não pode!

Mike McLelland, 63, promotor público do Condado de Kaufman, Texas, e sua esposa, Cynthia, 65, foram encontrados mortos no último sábado, baleados dentro da residência do casal.

Seria mais um caso de duplo homicídio, talvez agravado pelo cargo ocupado por uma das vítimas.

Mas não é só isto.

O District Attorney (como são chamados os promotores por lá) havia prometido rigor para prender os assassinos de Mark Hasse, promotor-assistente, morto em 31 de janeiro deste ano.

A onda de violência contra autoridades e propriedades públicas é uma ameaça constante no Texas, desde que vários integrantes do movimento supremacista (neonazistas) têm sido indiciados e condenados a pena de morte por seus atos de violência racista.

O assustador nisto tudo é que, ao lermos certos sítios eletrônicos e outros blogs, inclusive alguns aqui da região, temos a impressão de que alguns calhordas ("scums", como chamou o promotor morto) pretendem importar estes postulados em nome de algo que chamam de "liberdade de expressão".

Que piada mórbida, uma vez que são estes crápulas que ameaçam tal liberdade e a própria raça humana.

Temos lido, com perigosa frequência, gente defendendo ditadura, e outras soluções de força (disfarçadas), pregando o não-reconhecimento de que há grupos que sofrem a violência de jeito mais agudo que outros.
Estes supostos "pacifistas" dizem que não há porque considerar questões de classe, cor ou gênero, porque a violência se expressaria de jeito igual para todos.

São os assassinos do igualitarismo formal. Aqueles que repetem o mantra de que todos são "iguais" perante a lei, mas vivem no mundo dos benefícios e privilégios dos que são mais iguais que outros.

Fingem desconhecer que definir esta distinção é dotar de proporcionalidade as providências necessárias, porque tão ou mais injusto que não agir, é agir de forma igual com os desiguais!

Como vemos, embora cada História revele um desfecho, a escória tem sempre cacoetes universais.




Leia a matéria completa no Guardian.co.uk.





3 comentários:

Marcelo Siqueira disse...

Olá Douglas
Vim morar novamente em Campos em 2006, sou campista, de Rio Preto, mas morava no interior de SP, desde 89. Quando cheguei descobri o Roberto de Moraes, e logo depois, você.
O primeiro comentário que fiz, falei que os Garotinhos eram menos piores que os adversáriosos, tomei porradas (merecidas), não gostei, porém acho que cresci político e intectualmente.
Acho as suas análises políticas/ sociais as melhores que leio, as vezes (pouquíssimas), são muito longas(chatas).
Sempre leio os seus comentários no Blog do Roberto, e as respostas, gosto muito.
Por que as pessoas comentam tão pouco em seu Blog? embora ele seja bastante lido, será medo?
Nunca dantes anguém te perguntou isto.

douglas da mata disse...

Marcelo, é muito difícil avaliar isto, e sinceramente, me preocupo pouco.

Talvez eu possa mais descrever o blog do que tentar explicar porque as pessoas comentem pouco.

Prefiro, neste sentido, sem nenhum elitismo, a qualidade a quantidade.

E qualidade não significa, necessariamente, erudição, não é nada disto.

É disposição para o debate, sem melindres.

Esgotar as ideias, duvidar da própria dúvida...

Aqui, no blog, por uma opção pessoal, o clima não é ameno...

Pode ser cordial quando tem que ser, mas porrada quando há necessidade.

Este é um blog militante.

Nos blogs (e em outros veículos), as pessoas, geralmente, procuram conteúdos que ratifiquem suas convicções.

Eu imagino que uma parte não comente porque se sente contemplada, outra porque não enxerga brechas para tanto, e outras porque simplesmente não querem.

São escolhas, você por exemplo, comenta mais aqui que no blog do Roberto.

De todo modo, o principal é saber se o blog cumpre sua tarefa, ainda que modestíssima tarefa de ampliar as possibilidades e olhares sobre a realidade.

Enquanto estivermos fazendo isto, está ótimo!

Grato pela pergunta, e pela participação.

Anônimo disse...

Eu não procuro aqui a ratificação do que acredito. Antes, o contrário.
É por isso que leio o blog há meses.
Não concordo com tudo, mas aprendi algumas coisas.
Douglas é como o Seedorf (preguiça de ver se é assim que escreve): humano.