quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

yoani, marinas, esquerdas, direitas, luz, câmera, ação!

Não há novidade no episódio yoani.
Ele foi ensaiado para ser deste modo, neste cenário e com este roteiro. Todos nós, do boboca do magnoli até o mais empedernido militante(semi-profissional)secundarista de 67 anos da UJS sabem a fala, a marcação e o papel a desempenhar.
Um episódio grotesco, com direito a atuação bisonha do suplicy, a mais perfeita encarnação de goofy( pateta) de walt disney, que usava a terminologia canhoto(goofy) para sacanear a esquerda...disney, não conheceu suplicy, mas é como se o tivesse criado(o suplicy), como o personagem de Jim Carrey em The Truman's Show.
Como dizia, todos sabíamos o desfecho.
Há algo a ser debatido neste caso, além do fastio das questões cubanas e estadunidenses, democracia, liberdade, Guantánamo, Assange, etc, etc, etc?
Todos temos direitos a opiniões. Mas temos antes o dever de saber como as opiniões devem se expressar.
O problema de yoani e seus admiradores não são as teses contra Cuba, algumas legítimas. O problema não é yoani( ou outro blaya qualquer) criticar a falta de eleições tipo estadunidenses em Cuba, embora todo mundo saiba, aí incluídos iraquianos e afegãos(que souberam do pior modo) que tais eleições não signifiquem muita coisa.
A questão principal é tentar empulhar a audiência com uma personagem que se apresenta como uma instituição pessoal universal em defesa dos direitos humanitários universais, como se toda luta por tais direitos não encerrasse em si a defesa de visões de mundo, ou seja, preferências políticas, grupos, partidos, interesses geopolíticos.
A presença de yoani falando sobre Cuba, ou sobre violação direitos humanos por lá, sem que seja possível determinar qual é o seu verdadeiro papel (ou seja: fala por um partido, uma igreja, uma associação, um sindicato, uma embaixada?) é que traz tremenda assimetria na cena.
A empulhação de Yoani como guerreira da liberdade é que aumenta a reação contra ela, e este gesto, de expô-la a este universo não é casual...é também ensaiado meticulosamente.
Ela tem todo o direito de se associar a quem quer que seja para falar dos problemas de seu país, aliás, esta é uma regra histórica do internacionalismo da política.
Seu calvário é tentar esconder esta associação, que lhe traz constrangimentos expostos quando lhe pedem para falar sobre uma grave violação ao seu país e a seu povo: o embargo.
Como ficaria na saia justa caso lhe cobrassem uma postura sobre Guantánamo, ou no caso Assange.
Se ela já nos tivesse dito quem lhe banca, ou melhor, se o seu discurso estivesse situado em alguma esfera ou instância de disputa, não haveria comoção no fato dela ser fiel a mão que lhe alimenta.
De jeito nenhum...e seria um ato incoerente dela se o fizesse(cuspir no cocho onde come).
Mas por que ela não se revela? Ora, porque este é roteiro: fazer política pela anti-política. Defender um interesse específico mascarado em categoria universal de interesse!
yoani tem o direito a crítica ao governo cubano. yoani tem o direito a ser uma militante pró-interesses dos EEUU em Cuba, no Brasil ou em Marte. Azar o dela.
Eu tenho direito a concordar com os avanços de Cuba e criticar os problemas. Eu tenho direito a discordar da yoani.
yoani tem direito a escolha, até ao cinismo, quando for útil, mas não tem direito a hipocrisia.
É a sua hipocrisia que alimenta o ódio.
Por que como debater com quem defende a "liberdade"? O ambiente e a moral cristã (marina)?
yoani, deste modo, é um tipo sutil e ladino de violência simbólica, porque ela esconde suas posições em uma suposta "neutralidade" ou "imparcialidade" comunicativa(como uma militante livre e imparcial da rede, aliás, crítica que também deve ser estendida a Assange) e tolhe de seus adversários a condição de adversários para tornar todos que discordam dela uma espécie de algoz da Humanidade.
yoani é um tipo perigoso de gente que, paradoxalmente, se ama tanto a ponto de eliminar a si mesma para cumprir um papel, uma predestinação ao martírio que acredita que lhe foi entregue por deus, ou pela História. Ela espera um ato brusco, uma violação, um tiro ou um tapa para justificar a si mesma, e dar algum sentido a fraude que, no íntimo, ela sabe que é.
yoani está na categoria das não-pessoas, autômatos a serviço do fim da política, por se apresentar como permanente vítima dela, e não como agente influenciador de suas variáveis, ou como sujeita de suas escolhas políticas. yoani é sempre vítima das esolhas (políticas)dos outros que sempre a deixam sem escolhas.
yoani é uma moça triste. Não por Cuba. Mas por causa de yoani.
yoani é a nossa marina que fala espanhol.
marina é um belo quadro político que agora, descobriu que quer ser uma yoani.
Fecha o pano, para elas, não haverá happy end.

6 comentários:

Gustavo Landim Soffiati disse...

Como se resultasse de uma cruza de Baudrillard com Debray.

douglas da mata disse...

É isto, caro Gustavo, é isto.

Gustavo Landim Soffiati disse...

O seu texto, eu quis dizer. Sem querer desmerecê-lo.

douglas da mata disse...

Mas o pictorialismo e o simbolismo são expressões do que marinas, yoanis representam: uma figura saída de textos de um, legendando o quadro de outro.

Roberto Moraes disse...

Excelente texto. Perfeita análise e observação sobre a blogueira cubana, o seu simbolismo e significado.

Parabéns!

douglas da mata disse...

Valeu Roberto.