quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Outra história, outra versão.

Eis o texto publicado no Viomundo sobre o livro de Paulo Moreira Leite sobre o julgamento da ação 470.
No bombardeio midiático, no soterramento de manipulação, um pouco do que o jornalismo deveria fazer: oferecer o outro lado:



Paulo Moreira Leite: A outra história do mensalão

publicado em 5 de fevereiro de 2013 às 21:22

Uma verdade incômoda
por Willian Novaes, da Geração Editorial
Neste livro corajoso, A Outra História do Mensalão – As contradições de um julgamento político(R$ 34,90, pag. 352), independente e honesto, o jornalista Paulo Moreira Leite, que foi diretor de Época e redator-chefe de Veja, entre outras publicações, ousa afirmar que o julgamento do chamado mensalão foi contraditório, político e injusto, por ter feito condenações sem provas consistentes e sem obedecer a regra elementar do Direito segundo a qual todos são inocentes até que se prove o contrário.
Os acusados estavam condenados – por aquilo que Moreira Leite chama de opinião publicada, que expressa a visão de quem tem acesso aos meios de comunicação, para distinguir de opinião pública, que pertence a todos — antes do julgamento começar.
Naquele que foi o mais midiático julgamento da história brasileira e, possivelmente, do mundo, os juízes foram vigiados pelo acompanhamento diário, online, de todos os seus atos no tribunal. Na sociedade do espetáculo, os juízes eles se digladiaram, se agrediram, se irritaram e até cochilaram aos olhos da multidão, como num reality show.
Este livro contém os 37 capítulos publicados pelo autor em blog que mantinha em site da revista Época, durante os quatro meses e 53 sessões no STF. A estes artigos Moreira Leite acrescentou uma apresentação e um epílogo, procurando dar uma visão de conjunto dos debates do passado e traçar alguma perspectiva para o futuro.
O prefácio é do reconhecido e premiado jornalista Janio de Freitas, atualmente colunista da Folha de S. Paulo. Esse é o 7° titulo da coleção Historia Agora, lançada pela Geração Editorial, entre os livros desta coleção está o best seller, A Privataria Tucana.
Ler esses textos agora, terminado o julgamento, nos causa uma pavorosa sensação. O Supremo Tribunal Federal Justiça, guardião das leis e da Constituição, cometeu injustiças e este é sem dúvida um fato, mais do que incômodo, aterrador.
Como no inquietante Processo, romance de Franz Kafka, no limite podemos acreditar na possibilidade de sermos acusados e condenados por algo que não fizemos, ou pelo menos não fizemos na forma pela qual somos acusados.
Num gesto impensável num país que em 1988 aprovou uma Constituição chamada cidadã, o STF chegou a ignorar definições explícitas da Lei Maior, como o artigo que assegura ao Congresso a prerrogativa de definir o mandato de parlamentares eleitos.
As acusações, sustenta o autor, foram mais numerosas e mais audaciosas que as provas, que muitas vezes se limitaram a suspeitas e indícios sem apoio em fatos.
A denúncia do “maior escândalo de corrupção da história” relatou desvios de dinheiro público mas não conseguiu encontrar dados oficiais para demonstrar a origem dos recursos. Transformou em crime eleitoral empréstimos bancários que o PT ao fim e ao cabo pagou.
Culpou um acusado porque ele teria obrigação de saber o que seus ex-comandados faziam (fosse o que fosse) e embora tipificasse tais atos como de “corrupção”, ignorou os possíveis corruptores, empresários que, afinal, sempre financiaram campanhas eleitorais de todos, acusados e acusadores.
Afinal, de que os condenados haviam sido acusados? De comprar votos no Congresso com dinheiro público, pagando quantias mensais aos que deveriam votar, políticos do próprio PT – o partido do governo! – e de outros partidos.
Em 1997 um deputado confessou em gravação publicada pelo jornal Folha de S. Paulo que recebera R$ 200 mil para votar em emenda constitucional que daria a possibilidade de o presidente FHC ser reeleito. Mas – ao contrário do que aconteceu agora – o fato foi considerado pouco relevante e não mereceu nenhuma investigação oficial.
Dois pesos, duas medidas. Independentemente do que possamos aceitar, nos limites da lei e de nossa moral, o fato é que, se crimes foram cometidos, os criminosos deveriam ter sido, sim, investigados, identificados, julgados e, se culpados, condenados na forma da lei. Que se repita: na forma da lei.
É ler, refletir e julgar. Há dúvidas – infelizmente muitas – sobre se foi isso o que de fato aconteceu.

5 comentários:

Anônimo disse...

Ministro do PT abraça o discurso da TFP para justificar abandono da reforma agrária


Que o PT se afastou gradual e consistentemente dos seus compromissos declarados com a reforma agrária os que acompanham o processo já sabiam. Afinal, depois de um festival de regularizações de terras e posses que foi usado por Lula para mascarar o seu descompromisso com a mudança da vergonhosa estrutura da propriedade da terra no Brasil, a presidente Dilma Rousseff nem tem se dado ao trabalho de disfarçar o seu amor preferencial pelo latifúndio agro-exportador. Tanto isto é verdade é que enquanto chovem benesses para Kátia Abreu e seu povo, Dilma é a presidente que menos destinou terras aos pobres desde Fernando Collor!

Mas como essa nau ainda pode afundar mais, agora apareceu o ministro Gilberto Carvalho para usar um argumento surrado da organização católica de extrema direita Tradição, Família e Propriedade (TFP) para tentar tapar o sol com a peneira. É que segundo o iluminado Gilberto Carvalho, a justificativa para a diminuição da criação de assentamentos de reforma agrária o problema é que governos anteriores criaram assentamentos que viraram verdadeiras favelas rurais (Aqui!). Esse argumento tosco foi utilizado e ainda é utilizado pela TFP que até produziu um "livro bomba" para denunciar a reforma agrária (Aqui!).

Esta aproximação de discursos só surpreende mesmo os mais desavisados, pois quem anda de braços dados com Kátia Abreu, só pode mesmo terminar adotando o discurso da TFP. No entanto, o que há de mais pernicioso nesse tipo de capitulação programática e ideológica, é que na hora de alocar recursos e suporte técnico para fazer valer até o seu próprio programa rebaixado de assistência aos assentamentos, o governo Dilma é uma mistura de cinismo e incompetência que se soma à grotesca falta de capacidade operacional do INCRA.


Pedlowski

mapedlowski@gmail.com

douglas da mata disse...

Eu concordo com Pedlowski em vários temas.

Em outros, discordo.

Só em respeito a ele, publico o que já li por lá, mas que um ultra-esquerdalóide qualquer resolveu colocar aqui como provocação.

Primeiro erro grave: Confundir partido e governo!

Qualquer indigente intelectual sabe que um partido como o PT, que nem de longe é hegemônico, e não representa os interesses da classe que domina o aparato ideológico(elites) teria que fazer um enorme arcos de alianças para governar o país.

Mas os cretinos da ultra-esquerda(que hoje, pasmem, andam de braços dados com a direita mas reacionária e cínica) acham que estamos à beira da revolução.

Chato é vê-los fazendo aliança para ganhar eleição e governar, como o PSOL fez com o DEM em Macapá.

Ou a vergonhosa aliança no senado, com direito a PSDB e DEM, novamente.

Então, em suma, como seria bom termos uma base aliada muito mais à esquerda, e que nos possibilitasse impor uma agenda camponesa ao agronegócio, mas eu pergunto...onde está esta base mais à esquerda?

Não existe!

Então, dentro dos limites impostos pela realidade, e pela incapacidade dos mais puros de serem reconhecidos como alternativa de poder, vamos seguindo...

Bom, no tocante a reforma agrária, os cretinos escondem uma série de questões graves:

Quem determina o final de um processo de desapropriação é a Justiça, que decreta a transferência de propriedade do latifundiário para os assentados.

O INCRA só diz a Justiça quais terras o governo pretende indenizar.

Sem a decisão da Justiça, a presidenta só pode esperar para assinar a desapropriação(pagar pela terra).

Os cretinos da ultra-esquerda não dizem que esta demora da Justiça atende a uma jogada dos donos de terra, que a cada ano de morosidade têm acrescido ao valor da terra, 12% de juros(valorização), o que tem encarecido o já exorbitante prelo da terra ( de 2001 até 2011, o preço médio por hectare saltou de 443 reais para 1.967, sem contar a inflação, com ela, foi para 2.012 reais).

Grande parte deste problema se agravou desde 2008, por causa da crise mundial, onde as commodities viraram atrativo para investidores, junto com a terra.

Hoje, o governo federal é o maior comprador de terras do Brasil, em valores que oscilam de 730 milhões de reais/ano.

(dados INCRA, in revista Carta Capital, nº 734).

E como o dinheiro de TODOS OS BRASILEIROS não pode ser gasto apenas com uma parte dele, embora reconheçamos a justiça do pleito dos sem-terra, o governo tem sido muito mais cauteloso nas desapropriações, para que estas não se transformem em um argumento especulativo e uma chantagem política.

Ou será que om MST quer que paguemos mais pelas terras do que elas valem?

No último dia 04, o governo anunciou, na Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), a presidenta anunciou programa de 600 milhões para agregar valor a produção dos assentamentos ao redor do Brasil, e lhes possibilitar integrar a cadeia de negócios regionais onde estão instalados.

Em tempo: como será que anda a fidelidade programática e ideológica do pessoal do PSOL do Amapá tendo que dividir a rapadura com o DEMOS?

E qual foi o preço pago para alugar o verniz ético de Randolfe do PSOL para posar ao lado de Álvaro Dias na chapa pedro Taques?

Anônimo disse...

Só falta isso...

Suplicy está escanteado no PT. O partido planeja tirar dele a legenda para a candidatura ao Senado em 2014. Quer oferecer a vaga para partidos como PMDB e PSD, numa aliança para o governo de SP. Ele anda chateado.

Marina então o convidou para deixar o PT e integrar o partido que está montando? "A Marina sabe o que eu penso da fidelidade partidária. Eu disse a ela que não sairia do PT até cumprir todo o meu mandato [em 2014]."

E depois? "Se o PT me fechar as portas...". Suplicy para, sorri e refaz o raciocínio. "Eu não acredito que o PT vai me fechar as portas. Eu acho que o partido vai continuar me apoiando."

Por isso, decidiu enfrentar a cúpula partidária: vai propor prévias para a escolha do candidato do partido ao Senado em 2014. "Eu pensei muito e decidi: quero ser candidato de novo."

O PT tem pelo menos uns dez "bons candidatos", diz ele. "O Luiz Marinho, o Edinho Silva, o Emídio de Souza. Em outros partidos, o Gilberto Kassab [do PSD], o Chalita [PMDB]. São todos bons. Mas eu tenho certeza de que ganho as prévias. Eu ando por aí e as pessoas me dizem: 'Mas o PT vai abrir mão de um candidato como você?'".

A única chance de Suplicy desistir é se Lula for candidato ao Senado. "Aí, em respeito a ele, eu não disputaria."

douglas da mata disse...

A lógica de Suplicy desvenda seu autoritarismo político:

Só cede se for Lula. Se for outro, não!

Depois, a pérola: o "apoio" de fora prescinde a debate interno e as decisões orgânicas, afinal, política se resume a ser reconhecido, e neste quesito, o idiota do Suplicy notabilizou-se por se transformar em uma aberração no campo da histrionice.

Mas se fosse só isto, tava bom.

No entanto, Suplicy hoje teria espaço em qualquer partido demotucanalha, pelos seus últimos gestos no Senado, e assim como fez Marina, vai amargar os esgotos da história.

São célebres, e tristes, estes casos onde o político imagina que seu personagem (sua persona publicae) está acima de tudo e de todos, e não raro, engole a si mesmo, deixando só a imagem tenebrosa de alguém se auto-devorando pelo rabo.

Já vai tarde, Suplicy, já vai tarde!

Anônimo disse...

Suplicy é um tucano tipicamente paulista, ainda que filiado ao PT.