sábado, 23 de fevereiro de 2013

O caso do CAPs e a total incapacidade da mídia PIG em tratar fatos.

Não há como defender a política pública de saúde desta cidade, pelo simples fato de que ela não existe!
Ontem, o JN veiculou uma matéria onde "um produtor" fez imagens dentro de uma unidade da CAPS neste município.
Depois do estardalhaço, deu espaço para o secretário de saúde, que pareceu o que ele de verdade é: NADA!
Não sabia do que acontecia, assim como não sabemos até hoje como conseguimos ter epidemias de dengue ano a ano.
Como não sabemos como uma cidade de 2.5 bilhão de reais de orçamento trata seus pacientes como se tivéssemos 200 mil reais.
E falo de proporção, considerando que o orçamento nominal gigante é para uma população média de 500 mil habitantes.

Este blog não dá espaço a "defesas" da prefeitura, ela se quiser que o faça nos veículos onde gasta milhões por ano, para obter o chamado "consenso".

Mas este caso é diverso, pois trata-se de conceder espaço a um profissional exemplar, a quem muito respeito, e que teve seu trabalho exposto, bem como a dignidade de seus pacientes, tanto pela sanha cretina e espetaculosa dos abutres da mídia corporativa, quanto pela indigência intelectual do secretário, que antes de gravar a "resposta", com a cara de "cachorro que caiu da mudança", poderia ter ligado ou ido a unidade certificar do que acontece de fato.

Eis então a resposta do Dr Flávio Mussa Tavares:

"Sou médico do CAPS III. É para mim uma alegria lidar com a clientela sofrida que faz parte de nossa rotina. Os CAPS foram instituidos no Brasil em 2001, na chamada Reforma Psiquiátrica que extinguiu os manicômios.

Nossa clientela é a maioria oriunda desse sistema. São chamados clientes "institucionalizados", que pode ser traduzido como um paciente que não sabe viver sem a instituição.
O CAPS III Romeo Casarsa, que foi protagonista de uma matéria veiculada no Jornal Nacional de hoje foi inaugurado em 2009.
Temos mais de 300 pacientes, dos quais atendemos mais de 80 ao dia.
Nenhum de nossos pacientes é acamado. Aliás, uma regra da instituição psiquiátrica é que o paciente esteja com o nível de consciência alerta e podendo andar. Caso sua consciência esteja apagada ou não consiga andar, configura uma caso clínico e não psiquiátrico. Nosso paciente é vertical. O paciente clínico é horizontal.
Essa demanda é externa, isto é, não dorme na instituição.
Mas temos sempre cerca de 6 pacientes internados, que geralmente permanecem lá em períodos de crise que não ultrapassam 7 dias.
Essa clientela, que vivia em hospitais, vive hoje uma realidade que concordamos é pobre, mas não há indignidade. Nossa clientela recebe quatro refeições por dia (desjejum, almoço, lanche e janta),  tem atendimento médico, psicológico, terapia ocupacional, música, fazem bijuterias e tem até uma grife: "Loucas por Acessórios".
Essa clientela usa medicação sedativa. Eles passam o dia na instituição. Eles tem sono e deitam de dia.
Nós não temos leitos para 20 ou 30 pessoas que não estão propriamente "dormindo", mas sim descansando, tirando uma soneca de dia.
A forma como foram veiculadas as imagens sugerem que são pacientes internos que vivem amontoados ou que são acamados e estão sendo humilhados.
Reconheço que não temos o espaço físico adequado, entretanto, o que se viu foi uma hora de descanso em que muita gente deitou em colchonetes no mesmo horário. Detalhe: o horário é diurno!
Todos estes que estão ali repousando voltam para casa entre as 17 e 18 horas, após receber uma quentinha do jantar.
O clima ali só é agitado quando alguns pacientes apresentam crises de agitação ou agressividade. Nesses momentos, o corpo de enfermagem contém fisicamente até que seja feita a medicação tranquilizante.
Nunca vi ninguém ser humilhado, maltratado ou ignorado no Caps III.
Faria mesmo um desafio. Gostaria que os repórteres da Globo entrevistassem os nossos pacientes.
Seria uma forma sadia e madura de avaliar a instituição.
De qualquer forma, eu me sinto honrado em fazer parte do corpo técnico do CAPS III, que no meu entender é de primeira qualidade e supera as dificuldades materiais, supera as dificuldades de lidar com o paciente mais marginalizado de nossa sociedade e supera as dificuldades de lidar com a intriga, a calúnia e a ingratidão."

5 comentários:

Anônimo disse...

Caro Douglas, o senhor Flávio Mussa e família(ANGLO) apoiou Garotinho; até tudo bem...

Porém, um dos acordos era retirar o Pró-Uni da estação(hoje secretaria de Educação).

Foi um dos maiores absurdos...

douglas da mata disse...

E o que isto tem a ver com a declaração dele sobre o tema?

Ué, nem o secretário de saúde sabe de nada!

Ele apenas disse o que vive, como profissional, ali dentro, e porque as pessoas expostas como "amontoadas" estavam em outra condição, ou seja: dormiam a sesta após almoço.

"acordo" para retirar o PRO UNI? Eu sei que houve acordo com Arnaldo e Mocaiber, depois suspenso pela prefeita, mas de todo modo, como eu disse, isto ou outro desfecho neste caso do colégio, não retira a credibilidade do Flávio como médico psiquiatra.

Isto eu afirmo pessoalmente, e desafio qualquer um a dizer qual ato anti-ético ou baseado em suas crenças políticas desabone a conduta profissional dele, dos seus irmãos, Luis Alberto, de Celsinho.



Flávio Mussa Tavares disse...

Caro Douglas, o atendimento no CAPS não é feito somente ao pct. As familias tem reunião semanal. Sinto que nosso maior inimigo é o espaço físico. Precisávamos de área coberta para atividade física e quem sabe uma piscina. É um sonho.
Quanto a outros assuntos levianamente levantados, não responda. Não vale a pena.
Abraço.

Anônimo disse...

Douglas,
A reportagem não falou nada sobre o trabalho dos profissionais do Caps, retratou apenas as péssimas condições do local. E mais, comprovou também a falta de infraestrutura e gestão, já que, conforme disse uma funcionária na reportagem, falta até água no Caps.
Não se discute o profissionalismo e a competência do sr. Flávio Mussa, ou de outros funcionários do Caps, até porque, acredito que para trabalhar com a psiquiatria no Brasil - ainda mais no serviço público - exige-se muita vocação e espírito público.
Quero apenas lembrar, que independentemente de onde veio a reportagem - também sou um crítico das organizações Globo - ela mostrou de forma clara e evidente que o local não é o adequado para o tratamento dos pacientes. Os responsáveis pela Saúde de Campos tem que assumir isso e mudar efetivamente, ficar com a "conversinha" de que poderia ser melhor, isso todo mundo sabe e todo mundo gostaria.
Abs.
Paulo Sérgio

douglas da mata disse...

Paulo,

Sabes de minha posição em relação a este (des)governo.

Independente de minha admiração por Flávio, publiquei a sua réplica por que ela é fundamental:

Ora, ele conclama a que o problema seja tratado com responsabilidade, onde os problemas reais sejam colocados de forma real.

Ele diz, em alto e bom som que os pacientes dormiam após o almoço, e que não há pacientes internados naquele número que a "reporcagem" induz, aludindo a um amontoado de pessoas.

Isto é desrespeitoso, ainda mais em se tratando de pacientes já estigmatizados.

Há problemas? Claro, e ele diz isto em seu texto.

Só que os problemas devem ser mostrados da forma correta, senão acabam por tornarem-se maiores que são.