segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O CAPS, o sinalizador e a médica paranaense: Como a mídia é mais perigosa que os supostos responsáveis!

Há um surrado adágio que diz: "Errar é humano", emendado por outro: "Mas permanecer no erro é burrice".

Em certos casos, permanecer no erro não é burrice, é dolo, ou seja, uma ação dirigida a produzir um resultado que se espera.

É o caso da mídia corporativa, o que chamamos de PIG.

Desde o caso do casal Rosemberg, executados após julgamento que os condenou por espionagem no início da Guerra Fria, na década de 50, reconhecidamente o primeiro linchamento midiático da História, passando pelos nossos eventos recentes, como caso Escola-Base, caso Bodega, a disseminação do pânico sobre a febre amarela(que levou pessoas à morte por overdose de vacina), dentre tantos outros de menor repercussão, mas não menos graves, nossa mídia vai matando e destroçando as instituições da sociedade brasileira, alterando a realidade, manipulando fatos para atender seus interesses.

No caso boliviano, onde um assassino corintiano atingiu um torcedor boliviano com o disparo de um sinalizador, estão claros os laços econômicos que pautam a chamada "notícia".

A despeito do desenrolar das investigações, e a dificuldade óbvia de se individualizar a conduta em meio a uma pequena multidão, o direcionamento é claro:

Nenhum respingo atinge o time, e a maldição das torcidas organizadas, embora o próprio regulamento preveja como punição máxima a exclusão dos times cujas torcidas provoquem distúrbios, partindo da premissa da responsabilização objetiva, ou seja, quem lucra e promove o espetáculo é o responsável direto pela segurança dos presentes.

Claro, a "punição" encontrada satisfaz a todos que depositam milhões no negócio. Torcedor em estádio hoje é detalhe, sabem todos os envolvidos neste ramo.

A mídia sequer toca no assunto da relação promíscua dos diretores (e alguns jogadores) com estas facções criminosas que se autodenominam torcidas organizadas.

Uma olhada rápida nos estandartes e bandeiras, um ouvido mais atento, poderá constatar que símbolos e cânticos das organizadas conclamam a guerra, a violência explícita, um espetáculo fascista, que extrapola estádios e se espalha por ruas e adjacências dos estádios.

Mas nenhuma atenção da mídia para o cerne do problema. Só uma saída conveniente, um adolescente,  que na linguagem da cadeia, um robozinho(aquele que assina o "BO", assume a culpa), que não pode ser extraditado, colocado ali para encerrar o assunto. 
Resta combinar com os "russos"(neste caso bolivianos).

Junto com este evento trágico na Bolívia temos outros dois tristes espetáculos produzidos por nossa mídia.

Uma médica investigada por práticas supostamente ilegais, submetida a uma prisão midiática(faltam todos os requisitos para a prevenção da liberdade), onde dia após dia um festival de ressentimentos pessoais sem quaisquer vinculação com os fatos imputados são derramados para inflamar as chamas da fogueira da mídia.

É possível que a médica tenha cometido os crimes alegados? É. 
É possível que ela fosse uma profissional truculenta, uma colega ruim? Claro.

Mas algumas perguntas não calam. Como tanta gente sabia de tantas histórias, e mesmo assim, elas perduraram tanto tempo incógnitas?

Pergunto ainda: quantos crimes, se de fato ocorreram, seriam evitados se tantos não fosse omissos? São menos culpados que ela?


Como um marido recebe um bilhete de socorro da esposa, e nada faz, esperando inerte a mulher internada cumprir seu destino fatal que ele mesma havia previsto?

O que é fato e o que é folclore nesta história? Pela atuação da mídia, nunca saberemos. 
E se considerarmos que os órgãos de persecução criminal se orientam pelo clamor popular, e quase nunca pelas evidências, o destino da médica está previamente determinado: culpada!

Por fim, o caso do CAPS e rede g(r)obo.

Ninguém duvida da precariedade do atendimento psiquiátrico em Campos dos Goytacazes, e que se torna mais grave pela capacidade orçamentária do município.

Esta é uma realidade do sistema público de saúde local, não há como negar.

Quantos médicos, a exceção do secretário ("não sei de nada, vou mandar alguém lá..."), foram ouvidos?

Quantos funcionários foram ouvidos, salvo a fala da funcionária da cozinha, sem que soubesse estar sendo gravada?

Será que se entrarmos em uma redação de jornal, TV ou rádio, com uma câmera escondida não escutaremos falas tenebrosas sobre o processo de fabricar notícias, de manipular opiniões?

Não somos todos hommers simpsons, dito pelo william bonner?

As coisas andam meio deslocadas.

É papel da imprensa investigar e fiscalizar os poderes públicos, mas antes ele tem que fiscalizar a si mesma.

Eu não sei o que acontece no CAPS. 

Eu não sei se o Dr Flávio Mussa Tavares, profissional que se manifestou neste e em outros blogs está com a razão, embora eu não o reconheça como um mentiroso, capaz de colocar sua credibilidade em jogo para defender aquilo que não acredita.

Só tenho certeza de uma coisa: o que a Globo fez no caso do CAPS nunca poderá ser chamado de jornalismo.




4 comentários:

Flávio Mussa Tavares disse...

Douglas,
Os CAPS são a forma de humanizar o tto ao doente mental. Eu digo a você que do ponto de vista do material humano, a equipe é boa até demais, isto é, age além das possibilidades, superando as deficiências físicas.Talvez por atuar além do limite, as falhas humanas surjam. Se fôssemos estritamente na nossa função, poucas falhas humanas apareceriam. Nosso maior erro humano é agir com "heroismo", correndo riscos, atuando em áreas que não são prioritariamente nossas, tudo em defesa de nosso cliente, que é um marginalizado até de outros serviços públicos.
Não há descaso ou maus tratos.
Quanto a parte física, estamos esperando que a poeira levantada seja o viés salvador.
Abraço.

douglas da mata disse...

O pior Flávio, é ler na maioria dos blogs, a chamada mídia alternativa, um comportamento tão ou mais cretino que a mídia corporativa.

Bom, há tempos eu não tenho ilusão com esta plataforma.

O debate empobrecido pela simplificação esdrúxula.

Claro que as políticas sanitárias de atendimento ao paciente com distúrbios mentais pode e deve ser alvo de permanente crítica.

Mas a estigmatização, o uso irresponsável (e quase criminoso) de escutas ambientais, trouxeram mais prejuízo que acertos.

Segue a vida...cada vez mais tenho a certeza que a Humanidade não é viável, como me disse certa vez uma velha a querida amiga...

Fernando disse...

Ao meu ceticismo permanente acrescenta-se nestas horas, um pessimismo vigoroso que desautoriza qualquer expectativa de mudança. Penso sempre nesta inviabilidade humana, mas sou "salvo" por parte dela: pela amizade, pelo amor ao próximo, pela arte, pela música e por alguns humanos maravilhosos que me renovam de esperança de quando em vez. No fim, acho que ainda há salvação apesar da maioria ser composta por idiotas. Com a democracia, o idiota que antes levava uma vida chinfrim, hoje sabe que manda. Agora somos reféns desta espécime tagarela que destila asneiras sobre tudo e sobre todos. Com a rede blog não é diferente. A plataforma como você diz, não encoraja ilusões, mas gosto de acreditar que ainda é o melhor que temos. Onde poderia ter acesso ao depoimento do Dr. Tavares? Onde poderia estar escrevendo o que penso?
É uma espécie de "Wikiconhecimento" que vai formando as pessoas. Se alguns não a utilizam ou fazem mau uso, ou ainda, simplesmente não compreendem o que está escrito, pena... Prefiro acreditar que estamos num caminho melhor.
Do contrário, retorno à questão filosófica mais importante.

Bom domingo!

douglas da mata disse...

Tens razão, Fernando.

Sabemos todos: o único problema filosoficamente sério é o suicídio.