terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MST, e os rudimentos de contra-informação!

Nas comunidades de inteligência, seja na polícia, seja nas forças militares, há um termo chamado contra-informação.

São setores responsáveis pela análise de dados, e na formulação e difusão de conceitos que causem confusão e pânico nas hostes inimigas.

Infelizmente, a contaminação da contra-informação é devastadora, e alcança até setores que, naturalmente, estariam dispostos a se solidarizar com os alvos, aliás, esta é a principal tarefa da contra-informação: plantar pânico em divulgadores chamados "confiáveis".

Que o jornal O Dia e outros veículos do PIG provinciano espalhem oax (termo para "fofoca virtual", tipo aqueles e-mails que você recebe de alguém que precisa de dinheiro para operar o filho, vem como foto, número de telefone, etc) sobre o MST não é novidade.

O que seria melhor para o latifúndio que divulgar e ampliar o pânico pela insegurança vivida pelos assentados?

O rigor jornalístico destes deformadores de opinião se resume a apresentar fragmentos dos fatos, o chamado esquartejamento da notícia.

No caso do latifúndio da Cambahyba, estão satisfeitos com a versão policial, pouco ou nada desconfiam se há ou não mandantes atrás do intermediário ou dos executores.

Já no caso da assentada do Zumbi, juntam outro fato e costuram a tese de que os assentados estão deixando seus lotes por medo.

A mídia porcalista faz um duplo twist carpado, mas têm pouca sofisticação intelectual para isto:

De uma lado, isolam a violência, ou seja, não vinculam-na com a luta pela terra e com o latifúndio. De outro, dão dimensões apocalípticas, para disseminar o medo entre as vítimas!

Ora, tudo o que o latifúndio deseja foi alcançado: o medo! O êxodo!

Mas foram totalmente desmascarados pela nota do MST, e pior: desmascarados por seu dolo de fazer um porcalismo de mão única, quando o certo seria ouvir o MST antes!!!

O ruim é que alguns blogs adotaram a tese do PIG, e a repercutiram.

Mas estes pequenos veículos não tinham como saber, e aqui entrou a necessidade de publicar a solidariedade com a luta do MST, que acabou ajudando aos contra-informadores e aos seus cúmplices, os deformadores de opinião!

8 comentários:

boy disse...

Peço licença ao blogueiro para tangenciar o tema, mas foi inevitável.

Sei que a culpa é minha. Não cancelei a assinatura quando Cesar Maia foi declarado voto útil (?) para a última eleição do Senado.

Esse caricato personagem carioca, afinal, não representa o "neocoronelismo" neste país.

Mas a curiosidade mórbida foi mais forte, a saber até onde poderia chegar a miséria e o charlatanismo intelectual, minha caixa de email, desde então, acaba por se confundir com a própria lixeira.

Eis o entulho:

"Caro Ministro Lewandowski,

Precisamos da coragem cívica de todos os mandatários para virar a página do neocoronelismo no Brasil, se de fato queremos ascender à condição de nação desenvolvida e respeitável.

O Brasil tem leis suficientes para nos fazer uma nação séria; precisamos apenas que elas sejam cumpridas com zelo e senso ético, como o foram no julgamento do Mensalão.

Por um Brasil sem miséria e corrupção: pela punição dos "colarinhos brancos" do Estado.

Saudações republicanas.


--
Hamilton Garcia (Sociólogo e Cientista Político)

"Do ponto de vista político (…) pode-se observar que a sociedade brasileira tende a ser, em geral, dependente do Estado para a obtenção de benefícios, sinecuras, autorizações, empregos, regulamentos, subvenções. A outra face da dependência é a clandestinidade. Como o Estado pretende controlar tudo (sem, no entanto, consegui-lo), comportamentos não regulados passam a ser (…) aceitos de forma tácita e consensual (…). Com Isto, a vida quotidiana tende a ser desprovida de conteúdos éticos e normativos, uma situação endêmica de anomia, cujas conseqüências ainda não foram plenamente entendidas por nossos cientistas sociais." (Simon Schwartzman, Sociólogo, 1988)

–> Para conscientizar os líderes do Senado sobre o Problema Renan, escreva sua mensagem aqui (lado esquerdo): ."


A bem da verdade, não dá pra negar, de fato, este não é um país sério: dá pra ser doutor subvertendo a lógica republicana e peticionando atalhos, concessões e soluções oblíquas nas questões de estado e poder. É o coronelismo da academia - essa democracia aí, realizada por esse povo "subvencionado", não é boa, não, "dotô juiz".

Anônimo disse...

Yoani é favor do bloqueio a
Cuba. Suplicy lhe dá apoio

Vídeo sensacional: estudante da UJS dá lápis e papel e ela se recusa a assinar documento contra o bloqueio.
Na Bahia, um jovem da UJS perguntou à blogueira cubana quem paga a passagem dela.

Depois, o mesmo jovem entregou lápis e papel à blogueira para assinar um documento em que se manifestaria contra o bloqueio americano a Cuba.

A blogueira faz o gesto de quem não vai assinar.

O jovem avisa à plateia: “ela não vai assinar !”

E pede: “assina!”.

Quem vem em socorro à blogueira ?

O Suplicy, aquele senador tucano filiado ao PT.

Eles se merecem: o senador tucano, a cubana e a Bláblárina.


Paulo Henrique Amorim

Gustavo Alejandro disse...

Esse texto acima, de Amorim, parece relatar um episódio da Inquisição. Só faltou que alguém falasse "não assina! Então é bruxa!"

douglas da mata disse...

Gustavo.

Há todo sentido e urgência em debater temas mais amplos, como liberdade de expressão, as relativizações possíveis, e as impossíveis.

Acho o episódio fraco. A tal blogueira é uma fraude, uma aberração que só tem sentido por causa de outra aberração: a estranha obsessão dos EEUU com Cuba.

O episódio aí de cima não tem nada ver com valores universais humanitários, mas com a luta mesquinha da embolorada guerra fria.

Ela é um poço de incoerência.

Eu, de minha parte, acho que estão a gastar vela com defunto(a)barato(a).

Mas é só um parque de diversões histórica para saudosistas de ambos os lados.

Agora, enfim, quem defende a "liberdade" como um bem humano que não pode ser relativizado (como a blogueira) não tem o direito de tergiversar frente a nenhum abuso a este direito.

O texto do Amorim(com o exagero que lhe é peculiar) é neste sentido.

Se ele tivesse assinado, calaria a boca de todos.

Porém, é raro alguém morder a mão de quem lhe alimenta.

Gustavo Alejandro disse...

Esse pessoal que hostiliza a blogueira realmente não precisa de inimigos. Para mim, são eles " os defuntos".

Agora, tentar pautar o que uma pessoa pensa sobre um assunto sobre o qual não quer se pronunciar, da forma em que procederam, é de um macartismo assustador. Que são eles para exigir que a moça diga o que pensa sobre o que eles querem?

Afinal, se houvesse essa mão imperialista patrocinando o blog da moça, isso invalida as criticas que faz ao governo cubano? O conteudo dos seus posts mudam segundo quem hospeda sua pagina?

Acho que deveria ser considerado um progresso: o imperio americano, com toda sua força, utiliza como melhor arma, contra o regime dos Castro, uma moça com um computador.

douglas da mata disse...

Gustavo,

Sua resposta está no próximo post.

E eu que pensei que você tinha um pensamento, digamos, mais sofisticado que esta média de colocar yoani como vítima.

Gustavo, como não gosto de te imaginar um cínico, acredito em sua ingenuidade...então tá.

o problema dela não é defender o interesse de quem a banca, com críticas corretas de um lado, e outras nem tanto.

o problema dela é se dizer acima ou sem nenhum interesse que a banque.

isto torna o jogo desigual.

violento.

mas quem acredita nesta forma de jogar não pode reclamar da botinada, só pode que se imagina o lado mais "soft" da peleja.

não confunda violência só com a expressão física dela, você como profissional do ramo de comunicação sabe que a violência simbólica causa muito mais estragos.

Gustavo Alejandro disse...

Violencia é uma bala, Douglas. A palavra pode ser perigosa, mas não se equipara. Não há dialética que me faça crer que são iguais.

Desculpe minha ingenuidade.

douglas da mata disse...

Gustavo, não há dialética nisto.

Não há dialética no racismo, expressão simbólica de violência estatuída em comportamento social de exclusão.

Não há como mensurar o estrago de um pai chamando uma esposa e, ou sua filha de vagabunda, ou seu filho de "viadinho escroto".

Ou uma professora ou policial se dirigindo a um aluno ou a um cidadão como "marginal".

Você não tem a menor noção do que é violência...e talvez nem tenha obrigação de conhecer.

O problema é negar a possibilidade de que ela se expresse para além das formas óbvias...isto não é ingenuidade, mas obtusidade...

Então, o que diz respeito a "ingenuidade" fica perdoada.

Já a obtusidade, tomara que não descubra estar errado da pior maneira...