domingo, 13 de janeiro de 2013

Jabour, a cretinice ensaiada para ensaiar os cretinos!


A choradeira melodramática de Jabor

Por fog
Do Diário do Centro do Mundo

O mundo de Jabor, por Paulo Nogueira

Ele se dá ares martirizados de dissidente soviético quando tem vida mansa de aposentado escandinavo
imageO MUNDO DE JABOR, a julgar pelos seus textos, é sombrio. Nele, o Brasil “está evoluindo em marcha à ré”, para usar uma expressão de uma coluna.
“Só nos resta a humilhante esperança de que a democracia prevaleça”, já escreveu ele.
Bem, vamos aos fatos. Primeiro, e acima de tudo, se não vivêssemos numa democracia plena os artigos de Jabor não seriam publicados e ele não teria vida tão tranquila para fazer  palestras tão bem remuneradas em que expõe às pessoas seu universo gótico, em que brasileiros incríveis como ele devem se preparar para a guerra caso queiram a paz. Esta é outra expressão de um texto dele.
Comprar armas? Estocar comida? Construir um abrigo antibombas? Fazer um curso de guerrilha? Pedir subsídios para a CIA? Talvez um dia Jabor explique o que é se preparar para a guerra.
Quando sua mente viaja para fora é o mesmo apocalipse. Dias atrás, Jabor falou na tevê uma quantidade extraordinária de disparates sobre o caso Chávez. Se entendi, ele atribuiu a Chávez a existência de tanta pobreza na Venezuela. Jabor parecia exaltado, mas não de forma genuína. Era como se interpretasse um papel daquele velho tio do interior que ao chegar para uma visita se põe a falar interminavelmente sobre o iminente risco de bolchevização do Brasil e do mundo, e que você só acalma se colocar discretamente um frontal em seu uísque.
Pobres ouvintes.
Já escrevi muitas vezes que o Brasil sob Lula perdeu uma oportunidade de crescer a taxas chinesas. Já escrevi também que os avanços sociais nestes dez anos de PT, embora relevantes e inegáveis, poderiam e deveriam ter sido maiores. Mas somos hoje um país respeitado globalmente. Passamos muito bem pela crise financeira global que transtornou tantos países e deixou bancos enormes de joelhos.
Temos problemas para resolver? Claro. Corrupção é um deles? Sem dúvida. Mas entendamos: a rigor, onde existe política, a possibilidade de corrupção é enorme. No Brasil. Na China. Na França. Nos Estados Unidos. Na Inglaterra. Na Itália. Em todo lugar. Citei estes países apenas porque, recentemente, grandes escândalos sacudiram seu mundo político. Na admirada França, o ex-presidente Sarkozy é suspeito de ter recebido dinheiro irregularmente da dona da L’Oreal.
O problema na corrupção política é a falta de punição. Não me parece que seja o caso do Brasil. Antes, sim. No ditadura militar, a corrupção era muito menos falada, vigiada e punida.
O maior cuidado hoje é saber se não se está explorando o “mar de lama” da corrupção com finalidades cínicas e inconfessáveis, como aconteceu em 1954 e em 1964. O moralismo exacerbado costuma esconder vícios secretos.
A choradeira melodramática de Jabor não ajuda a causa que ele defende. Jabor representa a direita política. Para persuadir as pessoas de que suas idéias são corretas, são necessários argumentos melhores do que os que ele apresenta.
O primeiro ponto é que muito pouca gente acredita que o Brasil descrito por Jabor é o Brasil de verdade. Basta tirar os olhos de sua coluna e colocá-los na rua. A realidade é diferente.  Há sol onde na prosa jaboriana parece só existir treva. Jabor se dá ares de dissidente cubano quando tem padrão de vida — e de liberdade — escandinavo.
Jabor parece estar preparado não para a guerra, mas para permanecer no papel enfadonho e ranzinza de mártir, de vítima impotente de um país que, se fosse tão ruim assim, ele já teria trocado por outro, como fez Paulo Francis. Esse papel pode ser bom para palestras. Segundo um site que agencia palestras, “o palestrante Arnaldo Jabor mostra-se extremamente habilidoso ao aliar citações eruditas a uma visão crítica da realidade brasileira”.
Mas a choradeira não é boa sequer para a própria causa que ele defende — uma economia à Ronald Reagan em que o mercado não tenha freios ou limitações. Para erguer esse universo, são necessários argumentos inteligentes — e não pragas como as usuais. “Malditos sejais, ó mentirosos e embusteiros! Que a peste negra vos cubra de feridas, que vossas línguas mentirosas se  transformem em cobras peçonhentas que se enrosquem em vossos pescoços, e vos devorem a alma.”
Tenho a sensação de que os editores de Jabor no Estado e no Globo não conversam com ele sobre o que ele vai escrever. Acho que deveriam. Às vezes um simples “calma, está tudo bem” resolve. Uma conversa prévia seria útil para Jabor,a causa, o leitor e o debate.

3 comentários:

Anônimo disse...

No texto do senhor Paulo Nogueira não há quase nada alem da crítica pessoal.
Jabor é um cretino, mas o articulista é um bobão. Simplesmente não gosta do Arnaldo Jabor. Nem do Brasil. Seguindo o exemplo do Paulo Francis, mudou-se para o exterior. No caso dele, Londres.
O ex jornalista de Veja e Exame e executivo do grupo Abril e Globo, escreve com uma velada inveja do cretino que leva uma vida mais escandinava que a dele. É o "vício secreto" escondido no seu próprio texto.
As pessoas são diferentes, na vida pessoal e em seus ofícios. Alguns são melhores que outros. Estes últimos adoram os argumentos burocráticos para esconder sua mediocridade.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Tens direito a sua opinião e eu de discordar dela.

Não há nada ilegítimo em não gostar do Jabour, aqui entendido pelo que ele representa simbolicamente, e pelo discurso que reivindica. Inclusive seu modo de vida.

Que em nada significa renunciar a noção de conforto, mas revelar as contradições de quem caga regras, e não as segue, como é o caso do frustrado cineasta de um filme só.

Não há rigor científico, nem uma ética própria nisto, e o texto e seu título não escondem isto. Ou seja, ele escreveu para desancar o bufão.

Os motivos pouco me importam, desde que o texto sirva de contraponto ao trabalho cretino feito pela alvo, e isto, PML faz bem. Você pode não gostar, mas não é a sua opinião a baliza do mundo.

E se tratando de alguém que serve ao PIG, sua posição estratégica se torna ainda mais relevante, embora não seja tudo, ou a única referência, e não é, porque gosto do texto dele.

Quanto a morar aqui, ou lá, eu diria que existem pessoas mais colonizadas culturalmente morando aqui, servindo de parasitas e prepostos para toda sorte de iniquidades em nome das elites de cá, sócias menores das de lá. Como sempre.

Este negócio de patriotismo, você sabe, é o último refúgio dos canalhas, e tenho certeza, pelo que escreveu, que não estou diante de um.

Um grande abraço e obrigado por dividir dua opinião conosco.

ALEXANDRE CARRARA disse...

ARNALDO JABOR..RESUMO TUDO EM UMA PALAVRA..."LIXO" E ACRESCENTO "MÁS INTENSÕES". TEXTOS POLITICAMENTE TENDENCIOSOS. GOSTEI MUITO DO SEU TEXTO "PLANÍCIE LAMACENTE". MUITO BOM.