quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Até tu, Mauro?

O tempo dá o distanciamento necessário para que as informações fluam, e a História e fatos se consolidem.

Boa parte dos colonistas locais, os de coleira e os de aluguel(e nem sempre estas qualidades se excluem) dedicou-se a quiromancia ou a futurologia, única face visível hoje no jornalismo local e nacional, para adivinhar os motivos que levaram Mauro Silva a perder a indicação para presidência da Câmara.

Não há um motivo único, é claro, mas o fundamental me foi vazado recentemente.

Mauro, instado a fazer uma devassa na administração do irmão desafeto na sua passagem pela presidência da Câmara, mas titubeou, e fiel ao seu estilo afável e com rara urbanidade, declinou da tarefa.

O estilo soft de Mauro não emplacou nestes tempos de guerra declarada, e a opção recaiu sobre o nome daquele que doaria os dois rins, se pudesse sobreviver sem eles, ao seu chefe: Edson Batista.

Pesou também na conta, inclusive pela indecisão de Mauro, o quanto ele seria fiel caso a prefeita e seu vice fossem novamente defenestrados, como resultado de suas intermináveis querelas judiciais.

Edson é o homem do "sim, senhor". Sua credencial política é só esta, e para seu chefe, basta.]

Não estamos a dizer que Mauro é um infiel, mas a lógica e a realidade no mundo da lapa são diferentes, ou seja, atos de tolerância política, dependendo do alvo, significam alta traição.

Esperemos o desenrolar dos fatos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Douglas,
É indiscutível o poder soberano de Garotinho hoje em nossa cidade. Mas nos próximos anos teremos eleições estaduais e nacionais, e pelo que tudo indica, ele perderá forças. Na próxima eleição municipal ele não poderá contar com nenhum de seus parentes (filhos e esposa), sendo obrigado a indicar um de seus bonecos, que na maioria das vezes não são bons de votos. Partindo dessa análise, você acha que a oposição em Campos poderá ter algum sucesso?
Abraço e parabéns pelo blog, é cada dia melhor.
Paulo Sérgio

douglas da mata disse...

Paulo, grato pela generosidade e sua importante participação.

Veja, o modelo garotista está posto, e salvo pequenas adaptações de percurso, não muda.

A pergunta é: mudará a oposição?

Se a história e os fatos recentes são indicadores de futuro, é bom esperar o pior.

Nenhuma lição, nenhum capital social ou político foi agregado pelo PT local a partir do que foram as últimas eleições, ainda que o candidato tenha amealhado mais de 60 mil votos.

Não há como disputar a preferência do eleitorado com a dinastia da lapa, imitando-lhes os modos, ou imaginando que a estrutura que o sustenta escolherá outro lado. Pela imitação, os eleitores e financiadores ficam com os originais, que são estáveis, previsíveis.

O cenário da sucessão de Sérgio Cabral tende a ser rico, mas as alternativas, como Lindbergh, parecem reproduzir uma lógica mais próxima do garotismo, ainda que mais sofisticada.

Eu não leio uma conjuntura favorável.

Não se muda os modelo garotista copiando-lhe os métodos.

E boa parte desta macaqueação vem do fato que a maioria dos oposicionistas aprendeu a fazer política naquela cartilha.

O PT, por sua vez, não dá sinais de vida.

Para mudar este jogo, é preciso inverter sua direção: desentranhar o assédio do dinheiro no processo, estimular as instâncias orgânicas de debate com a sociedade e dentro dos partidos, falar das coisas, ser repetitivo, cansativo até...

Fazer o que se fazia antes, ir nas assembleias dos sindicatos, debater estas agendas, políticas públicas, funcionalismo, etc.

Isto dá um trabalhão, mas não há outro modo...

Anônimo disse...

Entendi. Mas a derrota de Garotinho por aqui, por mais que seja por um outro grupo (qualquer um da oposição) que "faça política na mesma cartilha que a dele", para usar um termo seu, não seria melhor do que ele, ou menos pior?
Não acredito que teremos uma mudança tão radical nos modos de fazer política de forma tão rápida, portanto, é melhor sem ele no poder do que ele controlando tudo, como acontece hoje. Ele sufoca todos os espaços: rádios; televisão; polícias; sindicatos; associação de moradores; câmara de vereadores; jornais; e até o Goitacaz. Acredito que com Ele enfraquecido, a cidade poderia ter mais liberdade, e até mesmo com isso criar mais possibilidades e mecanismos de desenvolver outros modos de fazer política, como você disse.

douglas da mata disse...

Este é um debate: Derrotar o casal é tão importante a ponto de utilizarmos o modelo deles de fazer política?

Eu acho, conceitualmente, que derrotá-los na cartilha deles é nos derrotarmos primeiro.

Como eu disse, a mudança é gradual, lenta e estrutural.

Mas 20 anos já se passaram, e quantos mais vamos esperar para começar?

A questão é que o entranhamento dos modos políticos aqui praticados encontram respaldo na população, que parece rejeitar esta sua tese de "mais liberdade", justamente porque as expectativas estão depositadas na lógica da grana abundante como indutor de políticas públicas.

Como tem dinheiro à rodo, pouco importa o processo de decisão de uso do dinheiro, porque sempre haverá algum para atender as demandas populares, ainda que tais iniciativas governamentais seja, eivadas de desvios e re-financiamento do esquema.

O que o PT e as oposições devem mudar a lógica de debate político, apontar as falhas no processo de decisão de políticas públicas, etc.

Enfim, como eu disse, o processo é lento.