terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Ritmo de fim de mundo ou de fim de ano?

É tentadora a mania de balanços com a chegada do fim do ano. É o processo natural, e quase involuntário, de que se serve a Humanidade: Demarcar o tempo, delimitar a duração dos processos, quaisquer que sejam eles dentro de períodos, olhar o resultados, aproveitá-los, descartá-los, e planejar outras etapas, e por aí vai.

Não é à toa que a percepção que temos do tempo se dê em movimentos circulares.

Cedamos a tentação:

No campo nacional, o campo de batalha parece bem definido: de um lado, os que detêm a hegemonia do poder político capturado nas urnas, mas que não detêm a hegemonia dos meios de produção de discurso ideológico(a mídia), e nem conseguem alterar a maneira como os interesses financeiros hegemônicos e capitalistas incidem sobre o sistema político.

Ao lado, pretendendo pairar acima destes interesses, mas servindo aos que não detêm os votos, o sistema jurídico, representado na lamentável (im)postura do STF.

O debate permanece interditado, mas parece-nos claro o que está em jogo.

A História da Democracia no Brasil é marcada por intervalos de solução de força, que sempre representaram a imposição de uma visão de mundo que não era da maioria da população, mas sim de grupos restritos que reivindicavam falar em nome de toda população.

Mais ou menos como matar a Democracia para "salvá-la" do "contágio indesejado" dela pelo que lhe dá sentido: a decisão popular!

Não é à toa que eram soluções violentas, porque desconheciam outra forma da mediação dos conflitos sem que um lado estivesse ajoelhado ou eliminado(metafórica e fisicamente).

O desafio é encontrarmos o tom correto para a música que devemos dançar. E não cedermos ao desejo de flertar com o autoritarismo com o qual nos acenam esta minoria raivosa e sem voto!

A medida correta para a colocação da hierarquia dos poderes que presentam o Estado e sua sociedade: Não há dúvidas, neste sentido que o a política, como expressão da vontade popular outorgada em mandatos representativos, o maior bem a ser preservado, sem a aniquilação dos demais.

Porém, é urgente à Democracia brasileira entendermos que a burocracia(militar, judiciária, policial, etc) sem mandato submete-se ao estamento político, e nunca o contrário. Porque, em suma, a lei e o sistema jurídico nada mais são que a expressão política dos que detém o poder originário: O povo!


Já no campo local, nesta planície de lama, as notícias são, igualmente, desanimadoras:

A repetição do modelo de gestão que tem a simpatia popular, ainda que pareça nos levar a um abismo, ou a um processo de autofagia, dramaticamente revelado no desespero da manutenção dos royalties, justamente, porque anos e anos de soterramento por estas verbas não nos dotaram de capacidade de ir além desta mesada bilionária.

Não se trata de desconhecer o valor do voto popular, em clara oposição e incoerência ao que afirmamos antes, acima. 
Mas identificar um traço que torna iguais as oposições demotucanopata nacional, e a local zégeraldiana(que considero a visão mais "acabada" de nossas limitações, para além da falência múltipla dos órgãos petistas e do neomoralismo macapense do piçol do erick), isto é: a total incapacidade de construir algum discurso que aponte a alguma alternativa dentro dos limites da disputa política.

Aqui encerram-se as diferenças, pois nem podemos, nem devemos, comparar a política do PT para o Brasil, com a que temos aqui em Campos dos Goytacazes, tocado pelo projeto oligofrênico de poder do deputado do PR.

Basta enxergar a diferença entre os dados disponíveis, o mais revelador: O Brasil incluiu milhões na classe média. A família da lapa não retirou a cidade do atoleiro que mistura déficit educacional, desemprego maior que a média, e um IDH sofrível.

Se dividirmos o PIB per capita disponível do Brasil e da nossa cidade, e as diferenças colossais entre administrar um país como o nosso, e uma cidade como a nossa, onde aqui os governantes contam com parlamento domado, empreiteiros do lado, imprensa na coleira, etc e Justiça sonolenta, veremos que a igualdade de situação entre a oposição demotucanopata e a nossa oposição local é uma absoluta e completa declaração de vergonha e incompetência para nós. Todos nós, onde me incluo.

Some-se a este quadro desastroso, a ameaça representada pelo grupo X na região, com potencial para piorar e muito, os indicadores sócio-políticos, e o desrespeito pelas instituições, tudo massacrado e triturado pelo poder econômico e seu pantagruélico apetite por terras, gente, e lucro, não exatamente nesta ordem!

Não há motivos para ter esperança. Se tomássemos como referência só a vida aqui, o melhor que poderia nos ocorrer seria que os maias estivessem certos.


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