sábado, 22 de dezembro de 2012

"O futuro é opaco!"

A frase acima é de um economista famoso, mas não sei se foi o Maynard Keynes ou o John Galbraith que disse.

Não há, por mais que se tente, chance de prescrutar o futuro, ainda que tenhamos as variáveis mais confiáveis.

Esta frase soa tão óbvia que até lhe retiraria qualquer sentido!

Mas não é tão simples assim, aliás, nada é. Diversos campos da ciência foram construídos com esta intenção, ou ao menos com o objetivo de garantir um mínimo de probabilidades factíveis, inferindo um conjunto de decisões e ações de todos os setores da sociedade, desde os atos mais complexos, até a mais simples escolhas cotidianas.

Ciência política, previsões metereológicas , economia, estatística, etc. De um modo ou de outro, todas projetam cenários.

E por mais paradoxal que pareça, esta ação de sondagem do futuro influencia o porvir.

O grau de acerto (ou de influência) depende de muitos fatores, como já disse, mas uma é premissa indispensável: a confiabilidade dos dados disponíveis, que devem se afastar o máximo da tentação de contaminar a realidade virtual que se projeta, senão é manipulação rasteira, muito comum aos "analistas econômicos" da grande mídia nacional e internacional, onde temos aqui expoentes como míriam leitão, sardenberg e outros colonistas de coleira, que sempre induzem entendimentos que favoreçam os interesses que defendem.

No campo da economia e política regionais, dois assuntos que têm mobilizado a nossa futurologia é o Porto do Açu e as empresas X, de um lado, e de outro lado, os royalties do petróleo.

E o que une estes dois temas? A total falta de transparência dos principais atores, que determina um grau de incerteza que ameaça qualquer chance razoável de prever estragos ou prejuízos que possam estar por vir.

Este nível de insegurança arrasta, no caso do Porto do Açu e os empreendimentos ali alocados para uma zona perigosa de desconfiança que, pelo jeito, já começa a demonstrar seus efeitos devastadores.

Ainda que o senhor X e sus tropa de jornalistas e X-trolls e outros midiotas tentem a qualquer custo resgatar a imagem, a marca indelével já foi feita: As estratégias e táticas empresariais não são transparentes a um nível que inspirem confiança. 

Isto é mortal para qualquer empresa, ainda que saibamos que no mundo corporativo, nem tudo possa ser revelado sem colocar em risco sistêmico as organizações.

Mas até estes limites têm que estar claros!

No campo dos royalties, a falta de transparência se manifestou como desastre por outros motivos, não menos perniciosos.

A incapacidade plena do grupo que governa esta cidade há mais de 20 anos em permitir que a população participasse ativamente, e não como espectadora-beneficiária-cúmplice do monumental desperdício de dinheiro praticado aqui, retirou desta população qualquer chance de demonstrar uma indignação cívica na defesa dos royalties.

É certo que a vontade política de toda federação se impõe sobre nós. Mas em nenhum momento, nem entre nós, e nem entre os que nos enxergam de fora, há o menor traço de que estejamos sob alguma injustiça!

Nossa defesa do dinheiro é só isso: defender o dinheiro, e não os valores de prosperidade e justiça social que ele pudesse trazer ao longo deste anos.

Se fôssemos a cidade que poderíamos ser, pelo oceano de dinheiro que permitimos que torrassem em nosso nome, a tarefa de nos retirar os recursos seria muito mais difícil.

Faltou transparência nos royalties, falta transparência no Porto do Açu...e o futuro, além de opaco, nos parece que será também sombrio!


Um comentário:

Fernando disse...

Como diz a física quântica, ao tentar medir algo, já o modificamos. É o princípio da incerteza enunciado por Heinsenberg.
Quanto mais precisamente tentamos conhecer (medir) algo, mais impreciso seremos.
Acho que só o futuro nos dirá o que estas "partículas" X e defesa dos royalties eram antes. Pena que poderá ser tarde demais.