domingo, 16 de dezembro de 2012

EBX, OLX...O X do problema, ou X problemas?

Os comentaristas que infestam a blogosfera, monitorando e tentando responder os questionamentos sobre os rumos do empreendimento das empresas X, e mais, sobre os impactos que estes empreendimentos causaram, causam e vão causar sobre sociedades locais e seus orçamentos públicos, têm, como é regra neste tipo de gente, alguns mantras, que são tão velhos e antigos quantos o "esquerdismo" que pretendem combater.

Primeiro, eles se situam no campo "da modernidade", "do progresso", mas empregam na imposição destes "valores" a mesma lógica de sempre: subordinação do poder político pelas "doações", aluguel do verbo da mídia pela verba, criminalização dos movimentos sociais que os contestam, desclassificação dos argumentos científicos contrários, reduzindo os temas em debate a rótulos e lemas, como "livre mercado", "gosto pelo risco", "coragem empreendedora".

Óbvio, as simplificações dos processos por pessoas que só enxergam a si e seus interesses só poderia ser com a associação a "qualidades pessoais".

Mas no campo da realidade, quando seus argumentos não prosperam (e quase sempre são desmascarados) agem politicamente com o fim de turbar ou diminuir o peso das opiniões divergentes fora do campo público de discussões, e no fim, tentar calar os críticos com o aparelhamento da Justiça.

Este breve introdução é para que entremos no tema em si: As empresas X constituem um alternativa de desenvolvimento sustentável, calcada em um relacionamento transparente com a sociedade, e difusora de práticas de governança corporativa que inspire confiança na sociedade e investidores?

Em nossa rasa opinião não!

E a opinião ainda é livre, não?

Então, vamos a nossa, fazendo a ressalva de que tudo que se fale sobre a empresa X e suas intenções é nebuloso, porque a empresa é pouco transparente.

01- O processo de apropriação da faixa de terra denominada DISJB, sob o argumento de que o interesse público ali residia pela natureza dos empreendimentos previstos, transgrediu regras básicas do mercado e da convivência institucional das empresas e governos.
O preço pago aos produtores, a título da desapropriação foi muito menor que o que seria praticado se a negociação não contasse com a "intermediação"(indevida, a nosso ver)do governo.
No fim, a justificativa, o DISJB, se revelou infrutífera, logo, um único beneficiado: O empresário. Do outro lado, governos que empenharam capital público, e seu capital político para gerar empregos e um novo arranjo produtivo na região, e os donos da terra, expulsos em nome destas premissas, assistem o nascer de uma "Nova Macaé", transferindo terra e renda ao extrativismo sazonalíssimo, e altamente impactante, vide o caso da "Velha Macaé".

02- Quando uma empresa lança títulos no mercado(neste caso ações), o valor da unidade, share, é calculado a partir de uma mistura(cesta) de indicadores, que vão desde a atividade, o perfil da empresa, e claro, o risco que estas atividades oferecem.
A regrinha simples é: empresas que operam atividades industriais pesadas, ou de infra-estrutura, com remuneração de investimentos no longo prazo, pagam menos aos investidores, mas dão maior segurança.
Já empresas ligadas a atividades extrativistas como o petróleo, que dependem de marcos regulatórios, geralmente, impregnados pelos aspectos geopolíticos e de estratégias de soberania, crises e guerras, e enfim, que reagem de forma quase instantânea aos humores e oscilações das commoditites, remuneram melhor, pelo alto risco embutido. 

Parece, então, que a mudança de perfil poderia ser uma enorme vantagem para os investidores, não?

Efeito DenoreX. Parece, mas não é.

Ora, ao "desprezar" e "desdenhar" os chineses e outros investidores estrangeiros, antes anunciados como indispensáveis, o senhor X vai dando uma tremenda rasteira nos seus sócios-acionistas.

Qualquer empresário que se gaba de ser o que é, saberia com cinco ou seis anos de antecedência  que a crise de 2008 não permitiria novos investimentos de larga escala em indústrias de base(metalurgia, siderurgia, etc)pelo simples fato de que haveria capacidade ociosa instalada.

Assim, as empresas X lançaram no imaginário popular, de acionistas a governos, a ideia que melhor lhes convinha, tanto para açambarcar terras a preço de banana, quanto para vencer as licenças ambientais, e por último, angariar a simpatia e apoio popular ao empreendedorismo vencedor que gera milhares de empregos.

Agora, vencida a primeira etapa, está na hora do freio de arrumação, e o controlador começa a dilapidar sua imagem, em uma jogada clássica: baixar o preço das ações, e poder recomprá-las a preço de banana, corroendo o capital dos acionistas que financiaram suas posições.

Os próximos passos poderão ser o fechamento do capital, que é bem provável, e, ou a transferência de controle a outro grupo por bilhões de reais, com a justificativa de quem foram os "opositores esquerdistas", "radicais e ambientalistas" que inviabilizaram suas boas intenções.

Deste modo, o aumento de grau de incerteza sobre o investimento é fake, pois o controlador sempre esteve no controle de todas as variáveis.

Repete-se, quase como farsa, a lógica que o catapultou ao púlpito dos maiores players internacionais.

Aguardemos.

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