sábado, 15 de dezembro de 2012

As crianças de Connecticut e o massacre ao bom senso!

A mídia faz coro, os "especialistas" se alvoroçam. O roteiro não muda. Toda vez que surge um caso excepcional, querem todos mudar a regra.
É assim no Brasil, é assim em nossa "matrix", os EEUU.

Ora, se a existência de armas em profusão, algo em torno de 300 milhões legalizadas, como diz a mídia corporativa, nos EEUU, isto não pode ser, de forma alguma associado como causa única deste tipo de episódio violento e trágico.

Não morro de amores pela indústria de armas, e reconheço nela boa parcela dos problemas de segurança pública que enfrentamos no Brasil, embora se apresentem como "solução".

Ora, se há armas para os órgãos governamentais, e há armas ilegais em bom número para os criminosos, tudo nos leva a crer que a produção é suficiente para alimentar os dois lados, não? Ou será que fabricam-se armas como plantamos tomates, ou outro vegetal qualquer, onde há chance de super safras não previstas?

É muito difícil de acreditar nisto, portanto...

Mas por outro lado, se a existência de armas legais nos EEUU é um dos ingredientes que possibilitam a ocorrência de massacres, esta ideia não dá toda a dimensão do fato, se considerarmos que a disposição de cometer tais chacinas não é suficiente para demover tais malucos de consumá-las.

No Brasil, os crimes que aconteceram com esta natureza, o caso da escola em Realengo, no RJ, e o caso do cinema em SP, com o estudante de medicina, senão me engano, foram cometidos com armas compradas no mercado ilegal.

Se considerarmos que os EEUU mantém 4 mortos por homicídios dolosos a cada 100 mil habitantes, enquanto nós patinamos em 21 ou 22 a cada 100 mil, em uma taxa que até 10 anos atrás era de 50, e que em alguns estados permanece em 68, o discurso contra as armas, por si só, não justifica a existência de episódios violentos.

Neste aspecto, proibir ou restringir o mercado de armas nos EEUU só vai criar um imenso mercado ilegal, e fomentar outro ramo poderosíssimo de crime organizado.

O que se pode fazer, se for possível, e identificar estratégias e táticas para a prevenção deste crime específico, que já se revelou muito difícil, dada a instabilidade e poucas variáveis disponíveis, até porque os criminosos tendem a se matar, tornando impossível a definição de um padrão psicológico que possa ser usado como referência.

Por outro lado, há sempre o risco da criação de estereótipos e histeria em torno de pessoas que carreguem os traços considerados "perigosos ou de risco", a partir de julgamentos baseados no terror e no medo.

Como aliás, parece acontecer sempre...tão inevitável quanto o sofrimento, parece ser a morte do equilíbrio...


Um comentário:

Anônimo disse...

A sua análise é muito boa.