terça-feira, 6 de novembro de 2012

PT: O silêncio dos não-inocentes?

O Silêncio dos Inocentes
(Nesta cena, o presidente do PT local espanca a realidade ao seu redor para não incomodado por ela.)


Há, em qualquer legenda que vence as eleições, uma clara confusão entre partido e governo. 

Quer seja pelo "aparelhamento" necessário dos cargos políticos que conferirão uma cara programática a administração, quer seja pelo encolhimento do debate partidário, que não raro fica engessado entre a demanda de defender ações de governos que, às vezes, atendem agendas ideológicas estranhas, e a frustração da impossibilidade de atender completamente a agenda própria.

Claro, partidos mais organizados sofrem mais com este processo, como foi o caso do PT.

Mas com o passar do tempo, os partidos devem redefinir e reaprender seu papel no jogo democrático, sob pena de deixarem à deriva os governos, engolidos pelas vagas reacionárias, que não limitam sua ação ao jogo convencional, esposando expedientes de low politik, com o luxuoso e inesgotável da mídia corporativa.

Esta demanda recai sobre o PT nos dias de hoje. 

Superadas as eleições municipais de 2012, fica clara a configuração da sociedade brasileira, e mais, ficou claro que o PT deve reaproximar-se dos campos políticos dos quais se afastou para focar a consolidação de seu projeto eleitoral, que por certo, não pode ser abandonado ou negligenciado, mas que encontra-se em situação muito mais favorável.

O diálogo político  permanente com a sociedade e movimentos organizados tem que ser retomado, para que se restabeleçam os laços de solidariedade política que fortaleceram a trajetória e história do partido, tanto para arejar(o partido), quanto para colocar as demandas específicas na agenda de mudanças necessárias, evitando que outras forças políticas se apropriem destas. 

Em outras palavras: 
Construir um projeto nacional(e mantê-lo) significa não permitir que as expectativas que costuram o tecido social sejam esgarçadas em conflitos que extrapolem as reivindicações em si.

Bom lembrar que foi assim que o PT chegou ao poder e se consolidou por lá. Mantendo-se organicamente ligado aos movimentos sociais setoriais, e isto lhe permitiu uma visão integrada e integralizadora da realidade, corroendo pouco a pouco o capital político dos governos.

O episódio do julgamento da ação 470 é emblemático: Como o PT ao longo de tantos anos de governo, com o avanço de seu apoio e eleitorado desde então, com uma base de apoio parlamentar favorável, se exime de discutir o estamento normativo do Estado brasileiro?

Ora, não se trata de debater o "resultado" do julgamento, mas sim perguntar como a corte suprema interpretou de forma inconstitucional a constituição que deveria defender.

Agora, com sede de vingança, petistas pela internet clamam que a mesma injustiça recaia sobre os demotucanopatas e seus "mensalões"!

Não é novidade que no Brasil sempre houve os presumidamente "culpados"(que enchem as cadeias ainda que inocentes) e os presumidamente "inocentes"(que nunca serão mandados para lá ainda que culpados).

Não há justificativa para o PT, uma partido que teve como presidente um integrante da classe que sempre é tratada como culpada(pobre), não tenha tocado neste sistema de castas judiciárias brasileiro que enche as cadeias de pobre e pretos não porque estes sejam MAIS culpados ou cometam MAIS crimes, mas simplesmente porque são os únicos considerados desta forma para efeitos de punição.

Como também não tocamos nas estruturas da desigualdade que são mantidas por este sistema judicial que afetam outros direitos que não só os afetos a justiça criminal. 
Exemplo?

A desapropriação das terras da Cambahyba e o do distrito industrial de SJB.

Gravíssimo o silêncio das lideranças petistas locais, ainda mais se considerarmos que o mandato da vereadora do PT está em curso.

Com o fim da (equivocada) necessidade de agradar deus e o diabo para se tornar palatável, quem sabe ela não poderia liderar o PT em uma volta a sua coerência no agir? 

Ou será que ela, de fato, já está sendo coerente ao se omitir?

Um comentário:

Anônimo disse...

Douglas, no PT local ainda não vi alguém com a sua lucidez. É uma pena que não tenhas ânimo e incentivo para retornar. As poucas lideranças que lá existem, se é que existem, estão num surto pscótico. Não sabem quem são, o que fazer e como fazer! O seu presidente, como já disse um dia um saudoso escriba: - até para atravessar a rua tem que dar a mão a alguém!

Amaro Rolinha - seu fã!