quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Porto do Açu: uma montanha de dinheiro público para gerar empregos em condições sub-humanas!

As notícias sobre o confinamento de trabalhadores em uma pousada em Grussaí, apelidada pelo bom-humor trágico das vítimas como "Carandiru", e que foi noticiada pelo Blog do Roberto, aqui, merece todo o repúdio da sociedade local.

Diante do silêncio da mídia de coleira local, e de vários blogs, fica o nosso estarrecimento.

Como pode um gerente ou diretor de uma corporação gigantesca se prestar ao papel cretino de dizer que tudo não passou de um "erro de comunicação"?

Como assim? É uma gozação com as autoridades e com os trabalhadores?

Então os processos de contratação e preservação dos direitos dos trabalhadores, e principalmente, a imperiosa exigência de que sejam tratados de forma digna, sucumbe a "falhas de comunicação"?

Então, senhores, é o caso de interditar e impedir que estes senhores e suas empresas continuem a fazer qualquer coisa, pois poderemos em breve assistir graves incidentes e violações, com conseqüências irreversíveis a trabalhadores e ambiente se tudo continuar por "um fio", ou pior, nas mãos de gestores tão cínicos e frios!

Tenho uma sugestão ao Juiz e ao Ministério Público do Trabalho: Uma pena alternativa, ou seja, que patrões e gerentes sejam condenados a ficar alojados no "Carandiru" no lugar dos peões enquanto durarem as obras. A seu lado, os peões ficariam alojados nos hotéis luxuosos e com todo conforto, no lugar dos patrões!

É este o sopro "modernizador" que o porto e seus "sócios" trarão para a região? É este tipo de emprego que foi gerado com zilhões de reais do BNDES, do Estado e Município de SJB, através de subsídios e incentivos fiscais?

É para tratar gente pior que porco que amealharam o dinheiro dos impostos?

Parabéns prefeita de SJB, parabéns governador, parabéns mídia de coleira, parabéns FIRJAN...parabéns a todos que criaram este sonho capitalista para uns poucos, e pesadelo social para muitos!

2 comentários:

Anônimo disse...

Douglas:

As empreiteiras que estão no Açu (ex. A.R.G., ACCIONA) são empresas passageiras e portanto com pouquíssima ou nenhuma preocupação com o local. Seja o trabalhador, os fornecedores, as pessoas em geral, a cidade ou o meio ambiente. Elas dependem dos contratos e farão tudo para cumpri-los com o menor custo possível. Estão estragando a Av. Arthur Bernardes (que utilizam como corredor logístico), pressionando fornecedores, desrespeitando trabalhadores etc.
Elas não estão no mesmo nível das empresas que vem para ficar (ou ficar por mais tempo) como a Technip por exemplo. Estas são mais preocupadas com a cadeia de fornecimento, com os funcionários, com a segurança e o meio ambiente. Não são santos, é certo, mas estão em outro nível.
Desenvolvimento não é crescimento econômico e muita gente sabe disso.
Dizer simplesmente "parem o açu" é igual a Land Rover da música: é mole, é lindo. Mas cobrar atitudes, os ajustes e o cumprimento das leis é que equivale a levar a gata pro fundo da Fiorino.

A quem cabe a regulação e o acompanhamento para impedir estes abusos?
Pois é.
Como você e eu sabemos a resposta, é fácil imaginar porque corre tudo meio frouxo como dizia a minha avó.

...

Não acho que as empresas sejam um mal em si. Não tenho esta visão. Se elas não estão respeitando as leis e meio ambiente que sejam re-orientadas, geridas ou punidas, mas sonhar com uma vida melhor é direito de todos. Não falo de abusos e contratações sub-humanas. Falo do sonho de melhorar de vida, de um bom emprego.
Sonhando! É o que estão fazendo neste exato momento todos os incluídos pelos últimos avanços do governo Lula/Dilma. Pessoas que querem uma oportunidade para os filhos, trabalhar, empreender, estudar...
Sei, é um sonho pequeno burguês como disse o Mangabeira Unger, mas é o sonho da grande maioria dos brasileiros. Eu respeito isso. Se todos os empresários são tubarões não restará onde se produzir até que alguem melhor que eles funde a sua empresa e a administre de maneira diferente. Ou o estado faça isso, mais aí é muito mais complicado. Ou então, paremos todos de consumir, o que é impossível...
Sei que isso não é simples assim pois a concentração (de recursos, informações, oportunidades, não é igual para todos). Não dá para tratar diferentes de maneira igual, mas eu desconfio que ainda não está em funcionamento nada melhor para sustentar o nosso tipo de sociedade.

Empreender não é fácil. Com dindim da viúva é, mas para a maioria dos mortais significa apostar parte da vida num sonho. E eu respeito bastante quem sonha...

Um cordial abraço!

douglas da mata disse...

Caro comentarista.

No ramo do direito, existe uma coisa chamada solidariedade e subsidiariedade, ou seja: respondem todos da cadeia produtiva, ou quem ficar.

Ora, os direitos e garantias fundamentais dos trabalhadores, e o ferimento mortal de sua dignidade no trabalho não estão disponíveis aos conceitos de diluição de responsabilidade ou dos processos de implantação e atividade de empresas.

Se está acontecendo, a pena(a interdição) funciona como um grave aviso que estes abusos não são tolerados.

Um dado: estes abusos geralmente acontecem com categorias de trabalhadores considerados mais rudes, ou seja, com pouca ou nenhuma capacidade de mobilização e contestação organizada, e fácil reposição em caso de demissão.

Não é simples parar o Açu, mas é o que deve ser feito, até que se adequem as regras.

O prejuízo tem que ser tamanho que valha à pena corrigir ao invés de pagar apenas multas. O que chamo de passivo jurídico intencional.

Até que se prove, não compartilho a visão de que a frouxidão é resultado de más condutas dos fiscalizadores. Creio mais que se trate de uma inércia provocada pelo "medo" que estas empresas provocam com o consenso que trazem, corroborado pela posição(de quatro) dos governantes que presentam o Estado.

Então, o cara pegunta: Opa, como vou mexer com este cara, se o governador tá com ele?

É antes um problema de conluio entre as forças do Estado e o capital, e não só um problema de desvio de condutas, no campo estrito!

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Quanto às empresas serem um mal em si, concordo. Nada é um mal em si, mas eu nunca assisti a uma empresa ou a um empreendedor cumprindo as regras e os limites, salvo quando sob a coerção do Estado.

As pessoas têm o direito de sonhar com um bom emprego, mas eu acredito que é justamente usando esta boa crença que crápulas como o senhor X e seus sócios reivindicam a leniência com os abusos que praticam para entregar estes "empregos". A mais pura e deslavada chantagem: olha, aguentem um pouquinho, que eu vou dar empregos bons!

É o Estado que regula e determina até onde vai o sonho privado e o pesadelo coletivo!

Veja se empresas como esta vão aos EEUU ou a Europa e tratam trabalhadores deste jeito?

Muito menos se o dinheiro público estiver empenhado.

Nossa região viveu, mal ou bem, sem esta escória.

Se começarmos a abaixarmos as calças desde o início, daqui a um pouco, o senhor X vai exigir a primeira noite de núpcias da noiva virgem dos aldeões do entorno de suas posses industriais, mais ou menos como no filme do Mel Gibson, Coração Valente.

Respeito quem sonha! E em nome deste respeito que não reconheço os que abusam deste sonho para enricarem às nossas custas!

Grilagem de terras.

Milícia armada.

Desrespeito as trabalhadores...o que mais vem?