quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Porto do Açu e Grupo X: Notícia ruim nunca vem desacompanhada.

A derrocada das ações do grupo X tem sido alvo da atenção de alguns setores da blogosfera local, por motivos óbvios. 
O "mercado" começa a dar sinais de ter esgotado sua "paciência", e até a Bolsa de Valores, esfera conhecida por "vender e comprar" papel e expectativas, indica que tamanha incerteza e ficção tem limites.
Ações foram uma solução encontrada por empresas para capitalizarem, buscando dinheiro com novos "sócios", que partilhavam pequenas partes do negócio (share) na esperança de dividir os lucros gerados pela atividade econômica exercida pela empresa.
Claro, como todo setor de financiamento e alavancagem, o mercado de ações sofisticou-se e deixou de ser um mero meio para transformar-se em fim em si, com derivações e subderivações que alimentam uma cadeia de especulação que às vezes não reflete a situação real das empresas que lhe dá causa, ou em tintas mais graves, arrasta empresas (e países mais frágeis) apenas para satisfazer sua caótica busca por lucros, com pouca ou nenhuma subordinação as regras e parâmetros econômicos chamados "reais".
Mas neste caso específico, das empresas X, o recado do mercado é claro: Acabou o tempo para ilusionismo. Os investidores querem que as "promessas" do "maior corretor" de ilusões do país se efetivem em negócios reais, ou nas palavras dos "especialistas", em ativos tangíveis!

Nossa região tem sida atingida pelas venturas e desventuras das ações mega-empresariais do senhor X, e aguarda com respiração suspensa o desenlace do que parece um enorme conflito entre promessas e realidade.

Com as mudanças na distribuição dos royalties, esta situação assume ares mais dramáticos, haja vista que os defensores sine quae non do grupo X, fiadores da visão de mundo calcada na premissa (falsa)que riqueza é igual a prosperidade, colocaram no grupo X toda sua esperança no desenvolvimento local.

Os fatos não mudam, ou seja,  com muito ou com menos royalties a cidade e a região sobreviverão, e com ou sem o novo marco civilizatório prometido pelo senhor X, a cidade e região seguirão seu rumo.

Mas é a sociedade local que deve decidir a forma como se submeterá a estas mudanças sócio-ambientais, e não um conglomerado empresarial apoiado pelas decisões "amigas" dos governantes.

Li no blog do Marcos Pedlowski que o Promotor da Tutela Coletiva, Leandro Manhães, começa a colher os subsídios para propor uma ação a Justiça que casse a licença ambiental ao grupo X, via de regra pela subestimação dos impactos gerados no relatório(RIMA) apresentado pelo grupo junto aos órgãos oficiais, que se materializaram na salinização das águas e do solo da região onde o complexo está sendo implantado.

Infelizmente, mais uma vez parece que partidos políticos, movimentos sociais, e outros interessados, fingem não saber o que se passa ali, delegando ao Ministério Público a exclusividade da iniciativa. 
No campo jurídico, o MPE é a instância adequada, mas os questionamentos de ordem política não podem ser encaminhados por esta instância ministerial.

Felizmente, a Universidade Estadual Darcy Ribeiro atendeu "ao chamado", e produz os estamentos científicos para a empreitada que se inicia.

A reação do grupo X, que adora apregoar suas lições de "modernidade", ecoadas como mantra pelos seus acólitos de coleira, é a mais clássica e conhecida: gente armada para intimidar que lhes desafia os interesses e ameaça o lucro.

Ora, ora, ora, é esta a resposta do grupo X a quem lhe questiona? Esta é a disposição para "dialogar" com os diversos setores da sociedade?
Ou será que o diálogo só é válido como repetição do roteiro já definido para a encenação?

Aqui a nota triste para quem um dia acreditou na "sinceridade" das preocupações do grupo X com as comunidades e o ambiente locais, é chato mais eu não resisto:

Nós avisamos, não se senta à mesa para discutir o menu com canibais!

O silêncio de deputados, vereadores, e outros "legitimados" é ensurdecedor e estarrecedor, mas é "explicável".

O passo do Ministério Público Estadual parece ser o primeiro de uma enxurrada de más notícias.

O anúncio do naufrágio da quimera siderúrgica(que eu tenho sérias dúvidas se de fato algum dia foi sério) atinge o complexo das empresas X em seu âmago, uma vez que boa parte das terras que lhe foram entregues são resultado da desapropriação (grilagem?) pelo governo do Estado sob o "argumento" de que o interesse público residia na implantação deste parque industrial que não vem mais.

Este blog já falou no assunto, mas nunca é demais lembrar: Sem parque industrial o objeto da desapropriação deixa de existir, ou seja:
Deverão ser anulados TODOS os decretos, reconstituídos os direitos reais, ou caso haja acordo, em bloco ou separado, pago pelo grupo X( e não pelo Erário) o valor corrigido e real das terras pretendidas para o fim que o grupo decidir, em uma transação de compra e venda sem a intervenção,  literalmente, manu militari do Estado.

Leia os texto anteriores sobre o tema:

Os Arautos do Apocalipse do Mar Morto do Açu.



Negócio da China: Porto do Açu e a "desrreforma" agrária.







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