terça-feira, 27 de novembro de 2012

A cidade!

Em homenagem ao agradável almoço que tive ontem, onde pude papear sobre tanta coisa, mas principalmente, sobre a (nossa)cidade, que enfrentará mudanças que se anunciam, e que ameaçam aprofundar os processos de exclusão já existentes, bem como criar novas forma de exclusão e concentração de poder e riqueza. Já que a inspiração é sempre a genialidade de Chico Science & Nação Zumbi, destaco aqui apenas a letra da música A Cidade. 
O vídeo está aí embaixo para quem quiser. 
É Recife, mas poderia ser Campos dos Goytacazes, poderá ser SJB e o Açu. 
Lá no vídeo, a animação não mente: é da violência da cidade e sua antropofagia metafórica ou literal que nasce a solução, ou ao menos, a vocalização cultural do problema!

A Cidade.

O Sol nasce e ilumina as pedras evoluídas,
Que cresceram com a força de pedreiros suicidas.
Cavaleiros circulam vigiando as pessoas,
Não importa se são ruins, nem importa se são boas.

E a cidade se apresenta centro das ambições,
Para mendigos ou ricos, e outras armações.
Coletivos, automóveis, motos e metrôs,
Trabalhadores, patrões, policiais, camelôs.

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.

A cidade se encontra prostituída,
Por aqueles que a usaram em busca de saída.
Ilusora de pessoas e outros lugares,
A cidade e sua fama vai além dos mares.

No meio da esperteza internacional,
A cidade até que não está tão mal.
E a situação sempre mais ou menos,
Sempre uns com mais e outros com menos.

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.

Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tú.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus. (haha)
Eu vou fazer uma embolada, um samba, um maracatu
Tudo bem envenenado, bom pra mim e bom pra tú.
Pra gente sair da lama e enfrentar os urubus. (ê)

Num dia de Sol, Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.

A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.
A cidade não pára, a cidade só cresce
O de cima sobe e o debaixo desce.

3 comentários:

Roberto Moraes disse...

Bom demais.

Não conhecia estes versos.

Abs.

douglas da mata disse...

O vídeo é melhor.

Mostra, em animação, um morador da rua assassinado por dois brutamontes.

Um caranguejo se aproxima, e come os restos mortais da vítima.

Ao fazê-lo, transforma-se em músicos homens-caranguejo.

Moral: a própria cidade recicla seus processos de violência e exclusão através da criatividade e talento dos excluídos, que se alimentam de sofrimento, e dialeticamente, apontam o caminho nas suas várias manifestações político-culturais!

douglas da mata disse...

Caro comentarista, os textos de outros veículos têm que ser acompanhados dos créditos.

Este blog tem uma política bem restritiva em divulgar matérias dos órgãos de coleira locais, geralmente, só o fazemos quando para expor alguma crítica e, ou incoerência.

Se quiser fazer seu protesto sobre a morte da paciente no Hospital Beda, que de acordo com os parentes foi causado por negligência, fique à vontade, mas o faça de sua própria lavra, pois o material deste site não é bem vindo aqui.

Grato pela compreensão.