terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vinde a mim as criancinhas...

Ao que parece, boa parte do clero católico, acobertado pelo silêncio omisso de seus superiores durante os anos, levou ao pé da letra as palavras do carpinteiro bastardo...leiam a matéria da Agência France Press, reproduzida na Carta Capital:


Agência France Press

Escândalo na Igreja

08.10.2012 10:12

Internatos católicos suíços torturavam e abusavam sexualmente de crianças

ZURIQUE (AFP) – Milhares de crianças foram vítimas de violência e abuso em colégios internos católicos no cantão (divisão geopolítica) suíço de Lucerna até a década de 1970, revela um estudo em que os autores denunciam práticas “sádicas” similares à “tortura”, como o afogamento.

O estudo, encomendado pelo cantão, se concentra na situação em 15 internatos católicos entre 1930 e 1970. Foto: ©AFP / Daniel Garcia
“Havia sempre este medo incrível, medo, medo, medo”, contou, sob a condição do anonimato, o ex-aluno de um internato católico do cantão de Lucerna, região central da Suíça.
O estudo, encomendado pelo cantão, se concentra na situação em 15 internatos católicos entre 1930 e 1970, e principalmente em 50 ex-alunos, e deixa em evidência as práticas exercidas durante 40 anos atrás dos muros destas instituições.
“Durante um longo período, muitas crianças dos internatos se sentiram culpadas pelo que viveram. Algumas conseguiram superar, outras fracassaram e algumas chegaram a se suicidar”, contou Markus Furrer, professor da Alta Escola Pedagógica de Lucerna (PHZ), que durante um ano e meio investigou junto com outros dois colegas o obscuro passado destes estabelecimentos.
Sabia-se que havia casos de violência, sobretudo sexual, mas “não se esperava que fossem de tal amplitude”, admitiu Furrer.
Entre as práticas empregadas pelas freiras, um castigo consistia em “manter a cabeça das crianças debaixo d’água” para puni-las por terem feito muito barulho ou urinado na cama, afirmou Furrer, evocando o waterboarding, aplicado nos Estados Unidos na prisão de Guantánamo, em Cuba, contra acusados de terrorismo ou pelas ditaduras latino-americanas contra opositores políticos.
O relatório de cerca de cem páginas, ao qual a AFP teve acesso, resume as privações e as humilhações a que eram submetidos os jovens – com frequência de origem humilde – nestes internatos. A privação de comida era uma das práticas. “Não me lembro de ninguém que não tenha sentido fome. Praticamente todo mundo tinha fome”, relatou um ex-aluno.
Os castigos também eram aplicados em alunos que queriam beber entre as refeições. “Se alguém se inclinava em um bebedouro, recebia um tapa na nuca de forma que atingia o bebedouro com o rosto”, relatou outra testemunha.
Práticas sádicas
As crianças e os adolescentes também sofriam violência sexual. Para evitar que falassem, as freiras advertiam aqueles que queriam denunciar as agressões, ameaçando-os com a “ira de Deus”.
Segundo os autores do estudo, “o nível de castigos e maus-tratos superou claramente o que era admitido na época”. Alguns educadores apresentavam tendências “sádicas”, aplicando práticas “próximas da tortura”, com socos e golpes com sapatos no rosto. Os pesquisadores destacaram também vários casos de agressões sexuais contra os alunos. Tanto meninos quanto meninas eram vítimas desses ataques praticados por religiosos de ambos os sexos.
“Ninguém dava crédito, sobretudo quando (a pessoa acusada) era um jovem sacerdote”, declarou uma vítima. Segundo os autores do estudo, mais da metade dos testemunhos dão conta de agressões sexuais. Em março de 2011, o cantão de Lucerna apresentou suas desculpas, tal como havia feito a Igreja Católica em 2008.
Esta última, que fez um estudo sobre o mesmo tema, reconhece os erros do passado. “Na época, os castigos eram habituais no meio religioso”, afirmou Valentin Beck, outro autor do estudo, acrescentando que os educadores diziam agir “em nome de Deus”. As agressões cometidas até o final dos anos 1960 já prescreveram e os autores dos abusos, em geral, já faleceram. As vítimas não têm qualquer direito a indenização.

3 comentários:

Blog Católico do Leniéverson disse...

Olá, Bom dia, Douglas, mas.....a Carta Capital?Hummmm...é aquela revista que tem 1% dos assinantes e compradores em banca em relação a Revista Veja ou "òia" pra vcs?Entendi, a Revista do Mino Carta, quer se julgar com credibilidade.Interessante. Quanto a matéria em si, a Igreja dentro da sua dimensão humana tem seus erros, assim como há muiitos juizes, políticos, vizinhos CASADOS até, que são envoltos com a pedofilia. A Carta Capital nem cita isso, porque como está a serviço de um partido de linha comunista, seguem as palavras inúteis de Marx que diz: "A Religião é o ópio do Povo". O que é natural?Falar das milhões de mortes geradas pelo Regime comunista não interessa, mas usar um discurso tendencioso contra a Igreja ahhhhhhhh isso pode, não é?
A minha vontade é: arranjar um jeito de mostrar esse texto com a sua introdução nas redes sociais, aos Bispos de Campos Dom Roberto Francisco e Dom Fernando Rifan para saber o que acham disso.

douglas da mata disse...

Leniéverson,

A "tiragem" da Carta Capital, suas motivações ideológicas não elidem o FATO, e contra estes não há argumento.

Outra coisa: o que mais espanta é que a "melhor" e "impoluta" "óia" sequer toque no assunto...

Sim, você tem razão e eu concordo: vários pedófilos se espalham por diversos estamentos da sociedade.

O problema, meu caro, que está embaixo de seu nariz, e você parece não querer enxergar(entendo até os motivos, afinal, pensar é bem mais difícil que aceitar os "mistérios da fé")é que a instituição Igreja Católica se omitiu em combater e punir, durante séculos, quando não incentivou, este tipo de comportamento que, dentro das esferas católicas, pelo número de denúncias que pululam todos os dias, não eram meros fatos isolados.

O seu argumento tosco poderia servir para a gente dizer: ué, mas tem gente desonesta em todos os partidos, na rua, vizinhos, juízes, homens casados, solteiros, por que só questionar os petistas?

Outra vez te respondo: porque há comportamentos que se misturam simbolicamente às instituições e são reprovadas socialmente nesta instância, ou seja: escapam do privado e vão a rejeição pública.

É o caso de padre e freiras torturando, seviciando crianças cuja tutela lhes era entregue, inclusive a do "espírito".

Tudo como beneplácito dos seus superiores através dos tempos. Quem se omite consente e acumplicia, meu caro.

Outro detalhe, Leniéverson: os erros dos regimes comunistas não desculpam outros erros.

Agora eu te pergunto: Comunistas "ateus" matando em nome do regime é inaceitável, mas na visão de vocês, era até de se esperar, afinal, foi por isto que Igrejas e a direita os combateram tanto.

Mas e a Igreja torturando e abusando de crianças, é de se esperar?

Em tempo: mostre o texto a quem você quiser, cago e ando para a o opinião dos bispos, ainda mais um que representa o fascismo na tradição, família e propriedade...

douglas da mata disse...

PS:

Leniéverson, na pressa eu nem notei o óbvio:

A Carta Capital só repercutiu, quem publicou foi a agência francesa de notícias, France Press.

Bom, quem sabe você vai querer questionar a legitimidade de uma das mais antigas agências de notícias do mundo, e colori-la de alguma cor "vermelho-comunista" para eximir os "pecados da carne" dos homens de pedro, discípulos do carpinteiro bastardo?