sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Temos o primeiro "condenado"....

Ouvi no rádio pela manhã que o delegado da PF será substituído por uma nova delegada titular.

Nada demais, a não ser o fato que o delegado titular não será removido para outra delegacia como titular, mas se tornará adjunto da nova delegada.

É bom que se diga: no serviço público, cargos de confiança não são propriedade do funcionário, e por conveniência da administração podem ter seus titulares alterados.

Por outro lado, no jargão policial há duas situações que significam uma "punição branca", uma espécie de "censura pública": A transferência para locais inóspitos ("bico") e o "rebaixamento" de delegados titulares para adjuntos ("geladeira").

Foi assim com o delegado Paulo Lacerda da ABIN, desterrado para Portugal, e Protógenes Queiroz da PF na Operação Satiagraha (Daniel Dantas-Oportunity), se bem que a perseguição a este último foi bem mais barra pesada.

É assim com vários delegados e agentes nas delegacias de polícia civil ao redor de todo país, sem exceção.

Basta incomodar os "amigos do poder", e tome "carrinho".

Trata-se de uma "acomodação", porque na medida que estes servidores cumpriram seu dever, não há como sancioná-los dentro de um devido processo administrativo, mas por outro lado satisfaz a sede de "vingança" do poderoso incomodado.

Este tipo de situação destrói carreiras e a própria instituição policial no país, tornando-a refém permanente dos humores daqueles que deveriam ser seu alvo principal.

E não dá aos "punidos" a menor chance de defesa, porque tudo transcorre dentro "da normalidade" dos atos administrativos.

Anote-se que não defendo uma criminalização da política, ou qualquer outro discurso moralóide.

Mas um estado de direito reconhece-se no afastamento das instituições de persecução criminal, Polícia, MP, Judiciário dos interesses dos governo para aproximá-los dos interesses de Estado

Engraçado é notar que nenhum blog ou veículo de mídia corporativa local lançou dúvidas de que o delegado estaria sendo "censurado" publicamente por ter incomodado pessoas poderosas.

Nos referimos a estes mesmos que fizeram inúmeras ilações sobre a conveniência da operação da PF, lançando suspeitas ainda mais graves de que há vazamento, ou "preferência" nos alvos para beneficiar este ou aquele grupo político, citando até os laços de ascendência do delegado, vinculados com a administração local.

Como eu já disse, no caso das suspeitas sobre o delegado ou no caso de sua "nova" função, só temos ilações.

Porém, o bom senso nos obriga a usar estes argumentos em sentido duplo, a fim de que não nos tornemos tão parecidos com aquilo que "dizemos" detestar.

Infelizmente, parece que para boa parte da imprensa e blogs locais esta linha de raciocínio é via de mão única...

3 comentários:

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
douglas da mata disse...

Comentarista,

Grato pela sua contribuição, e veja:

A transferência do delegado já estava prevista, para Macaé ou outra cidade.

O "rebaixamento" para adjunto não.

Ainda assim, se você prestar atenção no texto eu não me refiro ao fato da PF fazer seus ajustes, eu toco em outra ponta do problema:

Os mesmos que lançaram suspeitas contra o delegado, não o fizeram sobre sua "nova" condição.

Este é o eixo, até porque, como eu disse no texto, tanto as suspeitas de vazamento/favorecimento ou as sobre "o rebaixamento" estão no campo perigoso das hipóteses.

Nos parece injusto apenas, que só um lado destas injunções hipotéticas prevaleçam.


Quanto ao material, é bom lembrar que há decisão judicial proibindo a exibição de tais gravações.

No entanto, eu cito:

O blog recebeu e decidiu não divulgar links com as gravações do deputado federal em 1995, quando este conversava e tentava "liberar-se" da fiscalização da receita federal para possibilitar o funcionamento de um programa seu na TV ou rádio, que faria sorteios (que só podem acontecer com autorização da Receita).

Minha sugestão continua de pé: edite um blog e faça você mesmo...

douglas da mata disse...

Nenhum material de blog ou veículo que funcione como linha auxiliar de jornais locais terá acolhida neste blog.

Portanto, o comentário que copiou o texto do blog do sobrinho de deputado não será liberado.

Um abraço, e conto com a compreensão de todos.