terça-feira, 16 de outubro de 2012

REDA.

Recebemos sob forma de comentário:




Anônimo Anônimo disse...
Bom dia...

Venho aqui clamar ao Senhor que faça uma matéria acerca dos contratados do REDA, solicito que informe os verdadeiros culpados por este procedimento que estão deixando centenas de famílias desesperadas...

Quem deu essa ideia inescrupulosa a Prefeita foi a Sra. Ana Lúcia Boynard, nós funcionários desesperados não aguentamos mais essa Secretária que tanto nos humilha...

Thiago Braga Campos
16 de outubro de 2012 09:17


Tratemos então do tema:

Complicada a situação dos contratados pelo regime denominado REDA, na verdade, um neologismo para aquilo que já foi chamado de tantos outros nomes.

Com a ação popular em curso, os administradores ganharam a chancela da Justiça para prolongar o sofrimento destes contratados, com a suspensão de pagamentos, haja vista a necessidade de aguardar a justiça se pronunciar.

Passadas as eleições, é pouco provável que os atuais governantes patrocinem através da procuradoria municipal uma luta na justiça, a não ser para resguardar seus próprios interesses, que neste caso, pelo que parece, não coincidem com os dos contratados, ou seja: a prefeita e seus auxiliares se defenderão, mas só brigarão para "pagar" os salários devidos se isto for fundamental na defesa dela, caso contrário...

Bom, dito isto, é preciso analisar com certa humanidade o caso. Tempo pretéritos, costumava acreditar que os contratados tinham uma parcela de culpa pela própria situação, afinal, quem entra pela "janela" no serviço público não merece ser considerado uma simples vítima.

Mas com o passar do tempo, comecei a entender que se não são vítimas, ao menos não são os principais culpados.

Primeira parcela de culpa cabe aos órgãos judiciais e de persecução que assistiram, até dias recentes, a contratações e terceirizações que nada mais são que uma afronta ao princípio constitucional que resguarda o acesso ao serviço público pelo concurso.

O único punido até agora por contratações em troca de votos foi Carlos Alberto Campista.

E se, de fato, esta punição obedeceu o devido processo legal, ótimo.

Mas como já escreveu o Pedlowski, no meio de tantos, ele foi a exceção que só confirma a regra, onde apenas sobre ele recaíram os efeitos definitivos da sentença (afastamento e perdimento do mandato), e nem entre seus correligionários houve uma resposta à altura.

Ou ele é o mais culpado de todos, ou seus advogados e seus amigos não são tão advogados e amigos assim, ou tem coelho neste mato. Ou tudo isto, quem sabe?

Bom, a outra parcela de culpa, ou seja, a principal é a dos governantes.

Por onde quer que se olhe, não há como concluir que a "emergência" é uma opção gerencial para permitir e subordinar as contratações a agenda eleitoral.

Recém concluídos os concursos, estaria ali o capital de reserva de mão-de-obra, nos diferentes níveis de escolaridade e cargos, para preencher as vagas que foram ocupadas pelos contratados INDICADOS ou ESCOLHIDOS sabe-se lá por quais critérios.

Ou seja: um modo republicano de lidar com a precariedade, pois bastava chamar para o REDA quem foi classificado, mas não aprovado para o número de vagas, ou seja, o excedente.

Este expediente não é novo: Em 1992, em pleno surto epidêmico de infestação de domicílios por vetores da dengue, com o aumento correspondente de notificações de soropositivos, a então SUCAM, depois transformada em FUNASA, utilizou-se dos excedentes do concursos da CEDAE, e os incorporou ao esforço emergencial.

Sem QI, sem privilégios. Vínculo precário, mas dentro do princípio da publicidade e impessoalidade.

Enfim, para quem, por necessidade ou qualquer outra causa, se submeteu a entrar para o serviço público apadrinhado por alguém, nada mais resta senão esperar...é o risco do "negócio"...


3 comentários:

Anônimo disse...

Comentei no blog do Roberto mais ou menos a mesma coisa que você fala aqui. Não condeno quem aceitou o emprego precário, mas o risco de aceitar algo desta natureza é exatamente este. Embora o direito exista independente de como foi o acerto, é da natureza deste tipo de "contrato" estas surpresas.
Desejo boa sorte aos contratados.

George Gomes Coutinho disse...

Ana Lucia Boynard...

Nome inesquecível para todos aqueles que conquistaram a autonomia universitária da UENF que era subjugada a Fenorte.

A Fenorte era presidida por esta senhora nos tempos de Garotinho governador...Cabe lembrar que a mesma, junto de outros do clã, foi declarada persona não grata no campus....

douglas da mata disse...

Pois é seu George, funestas lembranças.

Se o curto período na Fenorte valeu de algo foi para colaborar com a UENF neste processo, diminuindo os estragos deixados pela déspota e seu séquito.