quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Presidente da Fundação Zumbi: "Um negro de alma branca"?

Esta expressão aí em cima, é mais um das que integram o extenso imaginário racista brasileiro. 

Durante muitos anos, e até hoje, dizer que um negro tem alma branca descrevia na visão do RACISTA um comportamento "social aceito, correto e, ou bem sucedido", "ainda" que a pessoa ostentasse a pele negra.

Na cabeça RACISTA, um negro só seria aceitável se mimetizasse jeitos e trejeitos brancos, ou se subordinasse aos brancos em temor e reverência, conformado e obediente as regras de desigualdade a que foi submetido.

Como todas as manifestações de pensamento, a expressão "negro de alma branca" variou seus usos. Também começou a ser utilizada pelos próprios negros como forma de reconhecer entre eles os que se aliavam aos racistas para obter vantagens, repetindo o triste papel antes relegado aos capitães-do-mato. 

Não foi sem surpresa que ouvi a repercussão, em um jornal governista local, sobre o caso da "empresária" RACISTA pela voz do presidente da Fundação Zumbi dos Palmares, órgão da administração indireta municipal responsável pelas políticas públicas de gênero e combate a desigualdade(pelo menos, é o que deveria fazer).

Para falar a verdade, surpresa não foi, mas indignação. 

Uma olhadela rápida na atuação recente da fundação revela seu alcance restrito e sua total incapacidade de entender o problema na qual está inserido. 

A tal fundação resume-se a  um "cursinho pré-vestibular", destinado a fortalecer as chances de alunos carentes, na maioria pretos, o que não é irrelevante, mas é muito pouco se olharmos as condições dos pretos nesta cidade. 

Se o presidente acha uma expressão RACISTA uma questão isolada, que tal dar uma espiada nas cadeias, necrotérios, ou nas favelas da cidade onde mora para entender que pobreza, encarceramento e morte por causa violenta dolosa têm cor, idade e geografia? 

Será que esta expressão "isolada" contextualizada nesta cena assume outras proporções?

Há tempos atrás, este mesmo órgão municipal, cedendo as  "conveniências partidárias", entrou enviesado em um debate sobre cultos afro-brasileiros, dobrando a coluna da cultura negra frente ao fundamentalismo religioso evangélico praticado pelos seus chefes políticos.

Após o episódio lamentável, que elevou nossa cidade a esfera nacional e internacional, mais uma vez pela infâmia, o presidente da Fundação ZUMBI DOS PALMARES, diz que foi "um caso isolado"!

É sem dúvida uma consideração isolada da realidade, de um negro de alma branca RACISTA!

3 comentários:

Anônimo disse...

Então a Fundação Zumbi dos Palmares existe para combater as desigualdades raciais?? Não sabia!
Pensei que era somente mais uma autarquia destinada a amealhar uns trocados para os dirigentes da vez...
O que, visto por um ângulo canhestro, tambem combate a tal desigualdade. Deles.

Anônimo disse...

Mas na presidência desta Fundação não está (ou estava) aquele repórter que fazia um programa de rádio e, no seu discurso, embutia as mais razoáveis das opiniões?
O que houve com ele?
Eu parei de ouvir rádio por um problema técnico: meu carro não tem mais rádio. Mas no tempo que eu acompanhava os programas o referido repórter era um combativo militante que, aos meus ouvidos, parecia até um dos belos quadros da esquerda campista. Convicto e disciplinado ao ponto de não frequentar o McDonald's para não se render ao "imperialismo ianque".
O que mudou neste rapaz? No tempo em que ele era pedra, duvido que um caso como esse fosse considerado isolado. Agora que ele é vidraça o discurso mudou?
Ele já come BigMac?

douglas da mata disse...

Caro comentarista, eu não sei desde quando você ficou sem rádio, mas deve ter sido entre a II Guerra e a Guerra da Coréia, não? rsrs.

O referido senhor já não se parece um "combativo militante de esquerda" faz muitos e muitos anos.

Mas sem tripudiar sobre sua oscilação ideológica ou novos credos (todos temos direito a mudar de opinião sempre e a qualquer momento), o grave neste caso é a não percepção do valor institucional da fala, ou seja:

Ele, pessoalmente, pode ter suas opiniões sobre o caso, mas deve ter todo o cuidado(e ainda será pouco) ao expressar esta opinião publicamente, pois certamente, e ele sabe disto, a repercussão não é privada ou no âmbito de suas relações particulares, ainda mais se considerarmos esta "opinião" foi registrada em veiculo público sobre um tema que esta na esfera pública de debates.

Ele "pensar" como um tolo racista não me surpreende.

A surpresa é expressar isto em público no cargo que ele ocupa.