sábado, 27 de outubro de 2012

Prêmio da Lama ao Caos.

Todos os veículos de comunicação têm a mania de emoldurar aqueles que bajula com títulos e comendas...trofeús e salamaleques.

Não sem antes, é claro, rodar a sacolinha e tungar uma pratinha do bolso dos "agraciados", sob a justificativa singela do patrocínio desinteressado.

Como é de praxe, levam também um qualquer do Erário, porque ninguém é de ferro.

Celebram o "bom gosto", "os homens de bem", os "empreendedores", enfim a nata do rái-soçaitchi.

Fim de ano é batata...lá estão todos enfileirados nas primeiras filas dos teatros e auditórios, com a apresentação tonitroante do casal mestre de cerimônias, imagens, historinhas, enfim, aquela babação de ovo interminável, para depois ouvirem estas pessoas no que elas sabem fazer melhor: falar de si mesmos e de suas qualidades.

Bom, para não dizer que somos do contra, vamos também lançar o nosso troféu, nossa comenda, nosso reconhecimento aos melhores "exemplares" da nossa raça goytacá e os "estrangeiros que melhor representam nosso espírito"...

O evento será apenas virtual nesta primeira edição, porque como decidimos em cima da hora, não deu tempo de achacar os homenageados, nem os cofres públicos.

O nome é uma homenagem a música de Chico Science:

"(...) da lama ao caos, do caos a lama, um homem roubado nunca se engana(...)".

Melhor definição para nossa planície de lama, impossível.

Vamos aos indicados:

Categoria rombo do mercado financeiro/finanças públicas: índio da costa. 

Conseguiu articular uma tentativa, infelizmente mal sucedida(mal sucedida para nós, contribuintes) de salvar milhões que faltavam no caixa do banco da família, e uniu neste campo os mais ferrenhos adversários da região. Contou com o dinheiro dos aposentados servidores do município goytacá, e com o silêncio cúmplice da oposição, dentre eles um estridente deputado estadual local que, misteriosamente, manteve-se mudo sobre o tema.
Concorre junto com os secretários de finanças dos períodos 2006 até 2011, afinal, não há efeito sem causa, e neste caso, mais uma vez, mostrou que o dinheiro está acima das disputas locais(aliás, acima, do lado, embaixo, dentro, etc).

Categoria desastre ambiental do milênio: senhor X.

Ninguém, em nenhum outro tempo conseguirá transformar tantos litros de água doce em água salgada. Concorreu também ao prêmio nobel de química, mas forma desclassificados porque seus métodos foram considerados pouco científicos.

Categoria artes plásticas/instalações: A prefeita.

Sua decoração rosa deu polêmica como todas as grandes obras de arte. Ninguém entendeu bem o sentido das cores nos postes. Ela que já foi considerada um poste político, deu cor ao objeto para ironizar seus detratores. O fino, um must..."ê povinho sem curtura".

Categoria liberdade de imprensa: (...)

Este é para um jornal local que não pode ser citado porque senão usa seus adevogados e todo (ou será nosso?) dinheiro para transtornar a vida de quem ousa criticar ou discordar das (cara$)verdades absolutas e inquebrantáveis que veiculam em suas páginas e ambientes virtuais. Concorre também na categoria menção desonrosa, troféu Verbo pela Verba.

Categoria livre empreendedor: Usineiros da cidade (prêmio coletivo)

Nenhuma outra categoria demonstrou tanta fidelidade aos princípios capitalistas básicos: usar, abusar e se der, até escravizar a mão-de-obra, cortando custos. Conseguir dinheiro público para tocar o negócio, seja sob forma de isenção fiscal (no caso do corte do ICMS de 25% para 2%) seja com investimentos diretos (dinheiro do Fundecam a perder de vista e com juro de pai para filho). Concorriam também na categoria desastre ambiental.

Menções desonrosas:

Menção desonrosa Awschiwtz: A prefeita, pelos melhores campos de concentração populares do mundo. Parecem até conjuntos habitacionais.

Menção desonrosa Verbo pela Verba: grupo (...). Pela sua incansável dedicação a qualquer governante de plantão, ou empresário privado, que esteja disposto a comprar-lhe a pauta.

Menção desonrosa As raposas e as uvas: Para os vereadores derrotados, que jogaram o jogo da compra de votos, silenciaram, e depois, na derrota, choram sobre o leite derramado.

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei! E a CDL Marcelo Mér(i)da?

douglas da mata disse...

Na próxima edição deve concorrer em alguma categoria nova, tipo: lucro privado, prejuízo social ou empresário de coleira(aqueles que vivem pendurados em algum "convênio" ou "contrato" com o erário).