quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nova lei da "matemática política" em Campos dos Goytacazes: 12 + 13 + 44 + 50 = 0

Eu tinha me prometido esperar o fim das eleições, com a divulgação (será) dos resultados na segunda-feira, para que este editor pudesse emitir suas considerações acerca do pleito.

Paciência não é uma virtude minha, mas por outro lado, também não é meu defeito.

A despeito da nossa inclinação por números, onde exercitamos o saudável hábito do palpite, creio que pouco importará se a prefeita atual se reeleger com 60, 65 ou 70% dos votos válidos, ao mesmo tempo que pouco importará se o candidato do PT, até aqui apontado como provável segundo colocado, alcançará 15 ou 20% dos votos válidos.

Tanto faz quem se elegerá vereador: O governo manterá esta casa no cabresto curtíssimo, qualquer que seja sua configuração, porque não basta mudar nomes e quantidades: há de se mudar a essência do "jogo". E esta, acreditem, está intacta.

Dentre os prováveis indicados como eleitos pela oposição, raros são os que fizeram sua campanha com a contestação sistemática ao atual governo.

A representação simbólica desta campanha é uma só: A população aprova o modelo de gestão da prefeita e seu grupo, ainda que enxergue os erros e os desvios impregnados nele. 
Neste momento, a população desta cidade, qualquer que seja a classe social, entende que a necessidade de planejar o futuro, estruturar o espaço urbano com privilégio das forma públicas de interação, são temas secundários. 
Ou pior, parte deste população acredita que o que se faz hoje atende esta demanda.

Ao mesmo tempo, a população não enxergou novidade em nenhum dos concorrentes que pudesse motivá-la a manter suas conquistas atuais, e que pudesse trazer outras, de médio e longo prazo, reconstruindo o tecido social, fracionado em vários grupos de interesses: os mais pobres, pela assistência direta mais ou menos bem sucedida, os mais ricos, pelos privilégios e negócios "da China" o que os torna ainda mais ricos.

A oposição duvida da importância destas conquistas, talvez porque de forma arrogante, sempre se dirija a estas conquistas (a dos mais pobres) como medidas de cunho fisiológico, o que é óbvio, afasta qualquer possibilidade de diálogo entre o grosso da população e a oposição.
Cinicamente, nada falam sobre os privilégios concedidos aos mais ricos, a não ser para que se tornem os próximos beneficiários, como no discurso tosco de que as licitações fraudulentas sobre obras desnecessárias revertam para empresas locais, (re)inaugurando um "patrimonialismo bairrista".

Mas o fator principal de fracasso da oposição, representada em todos os candidatos, foi a completa abstenção durante todo o longo processo que antecede ao pleito de uma tarefa básica: Renunciaram a  fazer política.

É bom lembrar, por exemplo, que o candidato do PDT foi deputado federal. Não há nada em seu mandato que tenha contribuído para a articulação política local, construindo novos consensos ao redor das periferias, e que se tornaria muito mais fácil com a fala institucionalizada que um mandato confere.

Não podemos esquecer que a conjuntura política regional e nacional favorecem a todos os grupos políticos que se dizem oposição nesta cidade. 
Longe de hiperbolizar ou reivindicar uma ingerência da presidência da República, ou do governo do Estado na cidade, é certo que os grupos políticos locais poderiam ter trabalhado com a perspectiva de oferecer a população alternativas ao "assédio" promovido pelos royalties.

Neste sentido, a oposição conta hoje com deputados estaduais, vereadores, que pouco ou nada reverteram seus capitais políticos na direção de outros consensos políticos possíveis junto a população, no máximo, reproduziram as velhas práticas de loteamento dos cargos públicos federais e estaduais nos diversos órgãos da administração direta e indireta da União e Estado. 

A FENORTE é um  caso clássico.

Nada demais em dar uma "cara" política a gestão administrativa, no entanto, este "aparelhamento" necessita um rumo, uma direção, um plano político, senão cai na vala comum, alvo fácil da crítica dos cretinos do apoliticismo, trazendo mais e mais descrença da população na habilidade e capacidade destes quadros políticos em resolver seus problemas.

Boa parte dos investimentos de escala na região obedecem as "agendas" federal e estadual, mas os oposicionistas sequer conseguem chegar perto dos bônus que tais iniciativas trazem, e talvez por sua completa obtusidade e incompetência, tenham que arcar com os ônus.

No dia-a-dia, no varejo, vereadores e direções partidárias abandonaram a luta política nos bairros, nos sindicatos, associações, etc.

De um lado, pela arrogância natural daqueles que pretendem fazer política com uma platéia sempre cordata e obediente, aliás, justamente, na forma como criticam no governo, e de outro, pela visão imediatista de que estas ações não revertam naquilo que pretendem, votos, como se este processo de decisão das populações se desse por algum tipo de "revelação" ou "encanto".

Leva tempo, e já se foram mais de 20 anos.

 O resultado nós vemos na campanha do candidato petista, por exemplo.

Nenhum depoimento de sindicalista, nenhuma associação de moradores, e pior, nem o setor "chique" que pretendiam cortejar, empresários e associações de classe patronais para dar um único sinal de confiança ou solidariedade ao candidato.

Nenhum "quadro" com referência social, ninguém que a população veja na TV ou no rádio, e o faça parar e pensar: "ah, fulano é bom, correto, gosto das ideias dele..." 

Exceção, que só confirma esta regra acima, para o sempre militante professor LUCIANO D'ÂNGELO.

Enfim, nenhum médico...embora o candidato seja um deles.

Em um município com inúmeros problemas sobre atendimento a saúde, nenhuma fala dos sindicatos dos médicos no programa de TV ou rádio, ou dos sindicalistas da educação sobre os problemas de sua área, e por aí vai...


Como já dissemos, pouco importa se o candidato do PT angariar 20, 30, 40% dos votos. Este capital político é estéril. No máximo reverterá para seu patrimônio pessoal para alçá-lo em outras aventuras eleitorais futuras, que se bem sucedidas, só integrarão esta grande soma de resultado nulo.


Um comentário:

Anônimo disse...

Esse espaço não foi dado. O Lindinho, na sua febril vontade de tornar-se o novo Governador, não deixou. Como bancar uma mídia dessa e deixar o seu Narciso atrás da tela. Essa campanha teve outro objetivo - as eleições de 2014, que possívelmente prestigiará um deputado federal ou estadual para ajudar o Lindinho. Mas e a realidade de Campos, ninguém vai ser chamado pra falar. Mas chamar quem?

José Verruga - o mudo sem mídia!