domingo, 14 de outubro de 2012

Manguinhos e Jacarezinho: A pax israelense de cabral e a mexicanização do RJ.

Frases de efeito...

Ao longo da história, diante da necessidade de legitimarem seus discursos ideológicos no campo da segurança pública, governos e seus auxiliares (re)produzem-nas em quantidade industrial.

A mídia, na coleira das contas de publicidade oficial, e fiéis ao compromisso político com as aterrorizadas classes mais abastadas, repercutem estas epígrafes do fracasso cantado como sucesso de pacificação social.

Até quando, senhores, veremos ocupação militar em solo urbano como símbolo de "paz"? 

Como blindados das forças armadas em vias públicas podem ser comemoradas como retumbante êxito, se de tudo, e para o pior, ao arrepio da nossa Carta Magna, dada a ausência do rito constitucional previsto para tal presença?

Que paz é esta? Ou pior, paz para quem, caras-pálidas?

Se não fossem trágicos os números da violência carioca e fluminense, poderíamos comparar a situação do governo do estado com o personagem de Julius Caesar e os gauleses, comandados pelo personagem  Asterix. 
Mas a dor da perda de entes queridos de todos os lados, o sadismo cruel de criminosos, os abusos de todos os lados , as mortes de policiais embrutecidos pelo conflito diário, não nos autorizam tamanha ironia, nem para considerar que os gauleses e os bandidos do Rio vivem da "poção mágica", os primeiros sob forma de sopa preparada pelo velho druida, já os últimos...

Ninguém discute a necessidade de enfrentamento dos grupos armados em qualquer cidade do Brasil,  ou do resto do país, caso estas facções desafiem o poder estatal e dominem territórios, desde que não se rasgue o ordenamento constitucional, e desde que tais medidas de exceção não se convertam em regra, pois se é deste jeito e a exceção virar regra, alguma coisa está muito errada e não cabem ufanismos.

Não custa perguntar de novo, de novo, e mais uma vez: Não seria mais fácil evitar que a situação chegasse a tal ponto?

O adágio prevenir é melhor que remediar diria alguma coisa aos "gênios formuladores" da política(?) de segurança pública fluminense?

Ao que parece, escolha já foi feita e o estrago é irreversível: a moda da vez, a UPP significa contratos de obras, compras governamentais, especulação imobiliária, enfim, uma mistura de interesses que extrapola o fim ao qual diz se destinar.

Dado técnico e alerta grave: de 2003 para cá, o contingente da polícia civil no estado do Rio de Janeiro, o segundo ou terceiro em PIB no país, um dos mais populosos, e talvez o estado que hoje, pelos mega-eventos que se aproximam, esteja no topo do imaginário popular nacional, caiu de cerca de 12 mil para  pouco mais de 7 mil agentes, aí incluídos os de licença médica ou outro tipo de afastamento, prestes a se aposentarem, etc.

Este número revela outra face da opção do governo atual: polícia ostensiva, com ênfase na ocupação espacial, no enfrentamento armado, com pouco ou nenhum zelo pela atividade de investigar e levar criminosos às barras da Justiça, sem processamento de crimes para que as sentenças funcionem como as principais inibidoras de novos crimes, rompendo assim o principal motivador das práticas ilegais, a saber: a impunidade.

Qualquer idiota afeiçoado por estratégia e jogos militares sabe que ocupações não funcionam no longo prazo em conflitos entre países, quiçá como tática de policiamento urbano. 
Estão aí o Iraque e o Afeganistão, como exemplos de guerras regulares e depois como fracassos estrondosos na permanência de tropas como mantenedoras da ordem pública. 

Está aí Belfast e a Irlanda como outro desastre na ocupação urbana militarizada em conflito civil.

Crime se combate no binômio prevenção e controle, prevenção e repressão. O tráfico de drogas, antes de mais nada é um crime que se apresenta como uma alternativa econômica a quem decide aderir a sua prática. Como roubos, sequestros e outras categorias.

Neste contexto, trazem juntos outros crimes que também integram esta "cadeia produtiva", como venda de armas, outros itens de logística, insumos e claro, lavagem de recursos, e reprocessamento destes recursos para financiamento e re-financiamento da atividade.

Sem atacar estas premissas, que requerem alguma tecnologia, bom treinamento, policiais motivados e bem pagos, e pouquíssimos recursos, se comparados a estas mega-operações atuais, vamos, em breve, ter que deslocar todo o contingente militar brasileiro para o RJ, e não será suficiente.

Reduzindo as delegacias a meras coletoras de registros mal feitos pela sobrecarga do vertiginoso aumento da demanda frente a uma oferta de servidores cada vez menor, nossas "autoridades" em segurança parecem sinalizar o óbvio: desejam a pirotecnia, o aplauso fácil, o "atalho", porém, nenhum resultado efetivo.
Uma espécie de "corrupção do bem", uma "pequena desonestidade intelectual e de princípios" dos "mocinhos", pois sabem que suas ações não passam de meros paliativos, mas as vendem como "curas de todos os males".

Não sem, é claro, o sacrifício dos agentes que os servem nestes joguetes de guerra, e na opressão das populações "pacificadas". 

Teremos em breve a nossa versão mexicana desta "novela", "encenada" em um cenário "tranqüilo" como os assentamentos israelenses em solo palestino, sem nenhuma chance de um final feliz!

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