segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Jornal Nacional em 1989 e 2012: duas "edições" e uma lição!

Durante muitos anos, um mito percorreu os corredores da toda poderosa vênus platinada: Se cid moreira resolvesse falar que comer grama preveniria ou curaria o câncer, não sobraria, no outro dia, um jardim intacto para contar história.

Cevada por imensos favores estatais dos gorilas militares do poder, e construída sobre um consenso forjado a força nos porões das torturas, e nas ruas da repressão e da censura, não foi difícil a rede globo acumular um capital de "credibilidade" quase inquestionável. 

O locutor cid moreira, um capacho mentecapto, mero leitor de teleprompter alçado a condição de celebridade, emoldurava este domínio ideológico com singular competência na bancada do JN. 

Se o JN dizia, era verdade, se desdizia, era mentira, e se nada dizia, não aconteceu.

Nos anos de ouro, a década de 70, dizia-se que para ter sucesso em qualquer instância da política (embora estas fossem reduzidas),  ou em qualquer outra instância relevante da sociedade, era preciso "tomar à benção" do dôto roberto, barão da mídia que os cretinos de coleira nas redações insistiam em chamar de "colega".

Até hoje permanece este símbolo de subserviência: empregado jornalista chama dono de jornal, rádio e TV de "colega". Como se a "suavização" do vínculo afrouxasse a coleira que aperta-lhes o pescoço, ou mudasse a natureza da submissão.

Com a abertura lenta e gradual do "gorila-alemão"(geisel) seguido pelo "gorila-cavalariano"(figueiredo), nas eleições de 82 uns poucos e raros desafiaram esta lógica, dentre eles o bravo Brizola.

Ainda assim, seu governo foi bombardeado diuturnamente pelas organizações globo, reduzindo a iniciativas visionárias como a escola integral, o CIEP, hoje celebradas como soluções, como medidas "populistas-eleitoreiras".

Naquele tempo, dôto roberto dava as cartas.

Foi em 1989 que as urnas fugiram ao controle em escala nacional, e no segundo turno enfrentaram-se Collor e Lula.

Não cabe aqui detalhar todo o processo que levou àquele debate final na TV,  último ato público em cadeia nacional, mas sim o seu significado, e mais, a intenção em determinar a escolha do eleitorado escondida através do suposto interesse na verdade jornalística. Uma fraude!

O debate não foi editado para que a preferência da globo sobre os candidatos fosse revelada ou para melhor apresentar as qualidades dos dois candidatos, de forma equânime.

Ao contrário, tudo aconteceu como se o escroque do cid moreira lesse uma matéria aos telespectadores.

É impreciso dizer que um debate, ou pior, a edição do debate fosse determinar o resultado naquela ocasião, até porque, a globo se portou de forma parcial durante toda a cobertura daquelas eleições presidenciais, o que, per si, já desequilibrava consideravelmente as possibilidades de vitória de cada um.

No entanto, naquele contexto específico, e pelo que representavam Lula e o PT no imaginário popular, a edição do debate presidencial não foi fator determinante, mas de crucial relevância.
Imagine um mundo sem internet, onde a TV era a única plataforma de informação da sociedade, e dentro desta plataforma 90% da audiência e do conteúdo pertenciam a um canal.

Não houve estudo científico sobre o fenômeno para cravar o quanto a comunicação de massa, e neste caso, a edição do debate influenciaram o eleitor, mas há um consenso entre jornalistas, políticos, dos candidatos e seus partidos, e dos eleitores, que esta é a verdade.

A globo sempre se regozijou disto, e por imaginar que o novo presidente lhe faria a corte, dentre outros motivos, é que rompeu com ele, e lhe apresentou a conta com impeachment, anos dourados e caras-pintadas.

armando nogueira, que morreu cronista esportivo, mas que pilotava o JN então, nunca mais foi perdoado e se contorcia em desculpas e mea culpas do que fez: Agiu como um cretino cão de guarda dos interesses do chefe, e dotô roberto sempre lhe dedicou especial gratidão e um lugar nas organizações.

Vinte e três anos depois, o filhote de cid moreia, o cretino esclarecido chamado william bonner(que considera seu público um bando de hommers simpsons), à bordo do mesmo JN, pilotou como editor-geral mais uma das infâmias globais: 

Às vésperas das eleições, e logo após a propaganda eleitoral de Fernando Haddad, prefeito eleito de SP, colocou dezoito, eu disse DEZOITO MINUTOS de edição de trechos do julgamento da ação 470, onde juízes portaram-se como se estivessem em cima de um palanque (ou picadeiro?), embora lhes falte coragem, dignidade e humildade para se submeter ao voto. 

Teve juiz que elogiou a "redentora". Teve juiz que comparou os acusados com integrantes do PCC. Teve juiz imoral, que solta banqueiro, desvia dinheiro público para seus "institutos acadêmicos",  inventa grampos que não houve, e encontros que nunca teve, falando em probidade.

Durante esta eternidade de 18 minutos(quem atua no ramo sabe o que são DEZOITO MINUTOS NO JN), foi realizado o maior linchamento jurídico-jornalístico que se teve notícia, com cortes, vinhetas, gráficos flamejantes, efeitos computadorizados, trilha sonora, enfim, um apoplético episódio das sentenças, feito sob encomenda do candidato dos demotucanalhas de SP, zé çerra.

Porém, vinte e três anos depois, o país mudou...para melhor. 

Não que os cretinos jornalistas de coleira que manipulam a informação para seus patrões, os barões da mídia, ainda não causem estragos, todavia, o Brasil e o eleitor brasileiro começam a revelar que ninguém lhe coloca canga, que sabem diferenciar as discussões éticas NECESSÁRIAS da necessidade de avançar politicamente com um projeto de país mais justo de solidário, reconhecendo no PT e seus aliados os detentores desta agenda.

O Brasil de 2012 mudou, mas o JN parece que está em 1989. Sorte nossa. Só quem não entendeu foi o hommer simpson da bancada do JN.

Dentre tantos sentenciados no circo-mensalão, só que foi "condenado" ao lixo da história foi zé çerra.

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