terça-feira, 16 de outubro de 2012

Dois pesos e duas medidas...

Duas postagens do sítio Viomundo.com.br merecem destaque.

A primeira é um texto do insuspeito Janio de Freitas, articulista da "falha de são paulo". Será ele um quinta coluna encravado no think thank çerrista? Ou um militante petista enrustido?

Não sei.

Ultimamente, a falha de são paulo tem se dedicado a um estranho esporte até então impraticável: oferecer alguma coerência sob forma de contraditório, como se acenasse ao núcleo duro çerrista que a vaca já foi para o brejo, então, é hora de redefinir os aliados e estratégias.

Não há fato que se dê por uma única causa, é verdade. A falha de SP pode ter descoberto o fracasso iminente do projeto demotucanopata paulista, pode farejar tempos duros com o fim dos contratos de publicidade, caso continue a atacar um provável futuro prefeito petista, dentre tantas outras coisas.

Só temos certeza de uma coisa: a mudança da falha de SP não é casual, e muito menos gratuita...

Eis o texto do Janio:

"16/10/2012 – 03h00
Um momento e depois
A segunda coincidência prevista entre o julgamento no Supremo e as eleições (onde haja segundo turno) também terá, como a primeira, um dos dois temas mais agudos de acusação e de votação. No primeiro turno, foi a votação referente a José Dirceu e José Genoino. A seguinte será sobre a existência, ou não, de organização dos acusados para a prática sistemática e continuada de crimes, que vem a ser a formação de quadrilha.
“Quadrilha” e “grupo criminoso” foram mencionados várias vezes na sessão de ontem. Embora se demonstrasse, mais uma vez, as mágicas de que o sucesso público é capaz neste país obcecado por celebridades. Até a leitura feita pelo ministro Joaquim Barbosa estava diferente. Mansa e solta, uma correnteza sem corredeiras, de um acusador que pôde mesmo admitir, com naturalidade, um caso de dúvida, deixada aos critérios alheios. E até conceder absolvições, ainda que apenas em parte.
“Por falta de provas” foi outra menção do ministro relator Joaquim Barbosa. E os indícios, de tanta utilidade para amparar votos ali, com o atribuído “valor de provas”? E as deduções, capazes de concluir que as trapaças financeiras se deram por “golpe” e continuísmo, entre outras deduções de idêntica miséria factual? O acusado Duda Mendonça, além de talentoso, é um homem de sorte, compartilhada com sua acusada sócia Zilmar Fernandes.
Os dois foram dispensados de ter obrigatório conhecimento da origem ilícita do dinheiro recebido. Não havia por que saberem mesmo. Tratou-se de receberem o pagamento pelo trabalho de excelência na campanha de Lula. Para outros, valeu a dedução de que “só podiam ter conhecimento” ou “não podiam deixar de saber”, duas expressões que nem a martelo se encaixariam direito em votos judiciais. Mas, de esguelha, esbeiçadas, lá foram enfiadas. E guardam-se, sonoras, em vídeos do próprio STF para quem duvide e para a posteridade.
Duda e Zilmar tiveram outra dispensa, não concedida pelo relator a mais acusados. À falta do pagamento por seu trabalho, os sócios contataram Delúbio Soares. Foi o que fizeram outros, como os então deputados Paulo Rocha e Professor Luizinho, para o mesmo fim. No caso deles, procurar pelo tesoureiro do seu partido, o mesmo Delúbio, levou à dedução acusatória de que comprovava o conhecimento da origem ilícita do dinheiro.
Mas escapar de ser, também, motivo de investida de Joaquim Barbosa contra Ricardo Lewandowski, impedindo-o de proferir normalmente o seu voto de revisor, esse direito Duda e Zilmar não tiveram. E lá se foi a fisionomia descontraída do relator Joaquim Barbosa, logo submetida às discordâncias vindas dos esforços conscienciosos da ministra Rosa Weber. Para começar."



O outro momento sui generis publicado no Viomundo é a inédita e improvável aliança entre PSOL e DEMOS no Amapá.
Você pode acessar os detalhes aqui, mas desde já você pode concluir que o neoudenismo de esquerda não resistiu a cinco minutos de "vida real".
A justificativa? "Uma aliança pela moralidade."
Bom, ou moralidade mudou de significado ou os psissolistas mudaram de lado. Ou será as duas hipóteses?
Brincadeiras à parte, este evento revela o óbvio: fazer política requer mais que slogans.



2 comentários:

Anônimo disse...

Pluralidade não é uma opção, ne?

Você não deixa alternativa: ou se está a favor do projeto petista, ou é golpista.

E se, porventura, publicar alguma crítica contra teus inimigos, é oportunismo.

É a perfeita lógica inquisitória.

douglas da mata disse...

Ué, eu confesso que não entendi.

Como assim pluralidade? Alguém aí, em sã consciência reivindicará que a mídia corporativa tem sido "plural", mormente a "falha de SP"?

Bom, se começar por aí, é melhor nem continuarmos.

Ainda assim, este blog, que é um reduto de opinião e militância, e não uma concessão pública para explorar a comunicação de massa (o que faz uma enorme diferença), defende o direito a parcialidade de quem quer que seja, inclusive destes meios corporativos, ou seja, todos temos um lado.

Desde que não vendam opiniões como fatos, nem a mais grotesca manipulação como imparcialidade.

O comentarista vem falar em contraditório para uma mídia que empurra o pensamento único pela "goela da sociedade", como assim?

Porque aqui você entra e sabe qual o projeto que está sendo defendido, mesmo que façamos elogios aos nossos adversários, e lá, dá para saber?

Pelo jeito, e pelo seu comentário, está claro que os consumidores do PIG não tem a menor noção disto.

Eu, particularmente, defendo e já publiquei aqui neste blog, que o PT e o governo se ressentem de uma oposição mais qualificada, que debate política em outro nível, que provoque e ameace o governo a melhorar mais e mais, sob pena de perder o posto, como cumprem as democracias.

Mas o que vejo é só esta pobreza intelectual, representada em comentários toscos iguais aos seus, nos textos pseudo-científicos de demétrios, nas diarreias mentais de azevedos, em editoriais do JN, ou ainda em chiliques do jabour, que acabam, com estas reduções, por nos deixar sem alternativas, a não ser carimbá-los de oportunistas e golpistas, embora nem todos sejam, de fato.

A história da "falha de SP", da "grobo", da "óia" e de outras porcarias locais, não nos autorizam a rotulá-los de forma diferente.

E história é uma das ferramentas essenciais para se compreender o presente e quem sabe, prospectar algum futuro.


Neste caso, o que eu quis dizer com o texto, e se precisar eu desenho, é que a exceção do texto do Janio só reafirma a regra.

E como eu gosto de especular sobre o que está por detrás dos fatos, além do que vejo, e por baixo da superfície, me dou o direito de colocar o nome nas coisas do jeito que eu as percebo após prescruta-las.

Simples assim.

Agora, se quiser provar que estou errado, e estou sempre disposto a aceitar este fato, PROVE. ARGUMENTE. APRESENTE DADOS. PONDERE.

Rosnados e birras não vão adiantar por aqui.