segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Desperdício a serviço da hipocrisia.

Alguém imagina que a presença de tropas federais, sejam elas do exército, ou a força frankenstein nacional, possa inibir a coação que as milícias, o tráfico de drogas ou qualquer outro grupo mantêm sobre os eleitores em zonas chamadas "currais eleitorais"?

Ora, não bastasse a judicialização da política, redundamos com a  militarização policialesca da política, com a presença de homens armados para guerra em zonas urbanas, como se nossos cidadãos estivessem sob estado de sítio.

As relações de poder de grupos políticos, econômicos e, ou violentos, não se resumem, nem se encerram no dia da eleição, ao contrário, o "vínculo" de submissão é perene.

Deixar estas populações sob o domínio destes grupos, e depois colocar soldados nas ruas sob o pretexto de combater este vício de nossa Democracia é de uma cretinice sem par.

Propaganda pura, e talvez, mais ameaçadora que os criminosos que dizem querer combater.

6 comentários:

George AFG disse...

Sem as tropas, nas áreas q tu citou, teríamos traficantes e milicianos com fuzis nas portas das zonas eleitorais, essas tropas servem mais pra guardar tais zonas e seus mesários q qualquer outra coisa... No interior nem pra isso servem.

douglas da mata disse...

George,

Sua participação resume-se a uma opinião, a qual respeito.

Mas grupos armados que se dedicam a atividades criminosas com o domínio territorial e o uso ostensivo de armas não têm tradição de permanecer em posição ameaçadora em relação as zonas eleitorais.

Por uma questão simples: grupos que dominam territórios ostentam armas para intimidar os inimigos e, ou oferecer resistência às forças do Estado, quando estas se colocam em posição de ataque.

Como não há, em sã consciência, qualquer chance de que forças policiais façam operações de ocupação durante o dia de eleição, só resta uma alternativa possível:

Que as forças de segurança permaneçam nas comunidades para evitar ataques oportunistas de facções rivais.

Mas para tanto, não precisava a mobilização de tamanho contingente.

Na minha opinião, uma palhaçada.

George AFG disse...

Falo pelo q já vi nas comunidades aqui da cidade, não em relação à eleição mas em outros eventos públicos.

douglas da mata disse...

Mas aí que está: por que o "privilégio" em relação a eleições e em determinadas comunidades (28)?

Eu não discordo da necessidade de repressão a estas modalidades criminosas, só não concordo que a demonstração de "força" se dê nas eleições, justamente quando são mais desnecessárias...

Um abraço.

George AFG disse...

Sim, concordo q a presença do Estado nesses locais deveria se dar sempre (não só militar diga-se), só discordo parcialmente (friso parcialmente) quanto à total (friso total) desnecessidade na época das eleições pelo q já falei.

douglas da mata disse...

Compreendo,

Mas veja que a motivação do TRE/TSE em alocar tal contingente nestes locais obedece a uma lógica de "evitar" a coação dos milicianos e traficantes para alterar/determinar o resultado em favor dos candidatos preferidos por estas facções.

Foi neste sentido que publiquei o texto.

No aspecto mencionado por você, eu concordo com a proteção ao eleitor, embora como eu disse, esta proteção seja necessária não só quando o cidadão de veste de eleitor, mas de morador, trabalhador, etc.

E eu e você sabemos que de nada adianta "ocupar" comunidades quando se deveria evitar que as filiais do crime ali se instalassem com as armas e drogas fornecidas por quem comanda tudo do asfalto e das coberturas, mas quase nunca é mencionado nas páginas dos jornais.

Grato pela participação.