quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A prefeita, o delegado, "o" rosa, e o garoto...

Não, não é título de filme nacional, tipo Lisbela e o prisioneiro, ou o Besouro e a rosa.

É o enredo do atual cenário político da região, onde a disputa pelo poder de controlar um cofre de bilhões de reais alvoroça adversários e corrói as instituições do Estado, sugadas que são pelo enorme tornado de confusões que esta disputa política gera.

Não conheço o delegado federal Paulo Cassiano.

Como policial civil tenho severas críticas a atuação de qualquer polícia, quer seja ela federal, civil ou militar. Não é preciso ser gênio para entender que nossa política pública de segurança é um fracasso retumbante.

Lógico que esta ineficiência não é casual, é uma escolha do Estado e dos gestores.

Por óbvio que as instituições policiais não estão à salvo dos conflitos políticos e dos grupos de interesses relacionados a estes conflitos. 
Ninguém está, nem ao menos a Justiça, como vem sendo provado para nossa infelicidade.

Discordo de várias posições pessoais do delegado sobre política de segurança pública, porém as questões aqui discutidas não tem a pessoa dele como foco principal, e nem podem ter.

Atribuir causas levianas, ou estranhas ao cumprimento do dever, a atuação do delegado Paulo Cassiano e de sua equipe, que poderiam favorecer esta ou aquela facção política local ou de SJB, é temerário. 

Não pode ser dito sem provas, nem a menor insinuação.

É verdade que a PF ou seus servidores não estão acima da lei, mas o questionamento de suas atuações tem que ter foro próprio, inclusive pelos advogados de defesa, acostumados que estão a desqualificar os agentes da lei para desviar a atenção sobre a conduta de seus clientes.

Ultimamente, esta tática tem sido bastante utilizada, infelizmente com a acolhida de alguns setores do Ministério Público: basta questionar a atuação da polícia para conseguir um bill de impunidade para criminosos.

O mais grave é que tais insinuações tem sido propagadas por quem, até bem pouco tempo, serviu-se da imagem do delegado Paulo Cassiano, quer seja para dar legitimidade as versões que publica, quer seja para atacar adversários.

Tudo bem que o delegado também usufruiu desta relação, e deveria saber com quem estava lidando...mas como disse, é a pessoa dele o menos importante, pois o cuidado deveria ser com a função que ele exerce e a instituição envolvida.

Enfim, falar sobre ações persecutórias sem o conhecimento dos autos é um perigo.

No entanto, hipoteticamente, se o candidato a vereador "preparou" a situação para que ela se encaixasse no flagrante, ou seja, alterou a percepção da realidade dos envolvidos para provocar a prisão, ainda que a prefeita ou quem quer que seja, em seu nome ou não, tenha praticado os ilícitos, estaríamos diante da figura do flagrante preparado, que não é acolhido pelo ordenamento jurídico nacional.

Porém, frise-se, um delegado de polícia federal não é um leigo. 

Ainda assim, caberá a Justiça dar a palavra final sobre a validade dos atos praticados e se houve ou não abuso, que não poderá ser confundido com erro. Para haver abuso tem que se ter a figura do dolo, ou a vontade de praticar a coerção ilegal, a prisão.

Todos estes comentários acima baseiam-se em hipóteses e na minha LEIGA OPINIÃO.


No que diz respeito as questões políticas que envolvem o fato, é bom lembrar: o deputado faz a política do relógio quebrado, ou seja, marca a hora certa duas vezes no dia...
Ora, quem opera a política sob o modus operandi do deputado pode "prever" que, uma hora ou outra,  "a dona Justa" vai bater na porta, e neste caso, a prefeita de SJB e seus acólitos mudaram de lado, mas não de hábitos, logo...

O desgaste faz parte do pacote, e claro, ninguém pode pedir que um inimigo político não comemore e lucre com o revés do opositor.

Também não cabe, para além do "teatro eleitoral", a indignação "cívica" dos correligionários da prefeita de SJB, mesmo porque, até hoje, ninguém conseguiu explicar muito bem como o vereador candidato a vice mudou de lado de forma tão rápida e contundente...especulação por especulação, esta é também interessante, ou não?

7 comentários:

Marcelo Figueiredo disse...

Também me ocorreu o caso do possível preparo da flagrância, que parece ter ocorrido, embora, como você mesmo pontuou, o delegado não é bobo.

Mas há o fato. E causa espécie a capacidade dos governantes da região em serem águias e presas ao mesmo tempo: amplas vantagens em pesquisas jogadas por terra com postes e cooptações de última hora.

douglas da mata disse...

Caro Marcelo,

Talvez porque a expressão máxima de poder não seja apenas ganhar as eleições, mas fazê-lo de forma a destroçar o adversário, ou demonstrar um poder "sem limites".

De forma análoga, mais ou menos como degolar o inimigo morto no campo de batalha. Matá-lo após a morte.

Anônimo disse...

Alexandre estava eu sentado de manhã debaixo da sombra de um exuberante pé de goiaba e tive uma visão e queria compartilhar aqui:
Vi subir da Planície Lamacenta uma besta fera que era horrível e fazia guerra contra as pessoas de bem dessa cidade, perseguia os desafetos e destruia todos que ousassem discordar de suas posições. Massacrava os miseráveis dessa cidade impondo a tirania da miséria dando passagem a R$ 1,00, remédio a R$ 1,00, comida a R$ 1,00, saúde de R$ 1,00 e diguinidade também de R$ 1,00.
Tinha corpo de antílope e quatro cabeças. A primeira delas tinha um aspecto horrível de um monstro sem igual e era adornada com uma coroa rosa e dourado e tinha gravado o título de Coronelzinho e proferia palavras torpes: Ódio, rancor, vingança, poder, traição, perversão, falsidade, crueldade, ingratidão, conspiração.
A Segunda era semelhante a um boi e tinha dois chifres, na testa um nome Deputado Federal e da sua boca saiam palavras de engano: “Quem prometeu e não fez perdeu a vez”; “ E a campanha do tostão contra o milhão”; “Estão me perseguido”; “Estão conspirando contra mim”; “Não sou desequilibrado” entre outras asneiras.
A terceira parecia uma bela moça jovial sensual e impetuosa, tinha um diadema com nome Deputado Estadual mais quando me aproximei percebi que era como a medusa e de seus longos cabelos saiam serpentes peçonhentas de toda espécie. E suas atitudes e temperamento eram semelhantes ao da primeira cabeça.
E a quarta cabeça era de uma ovelha cor-de-rosa e pendurado no pescoço uma coleira com o nome Prefeito falava manso e suave mais bradava com um lobo lutando pelo poder queria pintar a planície de rosa e não mede esforços para impor a vontade da primeira cabeça.
Essa visão perturbou meu espírito e causou tormenta e angustia. A medida que o tempo passava parecia que esta besta prevalecia sobre tudo que chamava democracia.
Ela parecia estar acima do bem e do mal. Passava por cima de tudo e de todos: pessoas comuns, empresário, sociedade organizada, policias, judiciário, vereadores.
Da sua boca saiam palavras que pareciam doces como mel mais na realidade se tornariam amargas como fel: “Preciso fazer mais por você”; “Me dê mais quatro anos”; “Campos não pode parar” etc.
Mais eis que surge um guerreiro goitacá e atira uma flecha entre os olhos da primeira cabeça da besta que cai mortalmente ferida trazendo novamente Liberdade e cores novas para Planície Lamacenta.
Ainda existe esperança.

douglas da mata disse...

Bom, ainda bem que o comentário é só uma alegoria.

Não acredito que alguém ainda acredite que "heróis" atirarão flechas contra "monstros" hipotéticos.

Creio mais que cada um olhe em volta e para si e veja ali um pequeno monstro como este, afinal, que tipo de população é esta que NUNCA se revolta contra o monstro, e ao invés, alimenta-o com seu apoio?


Foi este tipo de visão sobre "heroísmo e flechas" os principais argumentos de um certo "garoto", que se apresentou como arqueiro do Muda Campos...pois é...e agora?

A principal dificuldade de "matar" monstros é que eles são cada vez mais parecidos com suas "supostas vítimas", ou seja, nós...

douglas da mata disse...

PS: quando for "trollar", ao menos mude o nome do destinatário...não me chamo alexandre...

Figueira disse...

O delegado agora é ex amigo. Se a coisa minguar também em SJB fica ruim. Por falar em ruim, o pasteleiro teve a verga cortada? Ficou Meio Assim restrito ao virtual e desandou a desancar o governo estadual e a ex-amiga prefeita.

Existe algum princípio a informar o nome das operações policiais, ou quanto mais criativo (ou ridículo) melhor? Penso que Machadada, em clara alusão a um dos investigados, seja desarrazoável face a um procedimento que, por sua natureza inquisitorial, já guarda por demais melindres à pessoa e direitos do investigado, de modo que deveria ser pautado por mais comedimento. Bem, é minha opinião.

douglas da mata disse...

Concordo contigo...as operações policiais e seus nomes mirabolantes obedecem a necessidade da polícia em legitimar seus atos pela publicidade, nem sempre desejável de seus feitos. Como não pode ser "genial" sempre, em matéria de propaganda, o exagero e mau gosto sobressaem.

O mais grave de tudo é que em uma sociedade que trata a polícia e os policiais com um misto de esquizofrenia psicótica, ora aplaudindo violações de direitos, tratando-as como persecução justa, quando se trata dos inimigos(políticos ou de classe), ora cuspindo nos policiais quando estes tomam em suas mãos as leis para praticar estas violações, na forma que lhes convêm, a publicidade acaba por se configurar como a única forma de se mostrar relevante.

Paradoxalmente, esta exposição acaba por corroer a credibilidade das instituições policiais, como resultado direto desta promíscua relação que afronta o Direito e o bem estar público, como aconteceu no caso do News of the World, de Murdoch.

Ao contrário do que dizem, esta "publicidade" não é um "direito" do público, mas uma garantia do investigado. Quem diz isto não sou eu: é o criminalista Nilo Batista, que por sua vez baseia-se em entendimentos da Suprema Corte estadunidense, que chega ao extremo de anular casos rumorosos por causa do excesso de publicidade e da correspondente manipulação que incide nos julgamentos e julgadores.