segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A hora da revanche?

Claro que o título é uma provocação, uma brincadeira.

Mas até poucos anos atrás, autoridades espanholas dedicavam-se a um esporte nacional: rejeitar estrangeiros nas suas fronteiras, mesmo que a esmagadora maioria dos rejeitados ali estivesse por motivos que em nada se relacionavam com imigração. 

Turistas, estudantes, homens de negócio, parentes em visita a pessoas enfermas, etc, todos barrados nas portas de aeroportos espanhóis com toda arrogância e falta de educação peculiar nestes casos.

O bom senso  e os fatos provam que os esquemas de imigração ilegal e tráfico de pessoas (mulheres, transsexuais), ligados a prostituição, não são desestimulados por estas medidas aduaneiras, ao contrário, quanto mais difícil o acesso, maior a rede de clandestinidade que se forma.
Mas bom senso não é uma característica comum a guardas aduaneiros de países que se julgam superiores, ou centrais.

Bom, eis que o jornal El Pais em sua página eletrônica de hoje nos traz algumas noticias irônicas, se não fosse trágico o momento.

A "fuga" de espanhóis faz cair a população. Mais de cento e dezessete mil espanhóis já imigraram desde 2011.

Demógrafos, sociólogos e outros estudiosos apontam a dimensão do drama: Com o freqüente êxodo dos mais jovens, diminui a chance de recuperação econômica, pela falta de população economicamente ativa no futuro próximo, junto com o envelhecimento da população e a baixíssima taxa de natalidade.

Vão ter que importar gente do norte da África. Como dissemos, irônico se não fosse trágico.

Seria o caso do Brasil fechar as fronteiras e chutar as bundas espanholas de volta para Europa? 

Creio que não. 

É hora do pragmatismo superar os ressentimentos recentes, e aproveitarmos o que de melhor há entre espanhóis e outros povos, para somarmos ao bônus demográfico (teremos mais jovens entre 19-30 anos que idosos/aposentados) que o Brasil aproveitará em breve em nossa economia em expansão.

Outras da Espanha: 


Ué, será que os nossos super-ultra-liberais dirão que o governo de direita do PP do primeiro-ministro Ravoy está "comprando" apoio com bolsas-paellas?

Um comentário:

Anônimo disse...

Realmente, não é hora da revanche. Mas que dá vontade, dá.